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Los Angeles: Todo mundo é uma estrela!

De todas as grandes cidades americanas, a mais controvertida, a mais amada e a mais repudiada, nas mesmas proporções, é Los Angeles. O jornalista H.L. Mencken a definiu como “19 subúrbios à procura de uma metrópole”. O também jornalista Norman Mailer disse: “É uma constelação de plástico”. Talvez ambos estejam certos e errados.

Uma espécie de Nova York ensolarada, milionária e irresponsável, LA faz sucesso exatamente por ser difícil de enquadrar. Confusa, caótica, fascinante, ela está passando por uma plástica radical em busca de um adjetivo ao qual não costumava estar associada: humana. Por toda parte há sinais desse ressurgimento. Há menos espaço para os automóveis e mais para as pessoas. Até as icônicas pilastras coloridas à porta do LAX, como é conhecido o aeroporto local, notaram a diferença. A Los Angeles versão 2.0 quer estar em sintonia com os novos tempos. O luxo esbanjador-narcisista, por causa da crise que se abateu sobre os Estados Unidos, foi trocado por um perfil mezzo chic-despojado, mezzo hippie californiano. Até as freeways, marcas registradas que ainda estão no mesmo lugar para quem curte engarrafamento sem direito a vista, cederam espaço ao tráfego infinitamente mais interessante das ruas com gente, comércio e vida. A estratégia é privilegiar o transporte coletivo. Gente que nunca se viu e sempre se ignorou agora se cumprimenta em moderníssimos e agradáveis ônibus ecológicos que circulam em uma cidade onde o sol comparece 300 dias por ano.

Por que não foi sempre assim? Talvez por causa do traçado esquizofrênico da cidade, fundada em 1781, a segunda em tamanho e a primeira em população dos EUA, com mais de 10 milhões de habitantes. A melhor imagem que a define é a de um polvo em que LA é a cabeça e as 88 cidades em volta, seus tentáculos. Por isso, quando as autoridades ligaram os pontos com autoestradas todos aplaudiram. Só que esses atalhos isolaram o centro, o Downtown. E cidade que se preza não pode ignorar o centro. O fato é que isso acabou. Se quiser, culpe o preço do petróleo, a poluição, o trânsito, a solidão. Los Angeles está integrada.

Em LA tudo se improvisa. Cada quadra reserva uma surpresa. Pode refletir a cultura de um bairro coreano, judeu, russo, chinês ou japonês. Para quem curte cinema, lembra um arsenal de cenários. Um bom passatempo é identificar um prédio, um cantinho que já serviu de pano de fundo para algum filme. Basta olhar para cima da recepção do clássico hotel Biltmore, onde a cerimônia do Oscar começou há mais de 80 anos, para reconhecer o teto que desabou no Poseidon, aquele navio que virou do avesso por causa de uma onda gigante (alguém ainda se lembra disso?). E essa é apenas uma das 170 cenas de longas-metragens e das 243 de séries de TV realizados nesse mesmo edifício nos últimos 30 anos. Tem também o fotogênico edifício Bradbury, construído em 1893, até hoje um dos endereços de negócios mais prestigiados.

A proximidade com os estúdios tornam Los Angeles um candidato permanente às lentes. As chances de um visitante testemunhar ou até se tornar personagem de um filme, novela ou anúncio são imensas. Ou quem sabe fotografar um astro que leva o cachorro a passear ou os filhos a comprar balas no supermercado.

Downtown é o grande símbolo dos novos tempos. Antigas avenidas e imponentes prédios estão gradualmente deixando para trás um ambiente tipo Gotham City para se transformar em uma Disneylândia de adultos. A cada dia surgem restaurantes e nightclubs.

Resgatar e curtir o centro se tornou uma paixão para os moradores. O projeto LA Live, investimento de 2,5 bilhões de dólares em um complexo de esportes e entretenimento, trouxe um ar diferente à região. A intenção é criar ali uma Times Square do oeste.

Os sinais de revitalização são visíveis. Das ruas limpas e agradáveis de caminhar e dos velhos hotéis agora reformados e cheios de turistas até um sistema de metrô leva o passageiro do centro ao coração de Hollywood em apenas 20 minutos, tudo mudou para melhor.

Com iluminação intensa, como complemento ao centro de convenções e ao estádio Staples, já existentes no local, surgiu o Nokia Theatre, com 7100 assentos, que passou a abrigar, entre outros eventos, a entrega do Prêmio Emmy e o Museu do Grammy.

Como prova de que a cidade quer mesmo que o visitante ande a pé, há rotas preestabelecidas que incluem a área cultural, com uma das maiores catedrais do mundo, perto da Grand Avenue, onde está o Centro Musical, com vários teatros importantes, entre eles o Dorothy Chandler Pavillion e o Walt Disney Concert Hall. Mais adiante fica o Museu de Arte Contemporânea, o MoCA, com 5 mil obras. No entorno, mais museus, como o de arte Lacma e o de artesanato Cafam, complementam um sítio arqueológico, o La Brea Tar Pits. Há ainda a área do parque de exposições, que inclui museus como o de História Natural, o California Science Center, o de cultura afro-americana, além de, bem pertinho, o Coliseu, que abrigou as Olimpíadas de 1932 e 1984. Mas não dá para ignorar o Farmer’s Market, o histórico mercado da cidade, e, logo a seguir, o The Grove, um sofisticado shopping center em espaço aberto que homenageia a Los Angeles da década de 1920.

Mas Los Angeles só existe com seu contorno glamouroso. Dá para escolher entre a sofisticação das compras de Rodeo Drive e as residências elegantes de Beverly Hills. Ou entre as praias badaladas e a vizinhança divertida de Santa Monica, com seu píer, e as calçadas cheias de gente exótica da praia de Venice. Para quem curte casas milionárias de astros do cinema e da TV, Malibu é um prato cheio. E, claro, há os estúdios de Hollywood e das cidades próximas, além dos parques temáticos da Universal e da pioneira Disney entre tantos outros.

Uma área menos conhecida, para alguns a joia da coroa, é West Hollywood. Apesar do nome, do território pequeno e do fato de estar cravado no meio de Los Angeles, é outra cidade. O turista se distrai um segundo e de repente está lá dentro, e num piscar de olhos sai de novo dali. Considerado o berço do entretenimento dos Estados Unidos, cada quadrilátero é uma surpresa. Bem perto do local, um pedaço refinado com butiques e restaurantes discretos de vidros escuros e cercas vivas protegem o anonimato de famosos. Pode-se ver o design arrojado distribuído pela Melrose Avenue e pela Robertson Boulevard e a imponente construção do Pacific Design Center, por onde passa tudo que há de relevante em moda design.

Sem perceber, a gente sai de West Hollywood e encontra o Hollywood & Highland Center que é um santuário de turistas numa região repleta de atrações, como o famoso Chinese Theatre, um clássico cinema que inventou o tapete vermelho, com um pátio onde foram registrados mãos, pés e até patas de grandes estrelas do cinema – homens e bichos em igualdade de condições. Lá fora, a Calçada da Fama, as estrelas douradas encravadas no piso com nomes de artistas renomados que pagaram eles próprios uma taxa pela vaga e também para garantir que suas estrelas sejam lustradas diariamente. Na frente, o museu de Hollywood (que funciona no histórico prédio da Max Factor) está repleto de figurinos de artistas que um dia mandaram no lugar. Logo a seguir, há dois prédios famosos: o grandioso teatro-cinema em forma de castelo El Captain, recentemente reformado pela Disney, e o Christie Hotel, que causou furor na inauguração, em 1922, pois tinha banheiro em cada quarto, e hoje é sede da Cientologia, seita que tem seguidores como Tom Cruise e John Travolta. E, claro, tudo isso é ancorado pelo Kodak Theatre, um conjunto que, além de sede oficial da cerimônia do Oscar, é point, shopping center, local de partida de tours e conta com um pátio cercado de restaurantes que oferecem shows de artistas como Mariah Carey. Em Hollywood, até mesmo um cachorro-quente ganha fama mundial. Ou como explicar as filas eternas do Pink’s Hot Dogs, logo ali na Melrose Avenue? Só mesmo em LA.

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