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Brasil x EUA – Conflito de poderes afasta investidor estrangeiro do Brasil

Texto de Késia Paos

Há um ano, o Brasil saiu da lista global dos 25 países mais confiáveis para se investir. Nesse período, diversos fatores como a pandemia, e agora mais recentemente, o esboço de um conflito político entre os Poderes no Brasil, suguem intensificando a atratividade negativa de investimentos estrangei­ros no país. A avaliação é do economista e analista político brasileiro, presidente da Oxford Group, Carlo Barbieri. Desde que “Índice Global de Confiança para Investimentos Estrangeiros” foi desenvolvido, em 1998, essa foi a primeira vez que o Brasil ficou de fora do levantamento feito e divulgado pela consultoria A.T.Kearney. Sem o Brasil, nenhum país da América do Sul apareceu no ranking. Para Carlo Barbieri, a exposição da articulação política entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no Brasil, deve piorar a confiabilidade do Brasil para atração de capital estrangeiro.

“Enquanto não houver uma clara divisão dos poderes em que o exe­cutivo executa, o legislativo legisla, e o judiciário julga, nós não consegui­remos transmitir uma imagem de segurança para o investidor estrangei­ro. Precisamos ter uma pauta de crescimento bem definida, e que traga a confiança dos investidores de fora. Harmonização dos Poderes no Brasil é fundamental para isso”, avalia o economista e analista político.

Para Barbieri, o Brasil precisa transmitir uma imagem de segurança institucional imediatamente. O economista defende a clara distinção en­tre os poderes da república para atrair a confiabilidade dos investidores externos. Segundo ele, o Brasil investe internamente aproximadamente 15% do seu PIB e precisa passar a investir 25% para realmente passar a ser considerado um país com crescimento econômico sustentável nos próximos anos. Investimentos estrangeiros podem ajudar nisso.

UM ANO APÓS DEIXAR O RANKING DE PAÍSES CONFIÁVEIS PARA INVESTIR, O BRASIL TENTA A RETOMADA DE POSIÇÕES DE ATRATIVIDADE AO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO, MAS SEGUE DISTANTE DE ALCANÇAR ESSA POSIÇÃO, É O QUE AVALIA O ECONOMISTA E ANALISTA POLÍTICO BRASILEIRO QUE ATUA HÁ MAIS DE 30 ANOS NO EUA, E PRESIDE DA CONSULTORIA OXFORD GROUP

É preciso que a ideologia seja afastada de decisões relevantes nos três poderes da república brasileira. O diálogo é fundamental para que o mundo veja a capacidade e inteligência do Brasil em gerir seus próprios processos. Ademais, é preciso tirar o peso das empresas estatais que foram criadas ao longo dos últimos anos para gerar cabides de emprego em detrimento do crescimento. Também aplicar uma pauta de reformas substan­ciais e investir no que se precisa” completa Barbieri.

UMA NOVA LÓGICA DE ATRAÇÃO COMERCIAL

O economista explica que o momen­to é mais que oportuno para a retomada econômica pós pandemia do Brasil frente a outros países. “O Brasil tem acesso ao maior mercado do mundo que importa mais de 3 trilhões de dólares por ano que é o Estados Unidos. Com isso, tem uma posição privilegiada para exportar os seus produtos para lá. Dando espaço não apenas para a indústria nacional passar a se desenvolver nesse mercado, como tam­bém para as empresas que estão saindo da China encontrarem no Brasil uma nova localização para seus negócios. O Governo brasileiro precisa agir agora”, defende Barbieri.

O economista que atua nos EUA há mais de 30 anos, defende que o Governo Brasileiro inicie a busca por uma atividade externa coerente, proativa, extremamente dinâmica que resultará na atração não apenas de capital, mas de tecnologia estrangeiros. Para Carlo Barbieri é urgente reforçar o Brasil dentro do mercado exte­rior, seja provendo alimentos agrícolas, ou produtos industrializados.

“O Brasil tem que adotar novas estratégias comerciais globais emergentes e assumir definitivamente a liderança, inicialmente pelo menos na América Latina. O país precisa passar por uma série de reformas internas, desburocratizar alguns sistemas e meios de crescimento, e deixar o dinheiro interno para ser investido realmente no progresso. Sobretudo, deve haver diálogo e maturidade dos chefes dos Poderes no Brasil para mostrar ao mundo a capacidade de coordenação e organiza­ção”, afirma Barbieri.

BRASIL CAI, EUA SOBE

Enquanto a confiança de investidores no Brasil cai, os Estados Unidos seguem, segundo o ranking de confiabilidade para investimentos na primeira posição pelo sétimo ano consecutivo. Dados da Organi­zação ‘Trading Economics’ e do ‘U.S Bure­au of Economic Analysis’ mostram que o investimento direto estrangeiro nos EUA aumentou em 50.582 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2019.

Dados do Mapa Bilateral de Investi­mentos Brasil / USA 2019, desenvolvido pela Apex-Brasil em parceria com o Brazil­-U.S Business Council e a Amcham Brasil mostram que o estoque de IED (Investi­mento Estrangeiro Direto) brasileiro nos Estados Unidos cresceu 356% entre 2008, quando era de US$ 9,3 bilhões para US$ 42,8 bilhões em 2017.

Segundo o mapa, os Estados Uni­dos foram a segunda maior origem das importações brasileiras, totalizando US$ 25,1 bilhões em 2017. Para o economista e analista político Carlo Barbieri, o Brasil vive um cenário de dificuldade recorrente entre os países emergentes e precisa bus­car uma solução imediata para a questão. Segundo ele, além de não estar na lista de países seguros para investir, aumentou o número de brasileiros que estão investin­do nos Estados Unidos.

“Assim como Turquia e África do Sul, por exemplo, a economia brasileira não está transmitindo segurança para o inves­timento externo. Então, os investimentos costumam ser pontuais e de curto prazo. Isso resulta em um capital especulativo e com alta variação e instabilidade. Essa situação precisa ser resolvida o quanto antes, pois além de não estar atraindo investidores estrangeiros, aumentou o nú­mero de brasileiros que busca investir nos EUA. Ou seja, menos dinheiro entrando e mais saindo”, explica.

Carlo Barbieri é analista político e economista. Com mais de 30 anos de expe­riência nos Estados Unidos, é Presidente do Grupo Oxford. Consultor, jornalista, analista político, palestrante e educador. Formado em Economia e Direito com mais de 60 cursos de especialização no Brasil e no exterior. Site: oxfordusapontocom.

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