Lytron
My Partner
Census

Crise de refugiados na fronteira líbia atinge ‘ponto crítico’, diz ONU

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, disse que entre 70 mil e 75 mil pessoas fugiram para a Tunísia desde que o conflito na Líbia começou, no dia 20 de fevereiro.

“Nossa equipe na fronteira da Líbia com a Tunísia nos disse esta manhã que a situação lá atingiu um ponto crítico”, disse ela.

Cerca de 2 mil pessoas tentam cruzam a fronteira da Tunísia por hora, mas, uma vez em território tunisiano, os refugiados não têm para onde ir. Cerca de 20 mil outros estariam do lado líbio, à espera de uma autorização para entrar na Tunísia. A maiorioa é de egípcios, mas também há chineses e bengalis – quase todos trabalhadores estrangeiros que viviam na Líbia.

Os egípcios estão furiosos com seu governo, afirmando terem sido esquecidos pelas autoridades de seu país, afirmou o repórter da BBC Jim Muir.

Frio

A temperatura caiu drasticamente durante a madrugada na região, e Muir disse ter visto o corpo de um jovem egípcio, que teria morrido de frio.

Comida está sendo distribuída no local, mas os esforços de ajuda humanitária não são suficientes para lidar com a situação, afirma Muir. Segundo ele, a situação de saneamento na fronteira é “um desastre”, e há várias pessoas dormindo em estradas e estacionamentos.

Campos de triagem temporários estão sendo construídos de improviso ao longo da estrada, enquanto autoridades tentam alugar aviões e barcos para repatriar os refugiados.

Um refugiado disse à BBC que fugiu da cidade de Benghazi – agora nas mãos de rebeldes – devido a ameaças de simpatizantes da oposição, que pensaram que ele fosse um mercenário contratado pelo líder líbio, Muamar Khadafi.

“Eles não costumam ver negros em Benghazi”, disse ele, que é negro. “Eles dizem que o presidente (Khadafi) levou alguns negros para lutarem contra os líbios, então eles decidiram que se há um negro, ele precisa ser perseguido”, afirmou.

Entrevista

Refugiados na fronteira entre a Líbia e a TunísiaOs refugiados recebem comida, mas os recursos não são suficientes

O líder líbio Muamar Khadafi disse em entrevista à BBC que é amado por seu povo e negou que existam protestos em Trípoli. A entrevista – concedida aos repórteres Jeremy Bowen, da BBC, e Cristiane Amanpour, da ABC, e ao jornal Sunday Times – foi a primeira do líder líbio à imprensa ocidental desde que começou a crise.

Khadafi, que está há 41 anos no poder, está sob intensa pressão de opositores, que controlam várias cidades do leste do país.

Testemunhas afirmaram que forças pró-Khadafi tentaram retomar o controle das cidades de Zawiya, Misrata e Nalut, no oeste do país, mas foram repelidas por rebeldes – ajudados por forças dissidentes de unidades do Exército líbio.

Rebeldes afirmam que mataram oito milicianos pró-Khadafi, mas que não houve qualquer baixa entre os opositores. O governo não se pronuncia sobre número de mortos ou feridos.

Em Zawiya, moradores e manifestantes temem que o governo ordene ataques aéreos. Em Gasr bin Ghashir, um distrito de Trípoli, um grupo de cem homens gritava slogans pro Khadafi, carregando imagens do coronel.

“Estamos prontos para sacrificar nossas almas e nosso sangue por nosso líder”, diziam eles. A manifestação ocorreu perto de uma instalação criada pelo governo para que a imprensa visse um comboio médico partir para Benghazi. Havia 18 caminhões que estariam partindo para entregar comida, cobertores e medicamentos.

Share

Related posts