A arte e a vida de Yara Tupynambá

A ARTISTA PLÁSTICA YARA TUPYMANBÁ, PREMIADA INTERNACIONALMENTE, MOSTRA SUA ARTE. FOTO BARBARA RASO

Yara Tupynambá, a primeira dama da arte Mineira, coloriu pela primeira vez suas retinas com as cores e luzes do Gerais de Montes Claros onde nasceu. Aos 17 anos se fez aluna do mestre Guignard, Em Belo Horizonte, e a seguir foi aluna de

Goeldi, o grande gravurista no Rio de Janeiro. Continuou seu aprendizado com Faiga Ostrower e outros. Sua primeira fase se caracteriza pelo desenho, mas foi a gra­vura que, de imediato, a fez conhecida. Ligada a natureza procura expressar o que sente ao contempla-la em seu explendor. Para tal, fez-se figurativa.

Ligada também à cultura, vai buscar na observação do cotidiano e na poeira do inconsciente compreensão de si e do mundo que a cerca. Ciosa de suas raízes barrocas, estudou obsessivamente os mineiros do tempo colonial e assim alcan­çou a força expressionista que marca seu trabalho. Grande parte da obra de Yara são documentos artísticos em que pulsam temáticas históricos-sociais.

Ambidestra nascem obras que con­templam a força das “Minas” e a poesia dos “Gerais”. Sua figuração poética, as vezes dramática, entre o real e o onírico, entre o histórico e o individual, vai trans­ferindo para as telas e outros materiais, objetos aulturados:

Casarios, candeias, oratórios, vasos, bules, a neblina, aves, vegetação. Parale­lamente as centenas de quadros, surgem murais arquitetônicos, inclusive no exterior; só em Belo Horizonte há em torno de cem, a maioria em espaços públicos.

Surge na tereira etapa da arte brasi­leira. A primeira se caracteriza pelo Barroco e a segunda pela tentativa de moderniza­ção. Eram artistas inseridos num tempo polí­tico e por isso buscavam a identidade e ideologia do povo e o discurso ecológico.

Dentre seus companheiros de gera­ção estão Wilde Lacerda, Álvaro Apoca­lipse, Jarbas Juarez, Chanina e outros. Yara destacou-se também como professora de arte na escola Guignard e escola de Belas Artes da UFMG, onde foi também diretora (a melhor professora de gravura da época).

Apesar da idade avançada, mais de 80 anos, ela não se limita. Ainda ministra aulas de História da arte e pinta diaria­mente. Fez história e caminha na história; confirma-se como pessoa em processo. Sua obra gigantesca e bela é o resultado vitorioso de uma c onsciência operária, que contém em si uma virtualidade estéti­ca plena de valores humanos.

É descendente de europeus e índia da tribo dos Tupynambás. Recebeu o titulo de artista do Ano concedida pela Associação Brasileira de críticos de arte em 2011. Desde 1987, a artista mantém o Instituto Yara Tupynambá, que desenvolve trabalhos de incentivo ás artes plásticas, bem como atividades culturais e educacio­nais em Minas Gerais.

YARA TUPYNAMBÁ

Fez estudos artís­ticos com Alberto da Veiga Guignard e Oswald Goeldi; foi bolsista do Pratt Institute, em New York. Participante dos Salões de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Paraná, Porto Alegre, Campinas, Ouro Preto e Pernambu­co. Participante das Bienais de São Paulo e de Salvador. E ainda, na ala especial na Bienal de São Paulo, no Salão Global TV Globo, Belo Horizonte e Salão da Gravura, Ouro Preto.

OS TRABALHOS DE YARA TUPYNAMBÁ: IA ORANA MARIA (ACIMA), TECELÃ DO VALE E A JANELA E A CIDADE (ABAIXO). FOTOS DE ANDRÉ SENNA

Realizou exposições individuais nas galerias Guignard, Palácio das Artes, AMI, Inimá, Atelier Cor de Minas, Espaço Cultural da UNI-BH, em Belo Horizonte; em Juiz de Fora, Assir Artes e Funalfa; Exposições no Rio de Janeiro nas Galerias Chica da Silva, ICBEU e Museu Nacional de Belas Artes; Ex­posições individuais nas Galerias Danúbio, Sobrado, Casa das Artes e Portal, em São Paulo; Exposições individuais nas Galerias Oscar Seraphico, Performance e Teatro Nacional, em Brasília, entre outras.

A artista participou de mostras internacionais como I Certame Latino­-Americano de Xilogravura, Buenos Aires; Artistas Brasileiros em Indiana e Ohio; Artistas brasileiros em The Brazilian American Cultural Institute, Washington; Artistas Bra­sileiros na Cité Universitaire, Casa do Brasil, Paris; Artistas Brasileiros selecionados para o acervo do Museu Spokje, Iuguslávia; Artistas Brasileiros na Nigéria; Artistas Brasileiros no BAC, New York. Participante das mostras da Xilon Internacional que, de dois em dois anos percorre a Europa. E foi selecionada para a Bienal Internacional de gravura sobre madeira, Evry, França.

Entre seus prêmios se destacam: II Prêmio de Escultura no Salão de Belo Horizonte; I Prêmio Gravura Salão de Belo Horizonte; I Prêmio de Desenho TV Itacolomi entre artistas mineiros; I Prêmio de Ilustra­ção Diário de Notícias, Rio de Janeiro; II Prêmio de Desenho no Salão de Pernam­buco; I Prêmio de Gravura no II Salão de Trabalho, São Paulo e o I Prêmio de Gravu­ra com a equipe Estandarte no IV Salão de Arte Contemporânea de Belo Horizonte, entre outros.

Em 2011, recebeu o título de Artista do Ano concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. “Uma longa caminha­da foi feita por mim, em meus quadros, para mostrar a beleza e a diversidade de nossa natureza brasileira, nas imagens da floresta do Rio Doce, dos campos rupestres da serra do Cipó e dos locais criados pelos homens, como Inhotim, de onde saíram, muitas vezes, as plantas que estão nos jar­dins das casas”, afirma a artista, que pinta e mostra sua arte até hoje.

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