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Franquia é um bom negócio?

Nos pedidos de ajuda que recebo diariamente dos empre­endedores brasileiros que querem começar um negócio nos Estados Unidos há um tipo de negócio que tem cres­cido em popularidade: franquias. Esse crescimento tem sido alavancado por alguns fatores. O primeiro deles é a crença de que uma franquia é um modelo de negócio que requer pouco esforço por parte do empreendedor, pois já está tudo padronizado, a marca já é conhecida e o franqueador dará todo o suporte para que o empreen­dimento alcance o sonhado sucesso na América. O se­gundo fator que tem sido utilizado como argumento de venda pelas consultorias de imigração e brokers de franquias para brasileiros nos Estados Unidos são os famosos casos recentes de restaurantes brasileiros que utilizaram suas marcas próprias vindas do Brasil, e que naufragaram no ultra competitivo mercado americano. Mas o que realmente deve fazer parte do checklist do empreendedor brasileiro que quer abrir uma franquia nos Estados Unidos? Quais cuidados devem ser tomados? Vale a pena checar quais são estas opções.

BUSCAR INFORMAÇÕES DE FONTES CONFIÁVEIS

Além de conversar com o amigo do primo do seu vizinho que conhece um broker de franquias nos Estados Unidos, procure as instituições confiáveis que podem lhe passar os conhecimentos iniciais básicos sobre como escolher e estabelecer uma franquia. A principal instituição americana de franquias é a International Franchise Association (www.franchise.org) e lá é possível fazer uma análise de perfil do franqueado, nível de investimento e região onde se pode abrir uma franquia.

TER O INVESTIMENTO E AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS

O improviso do jeitinho brasileiro definitiva­mente não funciona no mercado americano. É importante estar munido do capital de investi­mento e do máximo de informações para que se possa tomar decisões assertivas que irão maximizar as chances de sucesso do negócio.

EVITAR A ARMADILHA DA FRANQUIA QUE ESTÁ NA MODA

Existem ondas de modas de negócios que enfeitiçam os empresários e que são escolhidos devido à influência do franqueador, do broker de franquias ou até mesmo de um familiar ou conhecido que gosta muito de um produto e acredita que o consumidor americano também irá “comprar a ideia”. É importante ter frieza e imparcialidade ao analisar o real potencial de mercado do produto ou serviço a ser oferecido. Além disso, o proprietário deve se sentir à vontade e, se possível, gostar do tipo de negócio da franquia.

NÃO SUBESTIMAR OS CUSTOS DE STARTUP NO BUSINESS PLAN

Muitos empreendedores se enganam ao desenvolver um business plan que se encaixa na sua real capacidade de investimento. A franquia terá muitos custos de startup e não é recomendável que se crie um plano ilusório que se enquadre no budget disponível do empreendedor. Seja realista, conservador e tenha um plano de backup para emergências financeiras.

SEGUIR O SISTEMA DO FRANQUEADOR

Neste item, mais uma vez devo reforçar que você deixe o “jeitinho brasileiro” no Brasil. É muito importante que o sistema do franque­ador seja seguido pois ele já foi testado em centenas – ou até milhares – de empreendi­mentos e há uma probabilidade altíssima de que também irá funcionar no seu negócio.

NÃO PERDER O FOCO ENTRE O QUE VOCÊ PODE FAZER E O QUE VOCÊ É BOM EM FAZER

“Time is Money!”. Nos Estados Unidos, foque naquilo que você sabe e é bom em fazer e que irá gerar valor para o negócio. E terceirize ou contrate pessoas para fazer aquilo que você não é bom em fazer ou que gera pouco valor para o seu negócio.

NUNCA ACREDITAR QUE JÁ CONQUISTOU A CLIENTELA

Uma vez que você conseguir sair da fase de startup e a sua clientela começar a se tornar fiel à sua franquia, não diminua seus investimen­tos em marketing e serviço ao cliente pois a concorrência nos Estados Unidos é fortíssima e sempre haverá alguém querendo o seu espaço no mercado.

NÃO PENSAR QUE JÁ SABE TUDO ANTES DE COMEÇAR A FRANQUIA

Muitos empresários de franquias que estão nos Estados Unidos foram executivos ou empresários de sucesso no Brasil. Alguns deles acreditam que já sabem tudo e que conseguirão “tirar de letra” um novo negócio nos Estados Unidos. É muito importante ter humildade para se dar o privilégio de fazer aquilo que o empresário jamais pensou que teria que fazer como, por exemplo, controlar estoque ou fazer faxina. Também é importante pedir ajuda ao franqueador e buscar conhecer donos de outras franquias da mesma rede e de­senvolver relacionamentos com eles para trocar experiências e fazer benchmark.

NÃO PENSAR QUE FRANQUIA É UM NEGÓCIO QUE VAI DAR CERTO AUTOMATICAMENTE

A crença de que comprar uma franquia é entrar num trem andando pode levar o empreendedor a tomar a decisão errada. Uma franquia é um negócio que enfrenta as mesmas dificuldades de conseguir clientes e gerar valor que qualquer negócio.

NÃO ESQUECER QUE O CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO

É importante ficar muito atento ao feedback dos clientes e aos reviews no Google, no Yelp e nas redes sociais. Tenha disciplina para monitorar esses reviews e tenha planos de ação para mitigar os riscos e tratar as reclamações de forma ágil, proativa e diligente.

O sonho empresarial nos Estados Unidos através de franquias é possível mas é essencial que o em­preendedor tenha ciência de que uma franquia é um negócio e, como qualquer negócio, requer muita análise, planejamento e excelência em execução para que se alcance o sucesso esperado.

Antonio Miranda é Administrador de Empresas pela Universidade de São Paulo e especializado em Marketing pela Kellogg School of Management. Desde 2015, Antonio ajuda empreendedores brasileiros a tomar decisões assertivas para estabelecer negócios sustentáveis nos Estados Unidos.

E-mail: antonio@mirandabusiness.com

 

Texto ANTONIO MIRANDA
@antoniomirandausa

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