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Reino Unido vai suspender acordo de extradição com Hong Kong

OUTROS PAÍSES DENVOLVIDOS, COMO AUSTRÁLIA E CANADÁ, TAMBÉM JÁ SUSPENDERAM O PACTO, QUE HAVIA SIDO FIRMADO EM 1997 COM PEQUIM

O Reino Unido vai suspender o acor­do de extradição que mantém com Hong Kong como mais uma forma de retaliar a China pela aprovação da polêmica lei na­cional de segurança, confirmou o premier Boris Johnson. Com isso, os britânicos se negarão a enviar para o território semiau­tônomo qualquer pessoa considerada fugitiva ou procurada pelo governo chinês. O acordo havia sido firmado em 1997 com Pequim e também envolve Austrália e Canadá – que já suspenderam o pacto. Para entrar em vigor, a medida precisa ser apresentada pelo governo para a Câma­ra dos Comuns, que é quem tem a palavra final sobre o tema.

“Eu não pretendo ser acusado de ser sinofóbico por um reflexo condi­cionado, automaticamente antichinês. Mas, precisamos responder a algumas graves preocupações […] sobre o que está acontecendo em Hong Kong”, disse Johnson a jornalistas durante uma visita a uma escola.

Conforme anunciado, o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, se reu­niu com seu homólogo norte-americano, Mike Pompeo, em Agosto. O britânico foi encarregado pelo próprio premier de “divulgar uma revisão dos acordos sobre a extradição que reflita nossas preocupa­ções sobre a lei de segurança”.

Johnson ainda lembrou que, além das questões envolvendo Hong Kong, há uma crescente preocupação com a situação da minoria uigur em Xinjiang e as “violações de direitos humanos”.

Essa é mais uma medida anunciada por Londres contra Pequim desde a imple­mentação da polêmica lei de segurança nacional no território, no dia 30 de junho. Antes da suspensão do acordo, os britâni­cos revisaram e ampliaram a concessão de vistos e o consequente processo de cidadania para aqueles que tem um pas­saporte para trabalho no Reino Unido.

Além disso, os britânicos excluíram a gigante chinesa Huawei da participação do desenvolvimento da tecnologia 5G no país. Pouco antes de Johnson confirmar a medida, a China havia dito que estava se opondo “com força” às medidas britâni­cas e que era para o governo não tomar a decisão de suspender o acordo para “não piorar as já desgastadas relações bilaterais”.

Segundo o novo porta-voz do Ministé­rio das Relações Exteriores, Wang Wenbin, se Londres continuar com a medida, “tomaremos ações robustas contra ações que interferem nos assuntos internos chine­ses. As recentes observações e medidas erradas do Reino Unido sobre Hong Kong estão ignorando os fatos de que a base da lei de segurança nacional contribui com a estabilidade e com o desenvolvimento de longo prazo do modelo ‘um país, dois sistemas’. Elas violam o direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, interferindo gravemente nos assuntos internos da China”, concluiu Wenbin.

A polêmica lei de segurança nacio­nal trata, entre outros pontos, de casos de subversão e secessão, terrorismo e permite a instalação de agências chinesas de segurança e inteligência que não se submetem ao poder local.

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