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EUA defende investigação de Murdoch

Rupert Murdoch, em 24 de maio

O escândalo que movimentou a política britânica e ameaça prejudicar os negócios de Rupert Murdoch no Reino Unido começou a ganhar contornos políticos nos EUA, onde o senador democrata John Rockefeller, presidente da Comissão de Comércio, Ciência e Transporte, defendeu uma investigação sobre a News Corp. Ativistas alegam que telefones de cidadãos dos EUA também podem ter sido grampeados.

Nos Estados Unidos, a News Corp tem 27 canais de TV, incluindo a FoxNews, além de jornais como “The Wall Street Journal”.

– Temo que os grampos possam ter sido estendidos a parentes das vítimas do 11 de Setembro ou a outros americanos. Se isso ocorreu, as consequências serão graves – afirmou Rockefeller.

O senador não apresentou provas para apoiar o pedido, mas solicitou que as autoridades investiguem qualquer irregularidade.

– Eu encorajo as agências apropriadas a investigar para assegurar que americanos não tiveram sua privacidade violada – apontou.

ONGs também pressionam o Senado e a Câmara a investigar a atuação das empresas do magnata australiano em solo americano. De acordo com o jornal “Telegraph”, um grupo chegou a escrever para o FBI pedindo que a polícia federal americana entre em ação para avaliar se houve violação do Ato de Práticas Corruptas no Exterior. O tabloide “News of the World”, fechado por Murdoch devido ao escândalo, é acusado de comprar policiais para ter acesso a informações no Reino Unido.

Para Kevin Zeese, advogado do grupo ProtectOurElections.org ouvido pelo “Telegraph”, “Murdoch se mudou para os EUA e se tornou um cidadão americano em 1985 para tirar vantagem das nossas leis”. Congressistas americanos acompanham o caso e esperam os próximos resultados das investigações britânicas.

“Estamos de olho na situação, mas não planejamos entrar nisso nesse momento”, disse, segundo o jornal, Jodi Seth, porta-voz do senador democrata John Kerry, chefe do subcomitê de Comunicações do Senado. “Agora, tudo que se sabe é que houve grampos no Reino Unido, o que está fora da nossa jurisdição”.

Para Melaine Sloan, diretora-executiva da ONG Cidadãos pela Responsabilidade e Ética em Washington (Crew, em inglês), os congressistas devem abrir investigações porque há uma cultura de corrupção na News Corp., empresa que comanda todo o império midiático de Murdoch.

“É difícil imaginar que as mesmas coisas não estão acontecendo nos Estados Unidos”, disse, lembrando que o executivo-chefe da Dow Jones, Les Hinton, e o editor do jornal “Wall Street Journal”, Robert Thomson, ocuparam cargos importantes na News International, braço da News Corp. no Reino Unido.

Além do “Journal”, pertencem a Murdoch nos EUA o canal de TV Fox News, que tem grande simpatia de republicanos, o jornal “New York Post”, o estúdio 20th Century Fox, e cerca de 27 emissoras de TV que cobrem 40% do país e precisam de licença da Comissão Federal de Comunicações. As licenças podem ser ameaçadas na renovação.

Especialistas em Direito avaliam que empresas de Murdoch podem enfrentar processos nos EUA por causa dos escândalos britânicos. Segundo analistas, a News Corp. pode sim ser acionada com base no Ato da Práticas Corruptas no Exterior, aprovada em 1977 – uma ampla legislação que atinge executivos responsáveis por corromper funcionários estrangeiros em troca de vantagens.

Caberia ao Departamento de Justiça dos EUA lançar uma ação desse tipo, enquanto a Comissão de Seguridade e Ações investigaria eventuais crimes financeiros do grupo. Para o ex-promotor federal de Dallas Dan Guthrie, hoje um conceituado advogado especializado em crimes de colarinho branco, a preocupação de Murdoch com eventuais processos por práticas corruptas estaria por trás da decisão de fechar o “News of the World”.

– Foi meu primeiro pensamento quando soube – disse ele. – A legislação é ampla o bastante para enquadrar algo desse gênero, o Departamento de Justiça tem sido muito rígido na aplicação dessa lei.

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