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Fraude no Panamericano: 44 empresas como aval

Silvio Santos põe Baú da Felicidade, SBT e outras 42 empresas de seu grupo como garantia do empréstimo ao PanAmericano

A negociação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) com o Grupo Silvio Santos para a liberação do empréstimo de R$ 2,5 bilhões ao Banco Panamericano, intermediada pelo Banco Central, foram feitas pessoalmente com o empresário Silvio Santos, que colocou as 44 empresas do grupo como garantia do empréstimo. Cinco delas – o banco, o SBT, a Jequiti, o Baú da Felicidade e a Liderança Capitalização – foram colocadas como garantias diretas. As demais, como garantias indiretas.

O empresário Silvio Santos terá 10 anos para devolver o resgate dado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A holding Silvio Santos Participações ainda terá uma carência de 3 anos para iniciar o pagamento do empréstimo, obtido por meio da emissão de debêntures.

Os ativos de garantia perfazem um patrimônio estimado em R$ 2,7 bilhões pelo FGC e podem ser, se necessário, colocados à venda para cobrir o empréstimo. Os dividendos obtidos pela holding de Silvio Santos também serão usados no pagamento do resgate.

Um dia depois do anúncio do resgate de R$ 2,5 bilhões pelo Banco PanAmericano, em meio a denúncias de fraudes na instituição – que tem o Grupo Silvio Santos como principal acionista -, as ações preferenciais do banco, que estão fora do Ibovespa, despencam.

As ações preferenciais do banco de investimento caíam 29,44%, a R$ 4,79, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) por volta das 15h20m (horário de Brasília), nesta quarta. Na terça, o ativo fechou com queda 6,74%, o oitavo pior desempenho entre papéis fora do índice de referência da bolsa brasileira.

Os ativos de pequenas instituições financeiras vêm registrando baixas. Há pouco, as ações do Banco Pine desciam 3,67% (a R$ 13,35), BicBanco caía 4,73% (a R$ 15,10); ABC Brasil PN recuava 3,04% (a R$ 15,93) e Sofisa PN se depreciava em 4,42%, a R$ 4,97.

As grandes instituições financeiras, no entanto, registram altas. As ações preferenciais do ItaúUnibanco sobem 0,30% (a R$ 33,94), e as do Bradesco avançam 0,44%, a R$ 36,16. As ações do banco Santander sobem 0,57% (a R$ 24,64).

Acionistas não sofrerão diluição, diz PanAmericano

Em um comunicado, feito a pedido da BM&F Bovespa, o PanAmericano informou que os recursos do aporte não serão usados para um futuro aumento de capital e, portanto, os atuais acionistas não sofrerão diluição em suas participações. O aporte está sendo feito na “conta do acionista controlador” e não irá gerar qualquer encargo para o banco.

Além disso, não haverá resgate futuro dos recursos, que estão sendo usados para recompor inconsistências contábeis. O Panamericano afirmou ainda que “está em tratativas com o Banco Central do Brasil em relação ao tratamento contábil que será dado a tal aporte”.

A instituição financeira acrescentou que “as operações de crédito e investimentos continuam normalmente, mantendo-se as atuais políticas de crédito. As atividades das lojas e o atendimento ao público também permanecem inalterados”.

Para a analista do setor bancário da Ativa Corretora, Luciana Leocádio, apenas bancos menores, com perfis mais próximos ao do PanAmericano, devem sofrer influência dos rumores da falência da instituição de Silvio Santos:

– É natural que os outros bancos médios fiquem de olho até terem a clareza do que de fato aconteceu com o PanAmericano. Os bancos com uma característica similar tentem a ser penalizados. Mas as grandes instituições não devem ser contaminadas com a notícia – afirmou Luciana.

Ações do banco Panamericano caem 28%

Abertura dos negócios com as ações do banco foi adiada por mais de uma hora; Moody’s estuda rebaixamento

As ações do Banco Panamericano saíram às 12h13 de leilão já em forte queda e lideram a lista de maiores baixas do mercado. Às 15h51, o papel recuava 28,95%, cotado a R$ 4,81, ante queda de 0,81% do Ibovespa. A baixa das ações ocorre após o banco ter informado que receberá um aporte de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Após a notícia de ontem à noite do aporte no banco, o início dos negócios com as ações do Panamericano foi adiado em mais de uma hora na Bolsa. O leilão é um período em que a Bolsa apenas aceita o registro de ofertas de compra e venda dos papéis, mas não efetiva o negócio. Ele ocorre apenas para formar o preço de abertura da ação. Durante o leilão, a ação chegou a cair 40%, segundo a assessoria de imprensa.

Entre os maiores vendedores da ação no pregão de hoje, aparecem o BES Securities, a Interflot e o Credit Suisse, segundo dados do AE Broadcast.

Após a notícia, a agência de classificação de risco Moody’s colocou em revisão para possível rebaixamento todas as classificações de risco (ratings) do banco. A Moody’s atribui a decisão ao rápido declínio de valor de mercado do banco nos últimos dias e ao anúncio de ontem de injeção de R$ 2,5 bilhões.

Durante a tarde desta quarta-feira, a corretora Planner também soltou um relatório em que colocou a recomendação e o preço-justo da ação em revisão. “Buscaremos maiores informações principalmente da qualidade dos ativos do banco e do futuro das suas operações dada à magnitude do aporte”, disse o analista Victor Martins, em relatório. A corretora recomenda cautela aos investidores e desaconselha investimentos no curto prazo.

Bancos médios

As ações dos bancos médios também operam em forte queda. No horário, BicBanco recuava 4,23%, ABC tinha queda de 3,16%, Daycoval caía 3,23%, Sofisa tinha desvolarização de 4,81% e Cruzeiro do Sul -2,64%. Também operam em queda Pine (-3,82%) e Paraná Banco (-5,67%).

Nesta manhã, o Banco Central divulgou comunicado em que aprova a indicação de novos diretores para o Banco Panamericano. A troca da diretoria faz parte da solução encontrada pelo Grupo Silvio Santos, controlador da instituição, em conjunto com o sócio minoritário Caixa Econômica Federal e o próprio BC. De acordo com o comunicado foram aprovados os nomes de Celso Antunes da Costa, Celso Zanin, Raphael Rezende Neto, Mario Ferreira Neto, José Alfredo Lattaro, José Henrique Marques da Cruz, Eliel Teixeira de Almeida e Ivan Dumont Silva.

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