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Crianças bilíngues, como fazer para não perder a língua materna

Texto de Patricia Bernardon
@patricia.bernardon

Este ano irá fazer 4 anos que chegamos aqui nos Estados Unidos, minha filha mais velha estava com 3 anos e meio e tinha uma noção muito básica de inglês, assim como eu.

Hoje, com menos de quatro anos ela está totalmente fluente e adaptada com a cultura americana. O problema é que com a facilidade e as poucas variações da lín­gua inglesa ela acaba trocando algumas palavras ou conjugando os verbos em português incorretamente.

Definitivamente, criar um filho bilingue ou trilíngue como é o nosso caso não é uma tarefa fácil. Antes de explorar mais o tema vamos entender a diferença entre língua minoritária, que é a língua que a criança está menos exposta no dia a dia, e a ma­joritária, que é a língua predominante do lugar onde se vive, no caso aqui no Estados Unidos, o inglês.

Segundo especialistas algumas estratégias como o OPOL, “One Parent, One Langua­ge” pode ajudar a garantir que seu filho tenha uma experiência de sucesso sem ter que abrir mão da língua maternal, o que é mais comum do que as pessoas pensam.

Mas como isso funciona na pratica? O OPOL é mais aconselhado para pais de nacionalidades diferentes, ou que sejam fluentes em pelo menos duas línguas, por exemplo, no meu caso que sou brasilei­ra e meu esposo colombiano o método funcionou muito bem. Aplicamos as duas línguas minoritárias em casa, assim ela pratica português e espanhol, e na escola, naturalmente ela desenvolve sua fluência no inglês.

Para algumas crianças que já tem uma dificuldade natural com a dicção ou até com a comunicação o desafio para os pais pode ser ainda maior. Não comparar seu filho com outras crianças e entender que cada um tem um tempo diferente para desenvolver e aperfeiçoar a fala é muito importante, especialmente em crianças que convivem em um ambiente multilíngue. Não dê muita atenção ao que a professora fala em relação ao desen­volvimento do seu filho e sim ao que o especialista diz.

O problema é que com o tempo, as crianças vão deixando de ser crianças e o desafio de manter o português fluente vai ficando cada vez maior. Meu conselho é não desistir e manter a língua maternal ou um segundo idioma em tempo integral em casa. Conheço inúmeros casos de crianças que vieram pequenas para os Estados Unidos e pela falta de persistência dos pais hoje não conseguem se comunicar nem mesmo com a família que ficou no Brasil.

Não deixem os seus filhos perderem a língua materna, no futuro será bem mais difícil reaprender, o que certamente vai gerar uma frustração e até um sentimento de culpa por parte dos pais. Os bebês que já nascem aqui nos Estados Unidos e vão para a escola desde pequeninhos enfren­tam um problema maior ainda, deman­dando mais tempo e dedicação, afinal de contas, hoje seu filho pode ser bilíngue, amanhã não mais. Só depende de você.

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