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Ronaldinho: futebol e marketing

Contratação do craque significa bem mais do que apenas reforço para o time. Jogador trará projeção internacional, patrocínios e torcida para o novo clube

Desrespeito à hierarquia do clube, atrasos e ausências em treinamentos e a certeza de polêmicas extra-campo. Tudo isso, invariavelmente, faz parte da rotina de muitos jogadores brasileiros que atingiram fama e sucesso, se transformaram em estrelas internacionais e decidiram voltar ao País. Foi assim com o atacante Ronaldo no Corinthians e com Adriano, na passagem que teve por São Paulo e Flamengo. Apesar disso, 2011 começa marcado por disputa intensa, para alguns até insana do ponto de vista financeiro, entre três grandes clubes brasileiros – Palmeiras, Flamengo e Grêmio – pela contratação de Ronaldinho Gaúcho.

Cabeça fresca. Ronaldinho, que chegou ao Brasil na noite de sábado, tem deixado para seu irmão, Roberto Assis, negociar com Palmeiras, Flamengo e Grêmio

Mas o que estaria por trás desse comportamento? Mesmo cientes de algumas implicações negativas, os clubes se submetem a malabarismos financeiros para viabilizar a vinda deles. “Simples. Eles ainda resolvem. Jogadores como esses se encontram em um nível técnico tão acima da média que fazem a diferença”, opinou o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes.

E, quando ainda dirigia o Corinthians, Mano fazia questão de destacar suas observações sobre o desempenho de Ronaldo nos treinos. “É impressionante. Até o jeito de bater na bola é diferente. Em um treino de finalização, os goleiros não chegavam na bola dele. A ponto de uma hora eu achar que os goleiros estavam de brincadeira, mas não era.”

Se os treinadores, encantados com o potencial técnico dessas estrelas, aceitam ceder até alguns privilégios para contar com atletas desse nível em seu grupo, dirigentes mostram que o custo-benefício, na maioria das vezes, é positivo também – ou principalmente -por outras razões. “Se o Ronaldo não entrasse em campo pelo Corinthians, a contratação dele ainda assim seria positiva”, disse o presidente do clube, Andrés Sanchez. “A presença dele no Corinthians nos ajudou a ter mais repercussão internacional, nos ajudou na construção do Centro de Treinamento e até em alguns contatos na hora de contratar outros atletas. Quando você contrata um jogador assim, já deve saber que contratou o pacote completo, com virtudes e também defeitos.”

Ronaldinho Gaúcho. Para o diretor de marketing do Palmeiras, Rogério Dezembro, o esforço que o clube tem feito desde julho para contar com Ronaldinho Gaúcho não se resume a encontrar um parceiro capaz de bancar os altos valores referentes à contratação. “É um negócio que projeta a marca do clube, seja ele qual for, para todo o mundo”, afirmou. “Por isso, além de encontrar parceiros, o marketing precisa de uma estratégia para a própria marca do clube, para explorar toda essa repercussão.”

O técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo, reconhece a importância de nomes consagrados para o marketing dos clubes. Mas destaca também que, para os treinadores, além da capacidade técnica e de mídia, outro fator que pesa favoravelmente a essas estrelas é o efeito sobre os atletas mais jovens. “Eles (os consagrados) servem como uma referência para o restante do grupo, especialmente para os garotos”, explicou. “Não adianta nada você ter um grande técnico se não contar em sua equipe com jogadores que carreguem essa liderança para dentro do campo. E o Ronaldo (Gaúcho) é um desses atletas.”

Ensaiados. Representantes dos três clubes que negociam com Ronaldinho adotaram discurso parecido ontem. Ao mesmo tempo que fazem questão de mostrar otimismo, lembram que já ofereceram tudo o que podiam e que agora só esperam pelo parecer do jogador. “Quero resolver tudo isso até o dia 4 (hoje)”, disse o irmão do craque, Assis.

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