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Novo Coronavírus – Guia de sobrevivência

texto DRA KEILLA FREITAS

O Novo Coronavírus: Tudo o que você precisa saber – Desde o final de Janeiro de 2020, o mundo está em estado de emergência de saúde pública devido ao surto do novo coronavírus, que teve sua origem em dezembro, na cidade de Wuhan, na China. Os Coronavírus são conhecidos desde os anos 1960. Estão por toda a parte e são a segunda principal causa do Resfriado Comum.

Até então não representavam graves problemas à Saúde Humana. Há sete coronavírus humanos (HCoVs) conhecidos: Alpha Coronavírus 229E, Alpha Coronavírus NL63, Beta Coronavírus OC43, Beta Coronavírus HKU1, SARS-COV que causa Síndrome Respiratória Aguda Grave., MERS-COV que é a Síndrome Respiratória do Oriente Médio. COVID-19 ou SARS- -COV 2, que é o Novo Coronavírus. Os Coronavírus são comuns em muitas espécies de animais, incluindo Camelos, Gado, Gatos e Morcegos. Mas só raramente infecta seres humanos. Ou seja, são zoonóticos. O SARS-COV foi transmitido aos humanos na China em 2002 a partir do “gato de civeta” e o MERS-COV foi transmitido aos humanos na Arábia Saudita em 2012 a partir do dromedário (mamífero parecido ao camelo). Uma grande variedade de cepas de coronavírus circulam entre animais mas ainda não infectou seres humanos. Sobre o novo coronavírus, a suspeita atual é de que tenha sido transmitido aos humanos a partir dos morcegos. Os primeiros casos de pneumonia causados por uma nova cepa (tipo) de coronavírus que até então não havia sido isolada em humanos, apareceram na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China. Nesta matéria apresentamos informações importantes sobre o vírus e como podemos nos proteger.

FORMAS DE TRANSMISSÃO DO NOVO CORONAVÍRUS O coronavírus pode ser transmitido direta ou indiretamente. A transmissão direta ocorre por contato direto pessoa a pessoa. Por exemplo, quando a pessoa fala, as gotículas podem chegar até um metro de distância ou quando espirra, elas podem chegar até 2 metros.

A transmissão indireta ocorre no contato com superfície contaminada. Por exemplo: quando a pessoa tosse cobrindo a boca, coloca a mão na boca, olhos e nariz, ou cumprimenta outras pessoas.

Estas gotículas ficam nas mãos dos doentes e passam para objetos e superfícies quando o doente os toca com as mãos sujas.

As gotículas podem ficar viáveis (capazes de infectar) nestas superfícies ou objetos por 72 horas ou até mesmo dias. Nesse período, qualquer pessoa que tenha contato irá se contaminar com o vírus, mesmo que o doente já não esteja mais ali. O vírus se alastra rapidamente.

A morte pode ocorrer em virtude de complicações da infecção, como por exemplo, insuficiências respiratórias.

O PERÍODO DE INCUBAÇÃO Acredita-se que o tempo entre o contato com o vírus e o aparecimento de sintomas seja de 2 a 14 dias. A transmissibilidade ocorre até 7 dias após o aparecimento de sintomas. Mas não há dados suficientes para dizer quanto tempo antes do aparecimento dos sintomas inicia-se a transmissão. Contudo, a coinfecção de outras infecções virais podem aumentar o tempo de transmissibilidade do vírus. É importante salientar que pessoas sem sintomas também podem transmitir o vírus.

QUÃO RÁPIDO O NOVO CORONAVÍRUS SE ESPALHA O número básico de reprodução de um agente infeccioso (conhecido como R0 ) ou capacidade de contágio, mostra o número médio de “contagiados” por cada pessoa doente. A Organização Mundial da Saúde – OMS estima que o R0 do Novo coronavírus seja 2,74.

Algumas revisões sugerem que este valor seja ao redor de 3,28. Para se ter uma ideia do que isso significa, o R0 do Ebola é de 1,5 a 2,5; do vírus influenza H1N1 em 2009, esta taxa foi de 1,5 e no sarampo é em torno de 15.

SINTOMAS DO NOVO CORONAVÍRUS

•Tosse (67,8% dos casos sintomáticos)

•Febre (em pacientes jovens, idosos, imunossuprimidos pode não estar presente)

•Dispneia

•Dificuldade de respirar

•Produção de escarro

•Cefaleia •Dor de Cabeça

•Dor de Garganta

•Dificuldade para engolir

•Congestão conjuntival

•Rinorreia

•Nariz escorrendo

•Mal estar geral

•Mialgia

•Dor muscular

•Diarreia

COMPLICAÇÕES DO NOVO CORONAVÍRUS

•Complicações respiratórias

•Pneumonia

•Síndrome Respiratória Aguda Grave

•Complicações cardíacas

•(como em qualquer doença aguda, devido a uma maior demanda cardio metabólica):

•Arritmias cardíacas (16,7% em reporte de casos na China)

•Lesão cardíaca aguda (7,2% em reporte de casos na China)

•Insuficiência cardíaca aguda (relato de caso)

•Infarto agudo do miocárdio (10%)

•Miocardite (7,2%)

•Choque cardiogênico (1-2%)

•Parada cardíaca (relato de caso)

•Infecção secundária

•Sepse

•Insuficiência renal

•Falência de múltiplos sistemas

•Rabdomiólise (grave lesão muscular)

•Morte

TAXA DE MORTALIDADE

A OMS estima que a taxa de mortalidade do novo coronavírus na população em geral seja de 3,4%, mas a realidade pode ser outra, como no caso da Itália, que registra mais de 8%. Para se ter uma ideia, a taxa de mortalidade do vírus Influenza é por volta de 0,3%. Até os 49 anos, a taxa de mortalidade é em torno de 1% a 2%. Esta taxa vai aumentando a cada 10 anos de vida até chegar em mais de 14% de mortalidade em pessoas maiores de 80 anos.

Na Itália, contudo, diante da população idosa proporcionalmente maior, a taxa de mortalidade da doença causada pelo vírus, a covid-19, chegou no dia 16 de março a 7,7%, enquanto o índice chinês médio é de 2,3%.

Segundo dados do Instituto Superior de Saúde (ISS), órgão subordinado ao Ministério da Saúde da Itália e que monitora a emergência nacionalmente, a média de idade dos italianos infectados pelo coronavírus é de 63 anos, sendo que 60% deles são do sexo masculino.

Os números do ISS sobre as mortes relacionadas à covid-19 mostram que a imensa maioria das vítimas convivia com pelo menos uma ou mais doenças, com maior porcentagem (37%) para as cardiovasculares.

“A insuficiência respiratória foi a complicação mais observada nas amostras (98,8% dos casos), seguida da choque (como choque séptico, 22,9%), insuficiência renal (16,9%) e infecção (10,8%)”, disse um informe do ISS compilado no dia 13 de março. Vale lembrar que a medida que conhecermos melhor o novo coronavírus e formos capazes de diagnosticar maior número de pessoas esta taxa com certeza irá reduzir, pois muitas pessoas infectadas pelo vírus são inclusive assintomáticas.

TESTES DIAGNÓSTICOS CONFIRMATÓRIOS O sequenciamento genético do novo coronavírus foi publicado pela primeira vez pelas autoridades de saúde chinesas logo após a detecção inicial, facilitando a caracterização e o diagnóstico viral. O CDC analisou o material genético do primeiro paciente dos EUA que desenvolveu a infecção em 24 de janeiro de 2020 e concluiu que trata-se praticamente do mesmo vírus detectado na China.

Constatou-se que o COVID-19 é um beta- -coronavírus do grupo 2b, que possui pelo menos 70% de semelhança com o SARS-COV.

Em geral, os exames de casos suspeitos são analisados por amostras de material respiratório (secreção da garganta ou nariz). Importante ressaltar que um teste negativo não exclui a presença da infecção. Mesmo que se tenha tido contato com pessoa doente, o teste pode demorar mais tempo para ficar positivo (dentro do tempo de incubação).

TRATAMENTO DO NOVO CORONAVÍRUS

Os EUA estão investindo US$ 421 milhões em vacina experimental, que será fabricada mesmo em fase de testes. A Johnson & Johnson anunciou que investirá, junto com o governo americano, US$ 1 bilhão para fabricar mais de um bilhão de doses de uma possível vacina para o coronavírus. Trata-se de uma vacina candidata que foi selecionada e está sendo testada pela própria Johnson & Johnson.

O diretor científico da Johnson & Johnson, Paul Stoffels, disse que iniciaria o teste em humanos em setembro, com o objetivo de ter a vacina pronta no início de 2021, sob uma autorização de uso emergencial. Esse período seria muito mais curto do que os habituais 18 meses necessários para o teste, a aprovação e fabricação de uma vacina.

A China começou no final de março os testes clínicos de uma vacina contra o novo coronavírus com 108 voluntários, enquanto vários países estão em uma corrida contra o tempo para encontrar uma maneira de combater o patógeno, informou a imprensa local.

Como ainda não existe um tratamento específico para combater infecções causadas pelo coronavírus em humanos, no entanto, pessoas contaminadas podem seguir algumas recomendações como: •Repouso absoluto; •Ingestão de muita água; •Uso de medicamentos para dor, febre, sendo sempre à base de de paracetamol e dipirona. NÃO utilize Ibuprofeno.

  • Uso de Umidificador de Ar no quarto ou tomar banhos quentes auxiliam no alívio da dor de garganta e tosse.

USO DE IBUPROFENO

Há relatados vindo da Itália e da França de que o uso de Ibuprofeno foi identificado como fator de risco para complicações em pessoas que o utilizaram durante a infecção pelo COVID-19, inclusive jovens sem nenhuma doença prévia. Isso ocorre porque esta medicação aumenta os níveis no organismo de uma enzima chamada Enzima Conversora de Angiotensina – 2 (ECA-2), utilizada pelo COVID-19 para a sua replicação (multiplicação), especialmente no coração e circulação pulmonar. Sendo assim, em caso de sintomas respiratórios, mesmo se parecer um simples resfriado, não utilize Ibuprofeno para controle dos sintomas.  Fique atento às substâncias presentes nos remédios que você usa, pois pode ter Ibuprofeno em sua formulação como por exemplo: Advil, Atrofem, Alivium, Busco­fem, Doraliv, Motrin, Vantil, entre outros. Na dúvida, pergunte ao farmacêutico. Não faça uso de medicações contendo Ibuprofeno em sua formulação para controle de sintomas de resfriado.

O QUE FAZER EM CASO DE INFECÇÃO PELO NOVO CORONAVÍRUS

A OMS estima que 8 em cada 10 pessoas infectadas pelo novo coronavírus apresentam sintomas leves. Nestes casos as principais medidas são:

•Evitar sair de casa

•Em casa, mantenha o ambiente o mais areja­do possível

•Caso precise sair, evitar locais com grande aglomeração de pessoas

•Ao sair de casa, utilizar mascara cirúrgica cobrindo nariz e boca

•Ao espirrar, deve-se colocar o antebraço, o dorso das mãos ou um lenço na frente do nariz e boca;

•Utilize lenço descartável de papel para higiene nasal;

•Não compartilhe objetos pessoais como talheres, copos ou toalhas sem a previa higie­nização;

•Mantenha uma distância mínima de um metro de qualquer pessoa.

QUANDO PROCURAR O HOSPITAL  

Caso comece a apresentar sintomas de resfriado comum, mesmo que não tenha estado em contato com alguém suspeito, ainda assim pode ser coronavírus ou qualquer outro vírus respiratório.

•NÃO ENTRE EM PÂNICO.

•PERMANEÇA EM CASA

•Ir ao pronto socorro com quadros leves não irá alterar a conduta, pois mesmo que se trate do COVID-19 não terá critério de internação apenas por ter o diagnóstico confirmado.

•Sobrecarrega o sistema – mesmo hospitais privados

•Você fica exposto a mais riscos (pode buscar o atendimento com um resfriado comum e sair com o COVID-19)

PROCURE AUXÍLIO HOSPITALAR SE:

•Apresentar sonolência, torpor

•Falta de ar

•Febre

QUE NÃO CESSA COM MEDICAMEN­TOS

•Febre que vai embora e depois retorna

 

Dra Keilla Freitas é Infectologista em São Paulo, especializada em Controle de Infecção Hospitalar pela USP (Universidade de São Pau­lo). Tem experiência no controle e prevenção de infecção hospitalar com equipe multidisciplinar no ajustamento antimicrobiano, taxa de infecção do hospital e infectologia em geral, atendendo pacientes internados e com expo­sição ao risco de infecção hospitalar. Email: faleconosco@drakeillafreitas.com.br 

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