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Crise externa não melhora nos próximos 2 ou 3 anos, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira (2), durante cerimônia de lançamento do novo pacote de estímulo à competitividade das empresas brasileiras, chamado de “Brasil Maior”, que a crise internacional, com possibilidade de calote nos Estados Unidos e problemas nas contas públicas de países da Europa, não deve melhorar nos próximos dois ou três anos. Nesse momento de incerteza e forte competição com os produtos de outros países, disse ele, o pacote do governo visa “fortalecer” a indústria nacional.

“O mundo está em crise, que já se arrasta há mais de dois anos. Os países avançados não dão sinais de resolução de seus problemas. Pelo contrário, temos visto nas últimas semanas os Estados Unidos à beira de um ‘default’ [calote], algo histórico, que nunca tinha acontecido. A União Europeia com problemas em países, equacionando dívidas elevadas. Temos de ter a perspectiva que a situação não vai melhorar. É uma continuação da crise financeira de 2008. Devemos esperar que continue nos próximos dois ou três anos”, declarou o ministro da Fazenda.

Nesse cenário de crise externa, disse o ministro da Fazenda, as economias avançadas também estão tomando medidas para estimular a competitividade de suas empresas. Um exemplo citado por ele é a “manipulação do câmbio”, estimulando a desvalorização de suas moedas, no que ele chamou de “guerra cambial”. Com isso, os países considerados mais desenvolvidos tornam a venda de seus produtos mais barata no exterior, inclusive no Brasil, prejudicando as vendas das empresas brasileiras nos mercados interno e externo.

“As consequências de medidas tomadas nos países avançados acabam prejudicando indústria brasileira. O mercado [interno] está sendo apropriado por produtos importados. Os países avançados têm manipulado o câmbio para aumentar sua competitividade de forma artificial. É o que chamamos de guerra cambial. Temos combatido essas políticas cambiais. Sabemos que é uma luta difícil, pois a crise será prolongada”, declarou o ministro da Fazenda.

Mantega acrescentou que os países considerados mais desenvolvidos continuarãoo praticando essas mesmas políticas para estimular sua economia – que acabam por prejudicar a competitividade das empresas brasileiras.

“Continuaremos tomando mais medidas cambiais, mas temos que tomar medidas para fortalecer a indústria. O mercado [nacional] deve ser usufruído pela industria brasileira, e não pelos aventureiros que vem de fora”, disse ele, ao explicar o pacote de competitividade lançado nesta terça-feira.

O ministro acrescentou que, sem as medidas no mercado futuro de dólar anunciada na semana passada, a cotação da moeda norte-americana estaria abaixo de R$ 1,50 – prejudicando ainda mais a indústria local.

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