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Livia Eberlin – Mulher, jovem, brasileira, imigrante – e “gênia”

TEXTO DE @LUCIANASAVIOLI

LINHA ABERTA: Qual é a contribuição mais nobre da ciência para a sociedade? E o maior desafio que ela enfrenta, hoje?

LIVIA EBERLIN: Ao meu ver, a maior contribui­ção são as descobertas e as tecnologias para beneficiar a Humanidade, os pacientes. O maior desafio, na minha opinião, é o financiamento destinado à ciência, à inovação e à tecnologia. Estamos vendo que em vários governos os investimentos tem sido limitados e claro que a gente se entristece. Parece uma desvalorização da ciência. E algo muito estressante, como pesquisadora e líder de laboratório, é conseguir verba para financiar projetos.

LINHA ABERTA: Com tanto destaque e tan­tas realizações, parece que você já chegou no topo, mesmo tão jovem. O que ainda pretende conquistar?

LIVIA EBERLIN: Foi maravilhoso o reconhe­cimento pelo desenvolvimento da MasSpec Pen mas um dispositivo médico, do momento em que você desenvolve até o impacto que ele gera no mundo, tem muita pesquisa pela frente. Apesar de ainda jovem, ainda tenho muitas descobertas a fazer. A MasSpec Pen tem também tem muitas outras aplicações e temos vontade de torná-la mais barata e mais portátil para ser um método de detecção de câncer em comunidades mais carentes, que precisam de um diagnóstico rápido.

LINHA ABERTA: Ser uma estrangeira – especialmente uma brasileira – te criou alguma barreira ou te ajudou na sua car­reira nos Estados Unidos? Há um estigma a ser vencido na sua área como em tantas outras?

LIVIA EBERLIN: Ser brasileira não ajudou, não. Com certeza há uma estigma gigante: a imagem de mulheres brasileiras, infelizmente, ainda é muito vinculada à aparência física e à sexualidade e tive que enfrentar isso também. Lembro de comentários sobre sermos bonitas, sobre o carnaval. Quebrar esse estereótipo é difícil e tive que focar na parte de produtivida­de e provar que nossos talentos são muito mais além desse estigma. Isso foi um incentivo para provar meu talento na área da ciência e da pesquisa. Nossa beleza é interna, nossa beleza é a inteligência também, e isso é o que eu quero continuar a mostrar, aqui e no Brasil.

LINHA ABERTA: Você pretende atuar em frentes sociais, no Brasil, para estimu­lar outros jovens para que tenham uma educação de qualidade e possam optar por trilhar esse mesmo caminho de sucesso dentro da área da ciência?

LIVIA EBERLIN: Tenho muitas aspirações na área social, para estimular e inspirar jovens. Sempre que posso, vou ao Brasil dar palestras, incentivando as pessoas, os alunos a desenvol­verem uma carreira científica. Minha paixão pelo Brasil é gigante, pelo nosso povo, pelos brasileiros que estão passando por tanta necessidade, em situações de miséria. Tenho muitos sonhos em ajudar nessa área: sonho em ter um orfanato no Brasil, com um laboratório de ciência e uma escola.

LINHA ABERTA: O que você diria para os jovens que estão começando agora – quais os principais elementos para uma carreira feliz e de sucesso?

LIVIA EBERLIN: ”Minha dica é identificar uma área de pesquisa que você ama muito. Ciência, a parte de pesquisa principalmente, tem muitos momentos de fracasso, experimentos que não dão certo, hipóteses que não são o que tínhamos pensado, muito momentos difíceis que precisam ser superados. Se você não tem aquela paixão, aquele estímulo pela sua carreira, é fácil perder o foco. Por isso, digo que é importante identificar uma coisa que te faça feliz, não só em ciência, em qualquer carreira: identifique seu propósito de vida e tente seguir isso da melhor forma que você puder.

JOGO RÁPIDO

• Um livro que te impactou: a Bíblia. É necessária na minha vida.

• Seu maior orgulho: Meus filhos:

Leah, Claire e Thomas. Parece mentira que eles são meus!

• Uma saudade do Brasil: Minha família. E coxinha, pastel….. comida!

• Uma paixão nos EUA: A sensação de segurança que a gente tem aqui.

• Uma personalidade que te inspira: Angelina Jolie. Eu amo o trabalho social que ela faz com a UNESCO, cuidando de comunidades carentes e  crianças refugiadas.

 

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