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EUA: Calote provocaria crise mundial

Um eventual não pagamento da dívida dos Estados Unidos provocaria uma “grande crise”, e repercutiria na economia mundial, disse o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Ben Bernanke.

O assunto tem sido destaque nos últimos dias em meio à antecipação por um acordo entre republicanos e democratas quanto à elevação do teto da dívida pública americana. O limite, de US$ 14,29 trilhões, foi alcançado em maio deste ano. Desde então, o governo não pode mais aumentar seu endividamento.

Se os Estados Unidos não aumentarem o limite máximo de endividamento antes de 2 de agosto, serão obrigados a não honrarem seus compromissos, “levando o sistema financeiro ao caos, afetando muito a economia mundial”, declarou Bernanke na Comissão de Finanças da Câmara de Representantes.

O presidente do Fed se referia ao fato de os títulos dos Tesouro americano serem considerados no mundo todo um investimento quase tão seguro quanto o ouro.

Bernanke advertiu que um default do Tesouro americano teria consequências dramáticas para a economia dos EUA e do mundo.

Causaria “problemas enormes”, disse: “as taxas de juros começariam a subir” na medida em que os credores questionassem a capacidade do país de pagar as dívidas, o que “enfraqueceria nossa economia e aumentaria ainda mais o déficit”.

O Departamento do Tesouro estima que não poderá evitar um default (calote, mesmo que temporário), se o teto legal da dívida pública americana não for elevado até o dia 2 de agosto.

“De um lado é possível que a recente fragilidade da economia se revele mais duradoura que o previsto e reapareçam os riscos de deflação, o que tornaria necessário um apoio adicional de política monetária em favor da economia”, declarou Bernanke aos parlamentares.

“De outro, a economia poderia evoluir em um sentido que justificasse uma política monetária menos flexível”, acrescentou o presidente do Fed, na apresentação do relatório semestral sobre política monetária do banco à Comissão de Finanças.

“Os dados mais recentes da economia mostram a persistência da fragilidade do mercado de trabalho, mas os fatores que contribuíram para a desaceleração da recuperação no primeiro semestre, principalmente o avanço da inflação, devem ser temporários”, disse Bernanke.

Caso um acordo seja atingido, os membros do Comitê de Política Monetária do Fed, FOMC, consideram “que o ritmo da recuperação econômica deva melhorar”, permanecendo moderado nos próximos trimestres e que, em consequência, a taxa de desemprego deveria cair apenas gradualmente.

As atas da reunião do FOMC de junho, publicadas na terça-feira, revelaram que o Comitê está dividido entre os que consideram que a conjuntura poderia necessitar de uma ajuda adicional à economia e os que acreditam que o Fed já tem feito muito e deveria começar a recuperar a liquidez que injetou no mercado financeiro.

Vários membros do FOMC já expressaram oposição a uma nova série de recompra de títulos, cuja eficácia questionam. “Os bancos e as empresas americanas estão inundadas de liquidez. Injetar mais não resolverá nossos problemas”, declarou um deles, Richard Fisher.

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