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Mateus Solano – o Ator Conta Sobre a Carreira, a Família e o Trabalho Que Desenvolve para a Preservação do Meio Ambiente

Mateus Solano é um dos mais talentosos atores da atualidade e que obteve o reconhecimento do público pelo sucesso dos personagens que interpretou, principalmente na TV. O ator já foi protagonista de contundentes e polêmicos papéis como, por exemplo, o da minissérie Maysa, da TV Globo, em que viveu o músico Ronaldo Bôscoli – um dos primeiros da sua carreira. Ainda na emissora, Solano interpretou os gêmeos idênticos Miguel e Jorge, da novela Viver a Vida, Mundinho Falcão – no remake de Gabriela – e o tão comentado Félix Khoury, em Amor à Vida. Em 2015, fez Zé Bonitinho no remake da Escolinha do Professor Raimundo, personagem do saudoso Jorge Loredo durante a primeira versão do programa. Além disso, representou outros personagens de sucesso também no teatro, como na remontagem da peça O Mistério de Irma Vap, que começou em 2019 e deve prosseguir durante este ano. Mateus tinha tudo para apenas curtir o sucesso que os personagens encenados por ele lhe conferiram, mas não foi somente aí que ele decidiu focar a sua trajetória. Hoje o ator é um dos artistas mais empenhados na defesa do meio ambiente e está cada vez mais engajado nas questões referentes ao tema. Ele criou o grupo Mudar para Preservar, que conta com a participação de diversos artistas e realiza mutirões de limpeza em praias e lagoas. Em 2018, foi nomeado defensor de uma campanha criada pela ONU Meio Ambiente, a Mares Limpos, cujo objetivo é criar ações para conter a utilização de plásticos em diversos segmentos. Além disso, também está empenhado em iniciativas para a promoção do consumo consciente, um tema tão importante e pertinente nos dias atuais. Na vida pessoal, Mateus é casado desde 2008 com a atriz Paula Braun, com quem tem dois filhos, Flora e Benjamim. O ator contou à Linha Aberta Brazilian Magazine um pouco sobre a carreira, a vida em família e a sua dedicação com as questões relacionadas à preservação da natureza.

LINHA ABERTA: Quando e de que maneira você percebeu que pode­ria ser ator? Você tinha pensado em alguma outra profissão antes disso?

MATEUS SOLANO: O palco é um lugar muito poderoso, onde tudo é permitido, onde se é livre. Acho que desde o início eu entendi o palco como um lugar onde eu poderia me expressar por meio dos per­sonagens, e ter uma liberdade que a gente não pode ter na vida, no dia a dia. De alguma forma, foi paixão à primeira vista! Mas, não foi tão fácil escolher o teatro como profissão. Eu cheguei a pensar em fazer faculdade de turismo porque gosto muito de viajar e de lidar com o outro. Porém, não teve jeito, pois eu sou ator com “a“ maiúsculo.

LINHA ABERTA: Quais foram as pessoas que te incentivaram na carreira e foram fundamentais para a sua ascensão profissional?

MATEUS SOLANO: A minha família em primeiro lugar, pois sem o apoio dela eu não teria tido tempo para me aperfeiçoar e nem a pos­sibilidade de esperar tanto tempo para ganhar o meu próprio sustento. Eu fui sair da casa da minha mãe com vinte anos e tal, graças à confiança da minha família de que eu poderia ter sucesso nesta profissão. Depois, muitos me incentivaram e me incentivam até hoje. Tudo o que passa por mim é referência para os meus futuros trabalhos.

LINHA ABERTA: Quais os atores que você tem como referências, aquelas pessoas que você admira e considera como exemplos?

MATEUS SOLANO: São muitos e a grande maioria desconhecidos. Na TV eu gosto de citar a versatilidade do Tony Ramos, no teatro gosto de atores livres como Matheus Nachtergaele e de diretores como Cacá Carvalho. Sou imensamente influenciado pelo trabalho da Fernanda Montenegro e de atrizes internacionais como Meryl Streep. Também sou encantado por novos atores que vejo todos os dias em filmes, séries e peças. Portanto, não existe uma hierarquia entre aqueles que me influenciaram até aqui.

LINHA ABERTA: Você fez personagens contundentes, polêmicos e outros bastante divertidos. Qual foi o mais difícil que você interpretou? E qual recebeu o maior reconhecimento do público?

MATEUS SOLANO: Cada personagem traz a dor e a delícia de ser o que é. Por mais alegria que você tenha com um personagem, ele sempre traz também um desafio, dificuldades e obstáculos a serem vencidos. Eu considero que personagens que trazem muita alegria, trazem também muitos obstáculos, e personagens que trazem pequenas alegrias, trazem também pequenos obstáculos. Portanto, um personagem como o Félix, que sem dúvida foi o que mais marcou a minha carreira, foi muito divertido de se ver e fazer, mas igualmente muito penoso e exaustivo. Então, não há personagem mais difícil que outro, mas existem encontros especiais entre o público e o personagem, como os gêmeos de Viver a Vida, como o Zé Bonitinho e o nosso querido Félix.

LINHA ABERTA: Você está no remake da Escolinha do Professor Raimundo, interpretando o personagem Zé Bonitinho, criado e encena­do durante anos pelo saudoso ator Jorge Loredo. Como está sendo essa experiência para você?

MATEUS SOLANO: A experiência de fazer o Zé Bonitinho continua muito mágica mesmo após cinco temporadas. O que começou como uma homenagem, continua como uma apropriação desses personagens que não são nossos, mas do imaginário popular brasileiro. Portanto, é uma grande honra e uma alegria sem fim, primeiro por contracenar só com gente que eu sou fã e segundo, por encarnar esse personagem tão divertido e que também foi uma grande referência para mim como ator.

LINHA ABERTA: A TV expõe e projeta o ator para um universo grandioso, mas ao mesmo tempo retira a liberdade e o anonimato dele. Como você administrou o sucesso que teve no início da carreira e como lida com o assédio do público hoje? Algo te incomoda nesse sentido?

MATEUS SOLANO: No início foi muito difícil ser famoso. Eu nunca falei muito sobre isso porque nunca me vi no direito de reclamar dessa popularidade, mas o anonimato é fundamental para um ator e é algo que a gente perde quando faz sucesso na televisão. Durante os primeiros anos eu tive muita dificuldade em administrar o fato de ser considerada “pessoa pública”. Hoje eu lido bem com isso, com humor. Mas, ainda gosto muito de viajar e ir a lugares onde eu posso assistir uma multidão que não me conhece.

LINHA ABERTA: Você é casado com a atriz Paula Braun e ambos têm dois filhos, Benjamin e Flora. Como você concilia o trabalho com a vida em família? Você é participativo nas atividades diárias das crianças?

MATEUS SOLANO: No momento eu estou de férias e é muito mais fácil para participar do dia a dia das crianças. Quando começa uma novela é mais complicado. Mas, como eu e a Paula somos artistas, isso faz com que sejamos compreensíveis um com o outro e com essa falta de rotina, e que nos suportemos ao longo da vida.

LINHA ABERTA: Você atuou no filme Talvez uma História de Amor, que foi rodado em Nova York, e também fez apresentações do espetáculo Selfie nos Estados Unidos e Portugal. Você já pensou numa carreira internacional?

MATEUS SOLANO: Não, eu nunca pensei numa carreira internacio­nal. Se bem que, como já foi dito, eu fiz coisas lá fora, levando a cultura brasileira para os gringos. Mas, acho muito importante aprender a falar um bom inglês e estar preparado para o futuro internacional, afinal a globalização só está começando.

LINHA ABERTA: Você é uma pessoa engajada nas questões am­bientais e até criou o grupo Mudar para Preservar, do qual participam diversos artistas. Além disso, você organiza ações de limpeza das praias e lagoas. Como você vê o papel dos famosos na defesa das causas sociais?

MATEUS SOLANO: Grandes poderes trazem grandes responsabi­lidades! E eu acredito que cada um, com o tamanho do seu poder, tem a obrigação de colocar o seu tempo em prol de um mundo melhor. Cada um faz isso de um jeito e eu escolhi a questão ambiental, na minha opinião, a questão das questões, já que sem água, ar ou natureza nenhuma outra questão se torna relevante. É urgente que mudemos os nossos hábitos, é urgente que falemos sobre o esgotamento dos nossos recursos naturais nas rodas de conversa ou virtualmente. Como artista e “influenciador” eu me vejo com uma grande responsabilidade para com quem me assiste e dá ouvidos ao que eu digo.

LINHA ABERTA: Quais são os seus projetos para 2020?

MATEUS SOLANO: Para este ano temos a Irma Vap, em fevereiro e março no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. Em abril e maio no Oi Casagrande, no Rio De Janeiro. Depois, se Deus quiser, emendamos uma novela das sete. Além disso, dois filhos para criar e muitos sonhos na cabeça. Acho que tá bom, né?

 

Texto ALETHÉA MANTOVANI
@ALETHEAMANTOVANI

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