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Estudo mostra que os introvertidos também podem se tornar grandes líderes

Bill Gates, fundador da Microsoft, é citado como um líder introvertido de sucesso/Foto: AFP

Nova York – Os altos cargos nas empresas estão frequentemente associados a profissionais com perfis mais extrovertidos. Mas os mais quietinhos também têm vez. Novos estudos sugerem que as organizações acabam perdendo quando deixam de promover executivos com estilos mais discretos. É que mostra a pesquisa da professora Francesca Gino, da Harvard Business School, que descobriu que os introvertidos podem desempenhar um papel crucial na liderança de equipes. Em reportagem publicada pelo site da CNN, a pesquisadora afirma que muitas características que as pessoas associam aos líderes, como ter espírito dominador ou ser capaz de dar as diretrizes, muitas vezes são as mesmas que caracterizam uma pessoa extrovertida. Porém, num artigo prestes a ser publicado, Francesca argumenta que quando se trata do dia a dia do trabalho em equipe, as qualidades de liderança menos óbvias podem se tornar mais essenciais.

Francesca e seus colaboradores pediram que executivos avaliassem o quão extrovertidos são e, em seguida, estudaram como suas equipes trabalhavam. Eles verificaram que os extrovertidos foram mais dominantes, conduziram as conversas e foram menos receptivos a novas ideias. Os introvertidos, por outro lado, ouviam as ideias de seus colaboradores, guardavam essas sugestões e foram capazes de melhorar o desempenho da equipe. A pesquisadora ressaltou que os introvertidos demonstraram um desempenho superior quando lideravam uma equipe de trabalhadores pró-ativos.

– Se você trabalha com uma equipe onde as pessoas são pró-ativas e costumam sugerir ideias para melhorar o trabalho, seria melhor que o gestor ficasse meio na reserva e assumisse as atitudes de uma pessoa mais introvertida, que é mais propensa e cuidadosa em ouvir sugestões.

Francesca e seus colaboradores – Adam Grant, da Universidade da Pensilvânia, Wharton School e David Hofmann, da Universidade da Carolina do Norte Kenan-Flagler Business School – estão publicando os resultados de sua pesquisa no próximo ano na Academy of Management Journal. Ela espera que os resultados possam ajudar as empresas a perceberem o potencial de liderança dos profissionais mais introvertidos.

– Na realidade, a qualidade de ser mais quieto e mais receptivo a ideias diferentes é algo que deve ser valorizado – afirma.

Parece que é mais fácil para os extrovertidos evoluírem no mundo corporativo. Segundo a pesquisadora, um estudo de 2009 realizado por pesquisadores da Universidade de Minnesota e Baruch College constatou que 60% dos executivos de alta hierarquia apresentavam elevados níveis de extroversão. Porém, os introvertidos certamente têm algo a oferecer, endossa Francesca, citando Jeff Bezos, da Amazon, e Bill Gates, da Microsoft, como exemplos de líderes introvertidos de sucesso.

– O que esperamos que os departamentos de RH reconheçam é o valor de uma pessoa introvertida e o que ela pode oferecer para a empresa – afirma ela. – Nós precisamos de pessoas que sejam capazes de ouvir sugestões e opiniões diferentes e saibam valorizá-las.

De acordo com a pesquisadora da Harvard Business School, uma das principais lições de sua pesquisa é que qualquer pessoa pode aprender a prática da liderança eficaz. Em seu estudo, ela descobriu que, independentemente do tipo de personalidade, quando incentivadas a experimentar diferentes estilos, as pessoas eram capazes de aprender as características positivas de liderança tanto dos introvertidos quanto dos extrovertidos.

– O que os resultados sugerem é que não importa quem você é e qual sua disposição, mas é preciso saber se autopromover – conclui. – Algumas pessoas podem estar precisando apenas de um empurrãozinho para aparecer mais e tomar uma atitude que resolva a situação.

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