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Envelhecer não é morrer

TEXTO DE ELEXSANDRO ARAÚJO
@ELEXSANDROARAUJO

O referido tema traz um convite ao leitor a uma reflexão sobre o envelhecimento, levando em consideração os diversos aspectos da vida humana. A compreensão a respeito da finitude na perspectiva da pessoa idosa está relacionada com a saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde de um indivíduo é o resultado da interação entre seu patrimônio genético, os seus comporta­mentos, o ambiente físico e a sociedade em que ele vive. Nesse sentido uma boa saúde é um recurso para o desenvolvimento social, econômico e pessoal e uma dimensão importante da qualidade de vida, portanto deve ser aprendida e promovida.

Envelhecer faz parte de um processo de mudanças biológicas, que provoca diminuição orgânica, funcional. Não necessariamente por uma causa patológica (doença), mas, por ser parte de uma condição natural e inevitável. Quando falamos de envelhecimento, é indispensável associarmos a qualidade de vida. O termo qualidade de vida está relacionado com características dos ambientes social e físico, assim como a da saúde e estado interno dos indivíduos. O medo e a dificuldade de aceitação frente a esse processo são realidades laten­tes para muitos da população idosa. Percebem-se diferentes, sem a aparência de antes, sem a funcio­nalidade a qual já não apresenta tanto vigor. Mas, o que percebemos é uma geração de pessoas idosas presas a essas condições e, com isso, não conseguem vislumbrar uma nova forma de se perceber.

Envelhecer de forma ativa e saudável é enten­der que há uma relação importante entre: bem-estar físico – emocional – social. Fatores que influenciam diretamente no processo de envelhecimento com qualidade de vida. A pessoa idosa, precisa buscar uma boa condição física, equilíbrio emocional, convívio social. Ser pessoa idosa não precisa ser visto como algo ruim ou pouco desejável.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA VELHICE

Segundo Elias N. no livro “A solidão dos moribundos, seguido de envelhecer e morrer”, de forma consciente ou não, resistimos à ideia de que um dia também envelheceremos. E afastamos, como longínqua, a “indesejada das gentes”. A identi­dade social “negativa” da velhice, muito presente no imaginário social contemporâneo, colocava e coloca dificuldades especiais para as pessoas que ultrapassam a chamada meia-idade. Nas palavras do autor, “não é fácil imaginar que o nosso próprio corpo, tão cheio de frescor e muitas vezes de sensações agradáveis, pode ficar vagaroso, cansado e desajeitado” . E continua, “não podemos imaginá­-lo e, no fundo, não o queremos” . “Que as pessoas se tornem diferentes quando envelhecem é muitas vezes visto, embora involuntariamente, como um desvio da norma social (…); quão difícil é para as pessoas jovens ou de meia-idade entender a situação e a experiência dos velhos” .

Ao falarmos de “vulnerabilidade” da pessoa idosa, como se sentem os mais jovens? Será que se sentem confortáveis em imaginar-se chegando nessa fase ou somarão ao número de indivíduos que chegam nesse processo sem que tenham aceitação? Talvez, entender que as dificuldades são inerentes a qualquer processo de amadurecimento da vida, nos faça pensar que também temos a escolha de olhar diferente, de nos percebermos de uma melhor forma. Seja uma pessoa jovem, adulta ou idosa.

Envelhecer é parte de uma fase incrível da vida de um ser humano. Trarei algumas perguntas bem frequentes que recebo no consultório:

Estou envelhecendo. Há condições de manter a felicidade? Com certeza. Sempre podemos fazer com que nossos dias sejam melhores, mais felizes e intensos. Enquanto existir vida, que exista alegria em seu viver. Só devo cuidar da saúde quando chegar ao processo de envelhecimento? Não. Precisamos desenvolver bons hábitos de vida para um presente e futuro saudável. Será que o fato de não ter me cuidado antes de chegar ao processo de envelhecimento, me impossibilita de procurar novas formas que somem a minha saúde? Não. Aprender, reaprender, começar, recomeçar, faz parte do processo que somarão para sua qualidade de vida física e mental.

O processo de envelhecimento é, sobretudo, compreender que essa fase não deve ser recebida com tristeza, mas, com alegria e satisfação por tal privilégio. É fazer das experiências o auge. É não desistir de viver, mesmo quando os problemas de saúde chegar. Pois, por mais dolorido e limitante que seja sempre haverá meios para melhores. É re­conhecer a fraqueza quando necessário. É ser forte e meio à fraqueza para não perder o sentido de viver. É ser tudo aquilo que um jovem de 20 anos e um adulto de 35 anos pode ou não alcançar. É ser a imponente de um ser que, em meio a uma longa estrada de sorrisos, lágrimas, dores, conquistas, perdas, chegou até aqui. Você pode e deve continuar desfrutando do melhor de si. Envelhecer não é morrer. Envelhecer é enriquecer!

Referências das citações:

Organização Mundial da Saúde; 2013.

Elias N. A solidão dos moribundos, seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; 2001.

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