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Relatório do FMI mostra que principal risco para a recuperação da economia dos EUA é retomada da Covid19

FMI INFORMA QUE A CRISE GERADA PELA PANDEMIA DO CORONAVÍRUS VAI AUMENTAR AINDA MAIS O GAP ENTRE AS CLASSES SOCIAIS

O Fundo Monetário Internacional alertou que uma retomada nos casos COVID-19 é o “principal risco” que a economia dos Estados Unidos enfrenta. O FMI previu uma contração de 37% na economia do país no segundo trimes­tre. A contração foi de 32%, o que de certa forma dá esperança de uma recuperação um pouco mais rápida.

Em seu relatório anual sobre a economia americano, conhecido como Artigo IV, o FMI alertou que, mesmo com apoio estatal sem prece­dentes, espera-se de 6,6% para 2020 em seu conjunto.

No relatório, os economistas des­tacaram “a incerteza” em torno desta previsão. Os Estados Unidos – o país com mais mortes por coronavírus, com mais de 689.000 mortes (até 31 de julho) – registram um aumento de casos no sul e oeste do território.

Estados densamente povoados, como Flórida, Geórgia, Texas e Califór­nia, tiveram que reimpor restrições para conter a disseminação.

A entidade multilateral afirmou que a recuperação “exigirá uma nova rodada de medidas fiscais nos próxi­mos meses para estimular a demanda, aumentar a preparação do setor de saúde e apoiar os mais vulneráveis”.

“Os Estados Unidos têm espaço fiscal e isso deve ser implantado rapida­mente para acelerar a recuperação após a contração do segundo trimes­tre”, afirmou o FMI em sua análise.

O FMI também alertou sobre a profundidade da contração na economia e que a distribuição setorial de perdas pode levar a um “aumento sistêmico da pobreza”.

Antes da pandemia, a taxa de pobreza na maior economia do mundo já era alta, e um relatório divulgado pelo Censo revelou que um em cada seis americanos não conseguiu pagar aluguel em junho.

O FMI observou que os custos eco­nômicos da crise estão sendo cobrados “desproporcionalmente” aos pobres, “ressaltando as profundas desigualda­des que há muito afetam” a economia dos EUA.

“O risco para o futuro é que uma grande porcentagem da população dos Estados Unidos sofra uma deterio­ração significativa em seus padrões de vida”, alertou o FMI, observando que esse processo pode enfraquecer a demanda e reforçar os obstáculos à recuperação.

O relatório também observou que a pandemia revelou algumas “defici­ências estruturais” no sistema de saúde dos EUA, onde os cuidados são frag­mentados, descentralizados e depen­dentes do empregador.

Entre suas recomendações, o FMI apontou que é importante apoiar os governos dos estados regionais e instou a melhorar as “oportunidades educa­cionais” e a aumentar os gastos nos primeiros anos de escolaridade.

O Fundo também alertou que a decisão de reabrir após o confinamen­to deve ser tratada com “cuidado”.

“Provavelmente levará muito tempo para reparar a economia e restaurar a atividade a níveis pré-pan­dêmicos”, alertou.

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