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Dr. Roberto Zeballos – Médico alerta sobre os perigos do Coronavírus e dá dicas para prevenção da doença

ENTREVISTA DE @LAINEFURTADO

Roberto Zeballos é clínico geral, imunologista e alergista, formado pela Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 1986. Sócio-fundador emérito da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Dr. Zeballos é mestre e doutor em Imunologia pela Unifesp e Scripps Clinic and Reasearch Foundation (La Jolla – CA, EUA), respectivamente. Publicou vários trabalhos em revistas especializadas internacionais e ministroupalestras para médicos e estudantes de medicina nos Estados Unidos e no México, além de partici­par diretamente do treinamento dos residentes do Green Hospital (La Jolla – CA, EUA -1991 -1993). Dedica-se aos seus pacientes no consultório e nos hospitais Vila Nova Star, Sirio Libanês e Albert Einstein. Em 2010 publicou o livro intitulado “Desejo, Logo Realizo”. Recentemente foi um dos pioneiros do mundo ocidental a entender o mecanismo da COVID19 e com sucesso através do corticoide tratar seus pacientes. Controlou o colapso da cidade de Belém do Pará com estratégia inédita adaptada para uso oral com extrema eficácia. Nesta entrevista ele conta seu ponto de vista médico sobre a Covid 19.

LINHA ABERTA: Como o senhor vê a contaminação por coronavírus no Brasil, EUA e no mundo?

ROBERTO ZEBALLOS: É a primeira vez que lidamos com um VÍRUS global com alta capacidade de disseminação que só perde para o Sarampo neste critério. Fizeram previsões catas­tróficas para o Brasil, com cálculos matemáticos que previam um milhão de fatalidades em Agosto. Este número no final de Outubro 157 mil mortes. Muito triste e irreparável o dano aos parentes destas vítimas. Mas graças a Deus erraram longe. Quando comparamos o número de fatalidades por milhão de habitantes, o Brasil e USA estão longe dos Países com maior número de fatalidades. Outro fato importante mencionar, é que dentre estas 157 mil fatalidades no Brasil, um fração substancial morreu COM COVID 19 e não DE COVID 19. Isto fica fácil de entender quando constatamos que todas as outras co­morbidades diminuíram drasticamen­te este ano. As pneumonias outras, infartos, câncer, etc, simplesmente desapareceram.

Outro fator decisivo no agrava­mento das consequências negativas desta pandemia, foi o PÂNICO gerado na humanidade pela interpretação inadequada dos fatos. Não podemos esquecer que 85% dos casos evoluem bem sem tratamento, 10 % com trata­mento leve e apenas 5% com condição crítica. Principal problema deste vírus no começo da pandemia era o alto risco de muitos casos simultâneos com a sobrecarga do sistema de saúde gerando carência de hospitais para outras comorbidades importantes. Daí o isolamento inicial, com a única finalidade de preparação da estrutura de saude com minimização de colap­so. Foi apenas para minimiza a exposição em um primeiro momento e nunca para impedir a exposição, pois, caso contrário a epidemia não acabaria nunca. Quando introduzi o corticóide no mundo ocidental muito próximo ao protocolo de MADRID e ao de Bergamo, o jogo contra esta doença mudou, as intubaçõess e as fa­talidades reduziram drasticamente. Hoje a maior causa de fatalidade é o tratamen­to tardio.

Após 8 meses de pandemia apren­demos muitas coisas boas:

  1. Nem todos são sucetíveis a doença, isto ficou fácil de constatar aqui na capital paulistana. Milhões de habitates da perife­ria não fizeram qualquer isolamento por limitação de espaço em suas moradias. Apesar disso os hospitais de campanha ficaram ociosos e hoje estão fechados. Nestas classes sociais a pandemia se transformou para um comportamento endêmico e estável.
  2. Aprendemos a tratar esta doença: Tive a sorte de entender o mecanismo da doença desde o meu primeiro caso no dia 20 de Março quando meu colega Marcelo Amato trouxe um artigo chinês publica­do no JAMA. Mostrava que o corticóide diminuia a mortalidade. Estava com um paciente pré-tubo, que após o tratamento resolveu a doença em 5 dias. Com isto entendi o mecanismo da doença. O que colocava a vida em risco não era o vírus, mas a resposta exagerada frente ao vírus de uma minoria. A partir deste caso saí espalhando o poder do corticóide para os quatro cantos do mundo. Todos os meus casos saiam bem e ficava cada vez mais confiante apesar das críticas de vários colegas que com o tempo foram obrigados a se renderem às evidências e aos estudos. Muitos foram curados com esta estratégia antes mesmo do estudo de OXFORD que documentou a minha tese. Hoje o mundo já está colhendo os frutos deste tratamen­to, e apesar da segunda onda na Europa, o número de fatalidades é mínimo.
  3. Depois do milagre do PARÁ (controla­mos o colapso de Belém com medicação oral diante da falta de leitos hospitalares), aprendemos tratar a grande maioria na residência com vigilância intensa e com medicação oral. Esta estratégia é de nossa criação e só se faz aqui no Brasil.
  4. Aprendemos que o isolamento pro­longado traz pouco ou quase nenhum beneficio na disseminação, trazendo con­sequências psicológicas terríveis, retarda o desenvolvimento das crianças, agrava as outras comorbidades na residência, além do dano à econômia com consequências outras imensuráveis.

Hoje com o tratamento e a diminuição drástica da fatalidade, tornou sem sentido o isolamento social assim como a pressa para elaborar a vacina.

LINHA ABERTA: Em relação às pesqui­sas em busca de uma vacina, qual a real expectativa de termos uma vacina eficaz? E o perigo da contra indicações (side effects)?

ROBERTO ZEBALLOS: Quando entende­mos o mecanismo da doença, constata­mos que o que coloca a vida em risco é a resposta do sistema imunológico frente ao vírus. Logo precisamos ter cuidado e cri­tério com este estímulo. Pois existe o risco de gerar a doença inflamatória pulmonar. Já tivemos uma experiência desastrosa com a vacina contra Dengue que não deu certo. Neste momento com baixos índices de fatalidade, será que devemos ter pressa para liberar uma vacina? Esperaria uma boa margem de segurança antes de libe­rar qualquer vacina.

LINHA ABERTA: Qual o protocolo que devemos usar hoje nas pessoas que foram diagnósticas com a covid 19?

ROBERTO ZEBALLOS: Tratamento é indi­vidual sempre. Porem devemos acolher o paciente logo nos primeiros sintomas. No início existem algumas opções terapêuti­cas ainda sem unanimidade, porém pelo baixo risco de malefício e por isso acho valido sua utilização. Mas a unanimidade que temos se encontra no corticóide e na anticoagulaçãoo. Estas medicações só devem ser administradas após a replica­ção viral na segunda fase da doença (no sétimo dia dos sintomas se a tomografia de tórax revelar lesão viral). Nesta a mo­dulação da inflamação com o corticóide é fundamental e resolutiva. NUNCA se trata com corticóide na primeira fase da doença, pois pode inibir a elaboração da resposta imune competente.

LINHA ABERTA: Fale sobre as fases da doença.

ROBERTO ZEBALLOS: Primeira fase de replicado viral quando o sistema imunoló­gico desenvolve a resposta imunocompe­tente. Segunda fase quando ocorre a infla­mação da doença com comprometimento pulmonar em 5 % dos casos. Terceira fase com doença sistêmica que ocorre quando não tratamos adequadamente a fase II.

LINHA ABERTA: Podemos tomar medicamentos que aumentam nosso sistema imunológico? Tem muita gente tomando ivermectina por conta própria. O que você tem a falar sobre isso?

ROBERTO ZEBALLOS: O que mais melhora o sistema imunológico é o estado de espírito, exercícios físicos moderados, com uma boa alimentação e um sono repara­dor. Por isso temos que sempre procurar fazer mais vezes aquilo que gostamos. E relaxar bastante na hora de dormir.

LINHA ABERTA: Por quanto tempo podemos ainda viver com medo do contágio?

ROBERTO ZEBALLOS: Os números de fatalidades estão diminuindo no planeta, aprendemos a tratar. O índice de fatali­dade se mostrou baixíssimo hoje. O tempo com a queda do número de fatalidades fará automaticamente o medo desapa­recer. No Pará isto ja ocorre. O problema que ainda hoje é que as manchetes da midia são sempre geradoras de pânico. Isto atrapalha e é um desserviço.

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