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EUA: anseio por mudança se vira contra Obama nas legislativas

A torrente de mudanças provocada por Barack Obama em 2008, reverteu-se violentamente contra seu Partido Democrata, que sofreu um importante revés para os republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato, o que ameaça imobilizar seu governo.

Entretanto, dados os giros violentos sofridos pela política americana nas últimas décadas, os analistas estimam que os republicanos não podem dar por certo o mesmo nível de apoio popular deste pleito nas presidenciais de 2012.

Há apenas dois anos, Obama chegou ao poder com a promessa de transformar os Estados Unidos.

Alguns eleitores, no entanto, declararam nas urnas que já cansaram de esperar pela recuperação econômica e pela redução do desemprego, entregando a maioria da Câmara dos Representantes à oposição republicana.

Os democratas ainda conseguiram preservar sua maioria, embora reduzida, no Senado. Este fato somado ao domínio republicano na Câmara Baixa são más notícias para a agenda de mudanças de Obama.

As esperanças da Casa Branca de concretizar uma reforma migratória que legalizaria os cerca de 11 milhões de clandestinos, além de uma lei para combater as mudanças climáticas, tornaram-se quase impossíveis com os resultados do pleito de terça-feira.

Provavelmente, Obama usará sua energia para defender o que conquistou até agora, como a reforma do sistema de saúde, que os republicanos prometeram reverter, segundo os analistas.

“Os dois partidos se beneficiaram e sofreram com as bruscas mudanças na política americana”, estimou Dan Shea, professor de Ciência Política da Universidade Allegheny, na Pensilvânia.

Os independentes, que ajudaram a colocar Obama na presidência, parecem agora ter votado com os republicanos.

Obama enfrenta ainda outro dilema: os republicanos o acusam de preconizar uma agenda esquerdista, enquanto seu próprio partido reclama de sua administração ser pouco progressista.

O surgimento do movimento ultraconservador Tea Party, por sua vez, potencializou os republicanos.

No entanto, se estes se inclinarem mais ainda para a direita, correm o risco de assistir a um triunfo dos conservadores nas primárias para as eleições presidenciais de 2012, opção radical demais para conquistar parcelas mais amplas do eleitorado americano – o que jogaria a favor de Obama.

“Um dos desdobramentos mais importantes da política americana hoje em dia é a queda da identificação partidarista”, disse Bruce Buchanan, da universidade do Texas en Austin.

Uma das certezas dos analistas sobre estas eleições legislativas é que a economia foi o principal fator determinante do voto, segundo as pesquisas de boca de urna. Se a recuperação econômica não for visível até 2012, Obama pode estar de fato em maus lençóis.

Para Dan Shea, Obama terá muito o que pensar a partir dos resultados da votação.

“Ele vai ter que dialogar com seus opositores”, disse o analista, advertindo que os independentes que Obama tentará reconquistar desejam ver um trabalho mais bipartidário nos próximos anos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, telefona para o futuro presidente da Câmara de Representantes, John Boehner, na noite desta terça-feira (2) na Casa Branca.
O presidente dos EUA, Barack Obama, telefona para o futuro presidente da Câmara de Representantes, John Boehner, na noite desta terça-feira (2) na Casa Branca.
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