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Medo de contaminação radioativa faz ruas de Tóquio ficarem vazias

Radiação chega a Tóquio e agência eleva classificação de acidente em usina nuclear no Japão

Horas após o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, orientar a população a ficar em casa nos arredores da usina de Fukushima e o governo de Tóquio – onde foi detectado um aumento dos níveis de radiação na região metropolitana – dar a mesma orientação, a Autoridade de Segurança Nuclear Francesa (ASN), que acompanha a crise no Japão, elevou nesta terça-feira para nível seis – numa escala até sete – a classificação dos acidentes ocorridos depois do terremoto e a tsunami da última sexta-feira. A situação também preocupa companhias aéreas, que cancelaram voos para a capital japonesa . O número oficial de mortos na tragédia subiu a 3.373 (Confira um balanço das mortes por regiões) .

Por enquanto, os índices detectados perto de Tóquio não são alarmantes, mas a notícia espalhou o pânico pela cidade. Não há ordem oficial de retirada da região, mas as empresas multinacionais estão avaliando planos de emergência para o deslocamento de estrangeiros. Até o meio da tarde desta terça-feira (horário local), a embaixada brasileira também não recomendava a retirada da capital e informava estar seguindo as orientações do governo japonês. De acordo com especialistas, nas próximas horas o vento deve levar a radiação para o Oceano Pacífico, atenuando os temores na capital nipônica.

Pessoas que permaneceram em Tóquio estocavam alimentos e outros suprimentos, temendo os efeitos da radiação que levou pânico à cidade – maior metrópole do mundo que, junto com sua região metropolitana, possui mais de 35 milhões de habitantes. No principal aeroporto da capital, centenas de pessoas se enfileiravam, muitas delas com crianças, para embarcar em voos deixando o país.

– Não estou muito preocupado com um outro terremoto. É a radiação que me assusta – disse Masashi Yoshida, enquanto segurava a filha de cinco anos no aeroporto de Haneda.

A situação só é grave ao redor da usina de Fukushima, onde os níveis de contaminação são altos. Cerca de 180 mil pessoas foram retiradas de suas casas num raio de 30 quilômetros ao redor da instalação.

Cerca de 750 funcionários foram retirados e apenas 50 engenheiros continuam na usina de Fukushima I (Daiichi) tentando solucionar os problemas que atingem quatro reatores. Um incêndio atingiu o número 4 e uma terceira explosão foi registrada na instalação, desta vez no reator 2, na manhã desta terça (noite de segunda no horário de Brasília).

Após a explosão, o premier do Japão fez um pronunciamento, admitindo que a radiação liberada pode causar danos à saúde no entorno da usina e ampliando a área de alerta . Uma zona de exclusão aérea de 30 quilômetros foi decretada em Fukushima. Em Tóquio, ainda não havia risco para a população, mas Kan também pediu que os moradores fiquem em casa.

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Radioatividade estaria baixando nos arredores da usina de Fukushima, diz AIEA

Níveis de acidente e incidente nuclear

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que, segundo informações do Japão, houve liberação de radiação diretamente na atmosfera. Mais tarde, a agência da ONU informou que a radioatividade no entorno da usina de Fukushima está caindo.

Com sede em Viena, na Áustria, a AIEA disse em comunicado que o nível de radiação passou de 11.900 microsieverts por hora às 9h desta terça-feira (21h de segunda no horário de Brasília) para 600 microsieverts seis horas depois. A medida é usada para avaliar a radiação recebida por pessoas.

A exposição a mais de 100 mil microsieverts ao ano pode causar câncer, segundo a Associção Nuclear Mundial. Segundo pesquisadores, durante um exame de tomografia computadorizada, por exemplo, uma pessoa recebe 12 mil microsieverts. (Entenda o vocabulário atômico)

Segundo a Aiea, o Japão manteve 150 pessoas sob monitoramento por suspeita de contaminação por radioatividade. Ao todo, 23 passaram por procedimentos de descontaminação desde que o terremoto e a tsunami que atingiram o Japão na sexta-feira causaram problemas em usinas do país, provocando a liberação de radiação da usina de Fukushima.

Os reatores 1 e 3 da instalação já haviam sofrido explosões, no sábado e na segunda-feira. Agora, o incêndio foi controlado, mas o reator 4 é aparentemente a maior fonte de preocupação. Um reservatório usado para armazenar combustível nuclear usado no reator, que estava desligado no momento da tragédia, pode estar em ebulição.

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