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Gabrielle Chanel Fashion Manifesto

Texto de LAINE FURTADO
@fashionandtravelreporter

A RETROSPECTIVA SOBRE VIDA E ARTE DE COCO CHANEL FICA ABERTA AO PÚBLICO ATÉ 31 DE MARÇO DE 2021, NO RECÉM-REFORMADO PALAIS GALLIERA DE PARIS

Depois de uma renovação de dois anos, o Palais Galliera em Paris reabriu suas portas no dia 1º de outubro com uma retrospectiva altamente anteci­pada da estilista Gabrielle Chanel (1883-1971). Um ícone da moda moderna, Chanel revolucionou uma indústria predominantemente masculina com seu manifesto de moda. A primeira parte da exposição é cronológica, contando os primórdios da Chanel com algumas peças emblemáticas, incluindo o pro­tótipo do sapato slingback bicolor criado em 1961 e que continua até hoje como modelo icônico e disponível para compra em modelos revisitados pelos estilistas da marca. A jornada segue o desenvolvimento do estilo único de Chanel, desde os vestidos pretos e modelos esportivos dos loucos anos 20 aos vestidos sofisticados dos anos 1930 e a famosa marinière de 1916, uma blusa de marinheiro, em Jersey. Uma sala é inteiramente dedicada ao perfume icônico da Chanel, N ° 5, criado há quase 100 anos em 1921.

TAILOR, 1927–1929
TWEED DE LÃ SALPICADO DE MARROM E BRANCIO
PARIS, PATRIMONIO DE CHANEL
FOTO © JULIEN T. HAMON / DIVULGAÇÃO DO PALAIS GALLIERA

PROTÓTIPO DO SAPATO SLINGBACK BICOLOR
DESENHADO POR CHANEL E FABRICADO POR MASSARO, 1961
PARIS, PATRIMOINE DE CHANEL
FOTO: © JULIEN T. HAMON / DIVULGAÇÃO PALAIS GALLIERA

PARFUM NO. 5, 1921
VIDRO, CORDÃO DE ALGODÃO PRETO
LACRE DE CERA PRETA,
PAPEL IMPRESSO
PARIS, PATRIMOINE DE CHANEL
FOTO © JULIEN T. HAMON
DIVULGAÇÃO PALAIS GALLIERA

Práticas e ao mesmo tempo elegantes, as roupas da Chanel inspiraram-se no sportswear e emprestaram alguns dos códigos da elegância masculina e feminina. Pegando técnicas e materiais até então inéditos no mundo da alta costura, ela asso­ciava o lugar-comum ao luxo, usava tecidos comuns como Jersey ou Tweed para criar roupas de aparência casual cujos cortes e proporções exalavam requinte e distinção. Com este equilíbrio, Chanel criou um estilo instantaneamente reconhecível.

A mostra é curada em dez capítulos, acom­panhados por dez retratos, que mostram até que ponto a própria couturière foi a perso­nificação de sua marca. Durante a guerra, o negócio da Chanel foi forçado a fechar, os únicos itens que permaneceram à venda na boutique principal da marca na 31 rue Cambon foram perfumes e acessórios.

Quando o mundo da moda viu a chegada de Christian Dior e seu New Look – o estilo com espartilho ao qual ela tanto se opôs – Gabrielle Chanel reagiu voltando à alta­-costura em 1954, quando já estava na casa dos setenta. Indo contra a tendência, Chanel reafirmou seu manifesto de moda para se posicionar contra a moda da época.

UM MANIFESTO DE SUA VISÃO DA MULHER MODERNA

A extrema simplicidade do tailleur de Cha­nel era o epítome dos princípios orientado­res que a tornaram tão única e tão bem­-sucedida. Cada aspecto da sua construção foi pensado com respeito pela anatomia feminina, equilíbrio perfeito da silhueta e um conceito de elegância que aliava simpli­cidade e naturalidade.

A precisão e o refinamento da jaqueta Chanel e do terno com saia se tornaram a personificação da liberdade. A jaqueta era tão macia que parecia mais uma espécie de cardigã. A saia, ao invés de ficar na cintura, ficava apoiada na parte superior dos quadris, ligeiramente inclinada para trás e com comprimento abaixo do joelho, tornando-a confortável, móvel e permi­tindo total liberdade de movimentos. Os acabamentos, em cores contrastantes, que também fizeram parte da sua singularida­de, acentuaram e estruturaram visualmen­te a silhueta, mantendo-a flexível.

Outros ícones, como a bolsa 2.55 e os escarpins bege e preto solidificaram a visão da Chanel dos acessórios como um elemento essencial de uma silhueta har­moniosa. Eles também refletiam sua visão pragmática da moda e, ao mesmo tempo, contribuíam para a codificação e a unidade de seu estilo.

UM ÍCONE DA MODA FRANCESA

FRANÇOIS KOLLAR PARA HARPER’S BAZAAR. “COCO” CHANEL EM SEUAPARTAMENTO NO RITZ.
FOTO: FRANÇOIS KOLLAR / © MINISTÉRIO DA CULTURA – BIBLIOTECA MULTIMÍDIA DE
ARQUITETURA E PATRIMÔNIO, DIST. RMN-GRAND PALAIS / DIVULGAÇÃO PALAIS GALLIERA

A exposição, intitulada “Gabrielle Chanel. Fashion Manifesto” cobre uma área de cerca de 1.500 m2 – incluindo as galerias subterrâneas recém-inauguradas. Com mais de 350 peças das coleções do Palais Galliera e Patrimoine de Chanel, a expo­sição apresenta peças emprestadas de museus internacionais, incluindo o Victoria & Albert Museum em Londres, o De Young Museum em San Francisco, o Museo de la Moda em Santiago do Chile e o MoMu em Antuérpia.

“Graças ao inestimável apoio da Maison Chanel, a história da moda, a excelência da alta costura francesa, o know-how e a criação terão agora uma base prestigiosa nestes novos quartos dos quais o Palais Galliera se orgulhará,” Olivier Saillard, ex-diretor do museu, disse no início da reforma.

O Palais Galliera tem uma das maiores coleções de moda do século 18 do mundo, abrigando mais de 30.000 peças de vestuá­rio, 35.000 acessórios e 85.000 fotografias e documentos de arte gráfica. A retrospec­tiva de Gabrielle Chanel será exibida até 14 de março de 2021. Vale a pena a visita.

2.55 FLAP BAG 1955–1971
PELE DE CARNEIRO ACOLCHOADA
TINGIDA DE PRETO,
METAL BANHADO A OURO,
FECHO DE TORÇÃO
PARIS, PATRIMOINE DE CHANEL
FOTO: © JULIEN T. HAMON
DIVULGAÇÃO PALAIS GALLIERA

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