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A Tirania do Medo

A maioria das pessoas vive sob a tirania do medo. Nossas instituições, nossas leis, nossos preceitos de vida na maioria das vezes não visam a encorajar o que valeria a pena ser vivido, a promover a intensidade da vida, mas somente a desencorajar ou a impedir o que poderia eventualmente prejudica-la. Assim, é o medo que nos governa em vez do desejo. Para quê?

Querendo eliminar todo risco, toda fonte de sofrimento, também eliminamos qualquer possibilidade de uma intensifica­ção inesperada da vida, nós esterilizamos o acaso, nós o amputamos de tudo o que poderia nos incomodar e, portanto, nos inspirar, nos acordar, nos fortalecer.

Às vezes a obsessão pela saúde e pela segurança contribui para encolher o ser humano. A duração da vida e a saúde são, em si mesmas, apenas molduras vazias, se não forem preenchidas com a intensida­de da própria vida. O que determina a duração da vida é a intensidade e não o contrário.

Quando não se sabe o que fazer da própria vida, resta apenas a esperança de que ela seja longa. As vidas de Airton Senna, Pepê, Mozart, Franz Schubert, são apenas alguns exemplos dessas vidas extremamente curtas, mas tão intensas que sua ressonância em nosso presente nos permite concluir que elas são na realidade eternas.

Colocam-se então as seguintes perguntas: de que temos medo? Do que queremos fugir, o que queremos, a qualquer preço banir, eliminar? Por que estamos prontos, em nome desse medo a reduzir a vida, torna-la lisa, previsível, indiferente? Por que estamos prontos, em nome desse medo, a sacrificar ao mesmo tempo os aspectos mais desejáveis, os mais gratificantes da vida? Pense nisso!

 

Texto JOSÉ INÁCIO PACHECÃO
@PROFESSORPACHECAO

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