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Antonio Calloni – O sucesso de um dos atores mais famosos do Brasil

Os personagens que o ator Antonio Calloni vem interpretando ao longo dos seus quase 40 anos de carreira estão lhe confe­rindo uma trajetória de muito sucesso, tanto na TV, quanto no cinema e no teatro. Todos, até agora, foram representados por ele com maestria para o deleite do público que o admira, tanto no Brasil, quanto em diversas partes do mundo.. O seu primeiro papel na TV foi em 1986, na memorável minissérie “Anos Dourados”, exibida pela TV Globo. Daí em diante Calloni não parou mais! Foram diversas novelas campeãs de audiência como “Hipertensão”, “Bambolê”, “O Salvador da Pátria”, “Terra Nostra”, “O Clone”, “O Astro”, “Salve Jorge”, “Caminho das Índias” e muitas outras. No caso da novela “O Clone”, de 2001, o ator interpretou o divertido Mohamed, e tal personagem ainda faz com que o ator receba cartas de fãs enviadas de vários países. Além de Mohamed, outros personagens de sucesso foram vividos por ele, como o italiano Bartolo em “Terra Nostra” (1999) e mais recentemente, em 2019, o polêmico Júlio, no remake da novela “Éramos Seis”, ao lado de Glória Pires, que interpretou a sua esposa Lola. Na trama, Calloni foi um marido apaixonado por Lola e pelos filhos, porém com os herdeiros ele não conseguiu demonstrar os seus melhores sentimentos. Fica evidente, então, o seu lado agressivo, autoritário e ambicioso. E para concluir, ele traiu a sua sofredora esposa, o que gerou certa “inquietação” nos telespectadores do folhetim. Na vida pessoal, o ator é casado há 27 anos com a jornalista Ilse Rodrigues, com quem tem um filho, o músico Pedro Calloni. Assim como o pai, o jovem de 26 anos também enveredou pelas artes e estudou Engenharia Musical na Berklee College of Music, em Boston, EUA e hoje trabalha ao lado de grandes nomes internacionais da música. Acompanhe a seguir a entrevista que Antonio Calloni concedeu à Linha Aberta Brazilian Magazine.

LINHA ABERTA – Como foi o início da sua carreira? Você encontrou dificuldades para ingressar na profissão?

ANTONIO CALLONI – Eu cresci vendo novelas. Nossa cultura, principalmente na minha época, era basicamente (mas, não somente) a do folhetim. Eu adorava observar o trabalho dos atores, os gestos, os olhares, a res­piração, enfim, todos os detalhes que eu podia apreender. Desde muito pequeno eu escrevia, dirigia e atuava em peças na escola, e achava esse universo mágico, lúdico. E isso sempre me fez um bem danado. A paixão pelas novelas me levou a fazer um curso de teatro com a atriz Célia Helena, uma das minhas grandes mestras e, logo depois, com o Antunes Filho, um dos melhores diretores de teatro do Brasil e do mundo. Eu descobri o teatro, me apaixonei e me formei como ator por intermédio desses dois grandes professores. Isso foi no final da década de 70. Dificuldades? Peguei o final da censura e o começo de um grande medo: Vou conseguir sobreviver sendo ator? As dificuldades continuam, o medo também. A diferença é que hoje eu sei que estou fazendo tudo o que está ao meu alcance e a minha fé na vida é inabalável. Consigo não me levar muito a sério e me sinto extremamente gratificado com a minha carreira. O medo para mim é sempre um estímulo. Es­tou numa fase onde quase tudo me diverte e me dá prazer. Tenho uma casinha, umas coisinhas… O meu filho é adulto, saudável, bem criado, bem educado, vive em Los Angeles. A minha mulher é uma grande companheira. Tenho uma “graninha” para comer o meu arroz com feijão, cuidar da minha saúde, comprar alguns livros e viajar de vez em quando. Maravilha!

LINHA ABERTA – Quais foram as pessoas importantes e que te incentivaram quando você decidiu ser ator?

ANTONIO CALLONI – Meus pais mor­reram de medo quando eu disse que gostaria de ser ator, mas nunca tentaram me impedir. Ficaram sempre ao meu lado e tiveram tempo até de me ver na televisão. Ficaram super orgulhosos. Meus pais tiveram uma importância fundamental na minha carreira. Amor, erros, carinho… Família italiana, gritaria, cantoria, comilança… Saudade!

LINHA ABERTA – Quais são os seus atores preferidos, brasileiros e estrangeiros? Aqueles que você considera verdadeiros “monstros sagrados”?

ANTONIO CALLONI – Sou fã dos meus companheiros brasileiros e não costumo citar nomes por puro pudor e respeito. Somos gigantes no talento, na sensibilidade, na boa malandragem, na inteligência e na necessária e boa “cara de pau”. Os estrangeiros? São vários… Daniel Day Lewis é um deles.

LINHA ABERTA – Qual foi o seu papel de maior sucesso na TV e qual personagem você gostou mais de fazer?

ANTONIO CALLONI – O papel de maior sucesso, até o momento, foi o Mohammed, da novela “O Clone”, pois até hoje recebo mensagens do mundo todo por causa desse personagem. Realmente foi muito divertido, um acerto gigante da Glória Perez. Foi um dos per­sonagens que eu mais gostei de fazer também. Felizmente, a minha carreira é repleta de bons personagens e seria impossível eleger apenas um. O mais recente, Júlio Abílio de Lemos, da nove­la Éramos Seis, com certeza está entre os meus preferidos. Um homem comum e de muitos tons. Foi emocionante fazer esse trabalho!

LINHA ABERTA – Como é para você interpretar um personagem real, como o da minissérie “Assédio”, na qual você viveu o médico Roger Abdelmassih? É mais difícil do que representar um personagem fictício?

ANTONIO CALLONI – Tenho um orgulho imenso por ter participado desse trabalho, que tem uma qualidade artística de excelência e é de uma importância política fundamental na luta das mulheres por respeito, cidadania, liberdade e igualdade de direitos. O homem tem que superar esse medo ancestral que sente pelas mulheres. O poder da mulher sempre foi imenso e misterioso. E o homem, por causa desse medo infantil, tem cometido atrocidades contra as mulheres. É inadmissível! O assédio tem que acabar! A única saída, saudável e óbvia, é vivermos em harmonia, nos complementando. Para isso é necessário, acima de tudo, educação. Um país que não prioriza a educação, não é capaz de resolver nenhum problema. Pesquisei muito sobre o Abdelmassih, mas o espaço da criação é “maior” do que a vida. Não foi uma foto, fiz uma pintura. Mostrei um homem religioso, familiar, sedutor e que tinha um monstro dentro dele. Tudo que é humano não me é estranho. Tenho todas as possibilidades dentro de mim: o ódio, o amor, a construção, a destruição… muitas coisas. Procuro fazer boas escolhas, posso fazer boas escolhas! Tem gente que não pode e tem gente que não quer. Acho que o Abdelmassih fez escolhas medonhas e pagou por isso.

LINHA ABERTA – As novelas atualmente estão mais curtas, com menos capítulos. Na sua opinião, isso é melhor ou pior para o ator? Por que?

ANTONIO CALLONI – Muito melhor! Podemos contar “Crime e Castigo” em algumas horas. Com menos capítulos a novela e o trabalho do ator tem menos chances de criar aquela “barriga” indesejável. O trabalho resulta mais intenso, objetivo e interessante. Acho que o público também sente isso.

LINHA ABERTA – De uns cinco anos pra cá você emagreceu consideravelmente. O que você fez para obter a boa forma e de que maneira cuida da sua saúde?

ANTONIO CALLONI – Eu ando de bicicleta e, quando não tenho tempo, subo dez lances de escada. A minha alimentação também está mais equilibrada, eu como bem menos carne vermelha, mas muita salada verde, legumes, peixe (que adoro comer e, prin­cipalmente, pescar), bebo muita água e, eventualmente, vinho, minha bebida preferida.

LINHA ABERTA – Você está casado há 27 anos com a jornalista Ilse Rodrigues. Como você define essa parceria de tantos anos entre vocês?

ANTONIO CALLONI – É muito fácil falar da Ilse, pois ela foi, é e sempre será a minha grande companheira. O segredo para o tempo da relação? Nenhum! Simples e prazeroso assim!

LINHA ABERTA – O seu filho, Pedro Calloni, vem se destacando como músico nos Estados Unidos, e inclusive já tocou com Anitta, Mraz e mais recen­temente teve participação no disco de rap The Lost Boys, indicado ao Grammy. Você teve influência na escolha dele por uma carreira artística?

ANTONIO CALLONI – Nenhuma! Ou, toda! Não sei direito… Eu e a Ilse sempre fomos muito cuidadosos em não impor nada ao nosso filho e sim, apontar caminhos e possibilidades. Ele, desde muito pequeno, se mostrou fascinado por música. Lembro do Pedro hipnotizado, olhando uma bandinha de músicos que tocavam numa esquina do Leblon. Per­manecia parado, mal piscava os olhos. Por ele, ficava o dia inteiro ali, ouvindo, vendo. Sempre foi muito curioso pelo universo musical. Com seis anos de idade ingressou na escola de música do Antonio Adolfo e nunca mais parou.

LINHA ABERTA – Você já recebeu algum convite para trabalhar no exterior? Gostaria de expandir a sua carreira para Hollywood, por exemplo?

ANTONIO CALLONI – Eu falo italiano fluente­mente, porém o meu inglês é bem precário, precisaria de ensaios exaustivos. Mas, eu toparia trabalhar com a Juliette Binoche, por que não? (Risos).

LINHA ABERTA – Quais são os seus projetos para 2020?

ANTONIO CALLONI – Eu estou na batalha para produzir um longa-metragem com os meus com­panheiros, Paolla Oliveira e Emílio Orciollo Netto. É uma história baseada no meu romance, “Amanhã eu vou dançar (Novela de Amor)”, editora Bertrand Brasil. E, falando em livro, esse ano eu lanço mais um romance, o “Filho da Noite”, pela editora, Valentina. A capa do livro já está no meu Instagram @antonio_ calloni, acompanhada do texto da orelha escrito pelo imortal e grande poeta, Geraldo Carneiro.

FILHO DE PEIXE…

O filho de Antonio Calloni, o músico Pedro Calloni, 26 anos, parece que está seguindo os passos do pai para as artes e mostrando ao público americano “a que veio”. O engenheiro musical vem somando uma série de parcerias de sucesso em diversas apresentações e se diz orgulhoso por se destacar ao lado de grandes nomes como Anitta, Mraz e outros. Ele se apresentará também ao lado de Sasha Sloan durante o festival de Coachella, na Califórnia, que acontecerá em abril deste ano. “Estou muito feliz de tocar esta edição com a Sasha! Ela é uma artista incrível e com quem eu também vou trabalhar num álbum em estúdio, durante este ano”.

A paixão de Pedro pela música vem desde muito cedo, conforme relatou o seu pai. Segundo o jovem, o apoio tanto de Antonio, quanto de Ilse, foi algo bas­tante importante para o sucesso que ele vem obtendo. “Eu sempre tive interesse pela música, desde pequeno. Meus pais sempre me deram apoio para eu seguir essa carreira. Eu tenho muito orgulho dos meus pais, por eles terem acreditado em mim! Eles certamente me serviram de inspiração!” – diz o músico.

 

texto ALETHÉA MANTOVANI
@ALETHEAMANTOVANI

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