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ESPECIAL BRASIL: A repercussão das manifestações do Brasil na Flórida

Especial, Especial 1 — By on July 2, 2013 at 1:13 pm

LAINE FURTADO | laine@linhaaberta.com

Líderes locais falam da situação política, social e ecônomica do Brasil

Os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus nas principais capitais brasileiras ganharam as manchetes dos principais jornais internacionais. O movimento se deve a um “somatório de insatisfações”, que, além do reajuste de tarifas sem melhora no transporte público, inclui a alta do preço dos alimentos, inflação generalizada, corrupção e, também, os gastos com a Copa. As manifestações tomaram corpo, se transformando no maior movimento popular da história do Brasil.

Fora do Brasil a repercussão tem sido grande, não somente em relação às manifestações de rua do Brasil, o que lembra em muito o movimento Diretas Já, mas também a oportunidade de fazer uma análise mais profunda da situação política, econômica e social brasileira durante os governos Lula e Dilma. Brasileiros que vivem em Tóquio (Japão), Toronto e Montreal (Canadá), Washington e Miami (Estados Unidos), Londres (Reino Unido) e Lisboa (Portugal) saíram às ruas com cartazes em favor das reivindicações. Em Tóquio, brasileiros usam as redes sociais para convocar protestos em apoio às manifestações no Brasil.

No Canadá, brasileiros prostetaram em Montreal, com mais de 100 participanttes  protestando no Westmount Square, onde fica o Consulado-Geral do Brasil,  e Toronto, que chegou a reunir cerca de 500 pessoas no Ato de Toronto, que aconteceu em frente à Câmara Municipal da cidade.

Nos Estados Unidos, as comunidades brasileiras saíram às ruas em Washington, Boston e Miami, com cartazes em apoio aos protestos e concentraram-se nas entradas principais do Consulado-Geral do Brasil. Nos cartazes, havia frases como: “Desculpe-nos o transtorno – estamos mudando o Brasil (de qualquer lugar do mundo)”, “Nós estamos em todos os lugares”.

Em Miami, os brasileiros ocuparam o Bayside, no centro da cidade, onde mais de 400 pessoas estiveram presentes ao protesto, carregando places como  “Miami apoia o Brasil”, “O gigante acaba de despertar” e “Mamãe não se preocupe, estou mudando o Brasil!”, tudo em busca de um Brasil mais justo. Houve ainda protestos em Londres e em Lisboa em apoio às manifestações no Brasil.

A repercussão no Brasil e internacional destas manifestações tem desbravamentos super importantes para o país, que hoje tem sido conhecido como um dos grandes na Améca Latina. E nesta reportagem da Linha Aberta estamos ouvindo líderes locais sobre o que realmente significam estas manifestações de rua no Brasil e sobre a situação política, social e econômica do país.

Para o embaixador Helio Vitor Ramos Filho, cônsul geral do Brasil em Miami, as manifestações no Brasil mostram  que este movimento é crítico à gestão do Brasil.  “O que estamos vivendo hoje no Brasil é um momento de comprovação da vitalidade da nossa democracia, das nossas instituições, de que o Brasil embora  jovem, já é um país que pode indicar ao mundo que a sociedade brasileira está pronta para defender os seus interesses.  A sociedade está insatisfeita e quer o que há de melhor para o Brasil e para sua família. Creio que não há ninguém no Brasil que não queira um país mais justo, com uma melhor distribuição de renda e sem violência”.

 “Com tanta riqueza e tanto potencial, está na hora da gente parar de pensar que nós somos do futuro. Nós temos que ser do presente e para sermos do presente, precisamos que a sociedade participe, e ela está participando, está despertando para certas insatisfações que existem e que estava na hora de protestar. Os brasileiros estão mostrando que a gente pode protestar de forma pacífica, apesar de sabermos que tem havido alguns eventos de violência, o que é praticamente inevitável.”  O Embaixador disse que a manisfestação que aconteceu em Miami, e reuniou cerca de 300 pessoas, foi pacífica e representative da comunidade brasileira na Flórida em relação às manifestações no Brasil.

Carlo Barbieri, presidente do Brazil Club, disse que esta é a primeira manifestação pública espontânea nos últimos 20 anos. “Não há donos nem beneficiados. O que está havendo é a explosão da insatisfação do brasileiro com a corrupção generalizada, a falta de vergonha dos políticos e a farsa transmitida pelas TVs controladas pelo governo federal  de que no Brasil tudo vai bem”. Barbieri acredita que a população foi acumulando uma revolta, uma insatisfação que explodiu por um motivo pequeno: $0.20. “Como diziam alguns cartazes: Não temos dinheiro para nossos hospitais, mas temos para gastar bilhões em estádio. Circo é bom mas hoje os sites sociais tem sua importância. Como não temos dinheiro para nossos hospitais terem gaze e mandamos $25 milhões para um hospital na palestina?”

Barbieri explica que vários questionamentos podem ser feitos sobre o Brasil hoje. “Como nossos portos estão sucateados e mandamos quase um bilhão para fazer um porto em Cuba? Qual a origem dos $25 milhões que a namorada do Lula levou em cash para depositar em Portugal. Por que o Brasil doa ou perdoa bilhões de dólares para outros países e não tem como ajudar as escolas públicas em sua degradação absoluta?” Ele explica que mesmo que a mídia televisada esconda muitos destes dados a internet expõe.

Ele faz uma análise crítica das manifestações de rua. “Claro que há arruaceiros, depredadores, assaltantes, vândalos, se aproveitando desta revolta, destruindo e saqueando. Mas, são poucos se considerarmos as centenas de milhares que foram as ruas. A população se dá conta que o conto de fadas está acabando, e não quer mais sustentar os políticos a sua dívida pessoal. A inflação começa a pesar no bolso dos menos favorecidos e eles se dão conta, que estão ganhando menos e não tem como pagar o que foram estimulados a comprar”. O empresário explica que, por mais que nos últimos 10 anos as lideranças procuraram corromper a moral e a ética da população, e o conseguiram, quando o bolso está cheio ou quando as burras começam a esvaziar, alguns valores afloram novamente. Estas manifestações surpreenderam no só no Brasil como fora dele.

Para Barbieri, a repercussão destes fatos tem sido forte também em termos econômicos. Os investidores que já estavam preocupados com as magicas tropicais para o acerto das contas públicas e já estavam pondo um pé no freio, agora colocaram os dois até verem como fica. Reuniões de emergência em entidades de classe e bancos, aqui nos EUA estão acontecendo. “O Brasil está realmente se levantado, mas não sabemos se se trata de sonambulismo ou está mesmo acordando. Menos podemos dizer sobre as consequências”.

Para Urbano Santos, presidente do Centro Comunitário Brasileiro, esse é um momento memorável. “Nós estamos transbordando de alegria. O povo encontrou uma forma pacífica e consistente de participar do processo político, que ao meu ver vai dividir a história do Brasil entre antes e depois da Copa das Confederações e principalmente da Copa do Mundo de 2014 no Brasil”. Ele disse que talvez todos pensem que os motivos sejam as passagens de ônibus, estadios, violência, etc., mas, o que vai acontecer  é um aprofundamento na conscientização de cidadania, que iniciará um processo irreversível no sistema político brasileiro, refletindo na área cultural e em todos os setores da sociedade. Como presidente do CCB, “penso que o protesto de nossa comunidade começou no dia em que resolveu imigrar para a América, lugar onde se respeita e promove o exercício da cidadania”.

Segundo Aloysio Vasconcellos, as manifestações no Brasil demonstram que o povo brasileiro, em todos  seus níveis, está cansado e saturado de arranjos, acertos, corrupção e impunidade concedida aqueles que desses mal-feitos se beneficiam.

Também deixa claro que o povo, provavelmente impulsionado por uma nova classe media, lúcida e consciente, exige participação ativa e voz nas decisões políticas, visando uma mudança de prioridades. “Cidadania é a raiz do movimento. Os partidos políticos, frágeis ideologicamente e comprometidos com o que há de pior na sociedade brasileira, não cumprem seus papéis”, assegurou.

Aloysio também ressalta que o evento Copa Mundo deixa clara a inversão de valores, já que bilhões de Reais estão sendo gastos, trazendo benefícios direto a grandes grupos, enquanto educação e saúde são relegados a um plano inferior. “A tentativa de subverter a ordem constituída, através de alterações legislativas que coibem a participação ativa e direta do Ministério Público, além das tentativas de livrar das penalidades os perpetradores do mensalão, somente acirraram os ânimos e fizeram eclodir um maravilhoso movimento político que muitos não achavam possível acontecer no Brasil”, finalizou.

Com informações do JB, O Globo,  Revista Exame, Jornal Brasiliense e outros sites de notícias brasileiros.

 

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