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Meu desenho faz parte da história do MAM, Museu de Arte Moderna, do Rio

TEXTO DE MIRIAM GRUNHAUS
@MIKAHFASHION

As pessoas querem ouvir / ler histórias verdadeiras de bem-estar que aquecem o coração e instilam esperança. Gostaria de compartilhar esta história com vocês. O assunto matéria foi publicada no jornal O Globo1 e no MAM.Rio2. Em 1978, o MAM.RIO foi incendiado3 e, com ele, todas as coleções e arquivos maravilhosos foram perdidos. Eu tinha 9 anos, fiquei arrasada com a perda. Este incendio me marcou por sua magnitude. Como uma criança pequena que adorava desenhar e colorir, eu sentia a dor de perder algo que nunca poderia ser substituído. Fui para o meu quarto e criei o que pen­sei ser uma obra-prima. Plastifiquei com celofane e fui até meu pai, que estava sentado em seu escritório cercado por seus livros, e lhe disse que fiz uma obra de arte para o museu “substituir” a perda.

Meu pai olhou para o meu trabalho artístico e me disse que era lindo, e que eu precisava adicionar uma carta para que pudéssemos enviá-la ao MAM. Eu perguntei ao meu pai como isso chegaria a eles, já que o museu não existia mais. Ele me disse para deixar essa parte com ele. Eu escrevi a carta e en­treguei com a arte para meu pai e para mim, esse foi o fim da história. Até eu receber uma carta do museu, dizendo-me como eles eram gratos e que minha arte seria enquadrada e estaria na exposição de crianças. Eles juraram reconstruir o museu. Fiquei empolgada, quando criança, nunca tinha recebido na minha vida. E o tempo passou.

Quando o 42º ano do incêndio do Museu se aproximou, eles revistaram os arquivos e encontraram a arte, a carta e a cópia da carta que enviaram me mandaram na época. Eles também conseguiram me encontrar e recebi uma ligação da publicitária do museu me perguntando sobre isso e se eles poderiam compartilhar a história. O Globo descobriu como a história se tornou viral e a publicou também. Mas a parte mais emocio­nante foi que o vídeo que fiz contando a história que foi enviado a muitos grupos do WhatsApp e muitas pessoas me contataram com lágrimas, emoções e mensagens emocionantes. Isto é o que esta história significa para mim.

  1. Meu amado pai, falecido há 9 meses, sempre acreditou em mim. Em uma época sem internet e recursos, ele encontrou uma maneira de enviar meu trabalho e carta ao museu. Ele não apenas botou minha pintura no lado. Uma lição para todos os pais.
  2. Com 9 anos de idade, eu tinha uma verdadeira paixão pelas artes e permaneci imersa no campo de arte. Trabalhei como designer de marketing gráfica por 25 anos e, nos últimos 5 anos, construí uma marca de moda em cerca de 100 lojas. A linha de moda é baseada na arte japonesa Kintsugi, focada em fazer as mulheres se sentirem bonitas, não apesar o que lhes aconteceu, mas por causa do que elas tiveram que passar pela vida. A marca é sobre cura e esperança.
  3. Fui criada por dois intelectuais muito acadêmi­cos que deram tremenda importância à cultura e às artes, sempre me levando a museus, balés, ópera em uma idade muito jovem e permitiram que a ar­tista em mim floresecesse, nunca dirigindo minha profissão, permitindo-me fazer minhas próprias escolhas e sempre me incentivando.
  4. Senti a presença de meu pai trazendo essa história à tona, sabendo muito bem que eu saberia que ele estava envolvido. Eu o senti dizendo que se orgulha de minhas realizações, minhas verdadeiras intenções, meu amor pelas pessoas e seu bem-estar.
  5. Plantamos sementes. Não sabemos quando colheremos os frutos do nosso trabalho. Nada do que fazemos é em vão. Não temos idéia de como afetamos os outros e devemos sempre agir com amor e bondade, integridade e ética e nos esforçar para ser a melhor versão de nós mesmos, independentemente da nossa idade. Espero que você ache esta história emocionante e veja o valor em compartilhar esse pequeno milagre com seus leitores.
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