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Grupo ajuda imigrantes ilegais a sobreviver à travessia aos EUA

Nesta época do ano, as chuvas das monções tingem o deserto com tonalidades enganosas de verde, mas os migrantes que fazem ilegalmente a travessia do México aos Estados Unidos continuam a correr o risco de morrer de sede e por exposição ao calor sufocante. Alguns poucos que se perdem, se tiverem sorte, podem topar com garrafas de água potável, distribuídas por voluntários ao longo de trilhas improvisadas abertas no meio de montanhas e leitos secos de rios. 

Questões de cidadania e status legal raramente dominam as discussões no grupo.Byrd Baylor, 89, é autora de livros infantis de sucesso e vive numa área de 14 hectares. Ela disse que ajuda os imigrantes a "chegar onde precisam ir" há anos, distribuindo comida e água aos que atravessam suas terras. Uma década atrás, ela autorizou o grupo No More Deaths a montar uma base perto de sua casa.

Às 7h30, os voluntários saíram de carro e a pé até os pontos de distribuição de água. Em cada ponto, contaram as garrafas que encontraram -intocadas, com a água consumida ou depredadas. Especulou-se que alguns dos recipientes pudessem ter sido danificados pela Polícia de Fronteira, que já foi flagrada por câmeras jogando fora a água que os voluntários tinham deixado.    

A partir de um acampamento de base no deserto, voluntários treinados por um grupo chamado No More Deaths (Chega de Mortes) patrulham o deserto, oferecendo água, comida, roupa e cuidados médicos a migrantes perdidos, feridos e exaustos, sem fazer perguntas a eles. 
 

A missão do grupo é simples, embora não deixe de provocar controvérsia: acabar com as mortes de migrantes nas terras fronteiriças do Arizona.
 

Todas as semanas, cerca de 545 litros de água são levados para fora do acampamento. 

 

Cofundado por um pastor cuja igreja serviu de refúgio a centro-americanos que fugiam da violência nos anos 1980, o grupo é composto de voluntários, em sua maioria brancos e progressistas.

   

O que motiva seus integrantes é a compaixão, dizem. 

 

"A questão aqui não é a imigração", explicou Emrys Staton, 31, voluntário desde 2004, certa manhã enquanto ele e quatro outros atravessavam um leito de rio seco. "É salvar vidas."

O verão é a estação do ano mais mortífera por aqui.

 

O calor é sufocante e o nível dos rios pode subir inesperadamente, carregando quem tenta atravessá-los. Há escorpiões venenosos e cascavéis. Grandes pedras soltas podem despencar em fissuras ou cânions.

 

Os métodos do grupo são cuidadosos, e Byrd Camp, como é conhecido o acampamento de base, funciona como sua plataforma de lançamento.

 

O planejamento para cada dia começa na noite anterior, depois que o grupo divide um jantar que pode ser surpreendentemente saboroso, como grão de bico com curry preparado por Staton ou uma surpresa, como a lasanha vegetariana doada por uma igreja de Tucson.

 

Ao longo dos anos, o grupo mapeou dezenas de caminhos, explorando montanhas e vales em busca das trilhas escondidas traçadas pelos migrantes.

 

A Proteção de Alfândegas e Fronteiras, a agência à qual a Polícia de Fronteira é filiada, disse que a agência não tolera erros de conduta e que, quando identificados, seus agentes recebem medidas disciplinares apropriadas.

 

A agência disse que mantém "diálogo contínuo com grupos humanitários" e que, não obstante suas divergências, "as duas partes desejam reduzir as mortes no ambiente desértico do Arizona".


A Polícia de Fronteira coloca sinalizadores de socorro e avisos no deserto e transmite mensagens em espanhol para o outro lado da fronteira, num esforço para desencorajar migrantes de tentar a travessia. Com frequência, sua equipe de elite de busca e resgate socorre migrantes, como os nove mexicanos abandonados por seu atravessador nas proximidades de Arivaca em julho. 

 

Um deles morreu antes que chegasse a ajuda. Mais tarde, os sobreviventes foram submetidos ao processo de deportação.

 

Em julho, durante uma sessão de treinamento de novos voluntários em Tucson, Maryada Vallet, integrante de longa data da No More Deaths, deixou claro qual é a posição da entidade. "Nossa proposta não é fazer com que alguém passe despercebido pela Polícia de Fronteira", disse, destacando, porém, que a polícia é chamada para ajudar apenas se um migrante a solicita.

 

Os sinais da passagem de migrantes são encontrados por toda parte nas trilhas desta região: um tênis com um pedaço de tapete grampeado à sua sola -para não deixar pegadas-, garrafas de plástico preto -que não refletem a luz do sol- e pacotes vazios de feijão Isadora Bayos -uma marca mexicana.

 

Os voluntários precisam se inscrever para ficar no acampamento Byrd, normalmente ocupado por não mais que dez pessoas.

 

Pelo menos 85 se voluntariaram neste verão, em sua maioria estudantes universitários.

 

 

 

 

 

 

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