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Sucesso na web, sites de notícias falsas viram programas de TV

Em outubro de 2010, o site americano Onion News Network, de notícias fantasiosas, publicou, em vídeo, que o ídolo teen Justin Bieber seria “um pedófilo de 51 anos disfarçado”.

Horas depois, a história, tomada por real, foi replicada em uma cadeia de TV de Hong Kong. De seu escritório em Nova York, o autor do texto, Dan Mirk, 26, riu: “Como é possível? Eu dizia que o sujeito usava uma máscara de borracha com a cara do Bieber. Era absurdo”.

Na semana passada, as notícias falsas de Mirk –e dos outros sete chefes da equipe criativa do Onion– voltaram à televisão, por vias oficiais. O site estreou, no canal Comedy Central (que produz o desenho “South Park”), o “Onion SportsDome”, noticiário fantasioso voltado ao mundo esportivo.

Não é só. Na próxima sexta-feira, 21, o grupo estreia um segundo programa: “FactZone”, no canal IFC. Ambos serão semanais e de meia hora. Podem ser vistos no Brasil através do site.

Fundado como um jornal universitário, em 1988, o Onion se tornou um império midiático de notícias falsas. Seu jornal impresso, gratuito, tem tiragem semanal de 365 mil exemplares.

O site, que tem cem funcionários, recebe 40 milhões de acessos por mês. Tem, entre os anunciantes, Coca-Cola, Audi, Apple, CNN e Nintendo. No Brasil, serve de inspiração para os jornais satíricos “Sensacionalista” e “The i-piauí Herald”, publicados na internet.

Karolina Wotjasik/Divulgação
Apresentadora "noticia" que Kim Jong-il troca programa nuclear por papel em "Batman"
Apresentadora “noticia” que líder norte-coreano Kim Jong-il troca programa nuclear por papel em novo “Batman”

Dan Mirk contou, por telefone, que nenhum membro da redação tem experiência prévia com jornalismo: “Somos comediantes”. Diz tentar fazer algo “mais ridículo que o noticiário americano, o que é muito difícil”. Explica: “Às vezes, uma piada que nos parece hilária morre no minuto seguinte, quando alguém avisa que ela saiu, de verdade, na Fox News”.

Por isso, não raro, parte das matérias acabam tomadas por reais. Em setembro de 2009, dois jornais de Bangladesh –“The Daily Manab Zamin” e “The New Nation”– publicaram que a chegada do homem à Lua teria sido uma farsa. A manchete “Teorias conspiratórias convencem Neil Armstrong de que o pouso na Lua foi forjado” havia saído, dias antes, no site do Onion.

Em fevereiro de 2010, o “Corriere della Sera”, maior jornal da Itália, acreditou, a partir de um vídeo do Onion, que a Dinamarca havia lançado “campanha turística angustiante dirigida por Lars von Trier”, autor dos filmes “Dogville” e “Anticristo”. Precisou assumir o erro publicamente.

O caso mais emblemático, no entanto, ocorrera um ano antes, nos EUA. Em junho de 2009, o Onion noticiou que a ginasta Shawn Johnson, ouro nas Olimpíadas de Pequim, havia sido “abatida após quebrar uma perna”. O vídeo, que comparava a atleta a um cavalo, foi condenado por centenas de blogs.

Marc Lieberman, vice-presidente de negócios, diz que o site nunca foi processado: “É prestigioso ser satirizado. A própria ginasta gostou”.

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