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Argentina vai propor à França aliança para renegociar acordo Mercosul-União Europeia

Na extensa reunião que Alberto Fernández, esteve com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris. A Argentina propôs à França a re­negociação do acordo comercial Mercosul­-União Europeia. Embora a prioridade do governo argentino nas quatro horas de reunião seja conseguir o apoio político do governo francês para outra renegociação, a da dívida do país junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Alberto Fernández veri­ficou a possibilidade de ter a França como aliada na sua intenção de rever aspectos do acordo comercial.

Alberto Fernández argumentou que devem ser evitadas as assimetrias que pre­judicariam a indústria argentina. “É preciso ver como o acordo será implementado para evitar assimetrias”, disse Alberto Fernández depois da reunião com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

A posição argentina foi explicada aos governos de Itália, Alemanha e Espanha, países que Alberto Fernández visitou desde sexta-feira, quando iniciou o périplo interna­cional que termina na França. Em nenhum desses países, a posição do presidente ar­gentino encontrou eco. Todos querem que o livre comércio entre os dois blocos avance.

“Nesta viagem à Europa, a Argentina está procurando um aliado europeu crítico ao pacto. Alberto Fernández pensa em usar a reunião com o presidente francês Emma­nuel Macron para colocar sobre a mesa o acordo Mercosul-UE, mas não sei se os dois governos tornarão público esse ponto da reunião”, indica à RFI Marcelo Elizondo, diretor da consultoria Desenvolvimento de Negócios Internacionais (DNI) e um dos maiores especialistas em comércio exterior da Argentina.

Para Elizondo, as chances de Al­berto Fernández tornar o assunto público diminuíram depois da reunião com a chanceler Angela Merkel, em Berlim, na segunda-feira (3). “Durante a reunião, Angela Merkel foi muito contundente. Disse a Alberto Fernández que o acordo Mercosul-União Euopeia tem de avan­çar, que a Alemanha tem muito interesse nesse acordo e pediu que a Argentina faça um esforço nessa direção”, revela Elizondo, baseado em fontes diplomáti­cas que participaram da reunião.

“Esse foi o único assunto que Merkel colocou pessoalmente sobre a mesa durante a reunião. Os demais assuntos foram colocados pelos seus ministros. Isso mostra o quanto ela está empenhada na questão”, acrescenta.

É na França que a Argentina deposita as suas esperanças. O governo argentino vê na posição de setores agrí­colas franceses e na difícil posição polí­tica de Emmanuel Macron uma chance de unir as resistências ao acordo que eliminará, gradualmente, as barreiras ta­rifárias. O governo peronista de Alberto Fernández entende que a indústria do país não está preparada para essa con­corrência. “Pessoalmente, Macron não é contra o acordo, pelo contrário. Mas sofre pressão política dos que são. O presidente francês enfrenta dificuldades com os sindicatos devido às reformas estruturais. Isso o leva a contemplar o lo­bby protecionista dos setores contrários ao acordo”, destaca Marcelo Elizondo. Atualmente, o acordo, assinado em juncada Congresso o aprovasse.

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