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Carbofobia o Medo de Comer Carboidratos

Na busca por um corpo magro e per­feito, muitas pessoas estão deixan­do de comer alimentos essenciais para a manutenção adequada do organismo e ficando com verda­deira fobia de consumi-los. Um exemplo desses alimentos são os carboidratos e o medo de ingeri-los é a carbofobia. Segundo o nutricio­nista Rodrigo Moreira, a carbofobia é uma complicação relacionada ao comportamento alimentar e que pode desencadear respostas metabólicas nos indivíduos. As pessoas com carbofobia acreditam que o carboidrato é um macronutriente problemático e, por­tanto, passam a não comer os alimentos desse grupo. Elas acham que a exclusão pode trazer melhores resultados estéticos e mais saúde. “O indivíduo pode ter até mesmo dificuldade social, pois os carboidratos representam o gru­po que possui a maior quantidade de alimentos presentes no dia a dia das pessoas” – diz Rodrigo. Para o nutricionis­ta, essa tendência de cortar os carboidratos pode trazer pontos negativos e com situações extremistas. E isso pode acontecer quando há a exclusão do alimento (carbofobia) ou a mesmo a exacerbação, que é o consumo em excesso. Um indivíduo pode ser identificado com carbofobia quando ele abdica totalmente das fontes alimentares que contenham carboidratos. “O nosso corpo sente a necessidade de ingerir carboidratos e, portanto, a falta desse nutriente pode desencadear quadros de compulsão alimentar. Caso o indivíduo não esteja psicologicamente equilibrado, ele poderá ter compulsão no final do dia e , posteriormente, se julgar, crucificar e punir, terminando por fazer jejum” – conta.

O NUTRICIONISTA RODRIGO MOREIRA FOTO: ARQUIVO PESSOAL

De acordo com uma pesquisa reali­zada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), com financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC), a restrição de carboidratos na dieta é uma das pri­meiras atitudes tomadas por quem deseja perder peso. Porém, ela adverte que a falta desse nutriente pode causar danos à saúde mental dos indivíduos.

O psicólogo Alessandro Vianna afirma que o corpo humano precisa de todos os nutrientes para funcionar plenamente, tanto o aspecto físico, quanto o psíquico. “Precisamos entender que o nosso organis­mo funciona como uma engrenagem. Faço até uma analogia com um veículo que pre­cisa constar combustível, óleo, água, etc…” – diz. Para ele, uma dieta rica em gorduras e proteínas e, ao mesmo tempo, pobre em carboidratos pode levar o indivíduo a desenvolver um estado fisiológico chamado de cetoacidose, no qual as células não são capazes de utilizar os carboidratos como principal fonte de energia.

Na ausência desse nutriente, o cérebro passa a utilizar principalmente as gorduras como fonte energética. E como resultado do metabolismo das gorduras, há um aumento da produção de substâncias chamadas corpos cetônicos. “Tais substâncias levam o indivíduo a desenvolver sintomas como fadiga e mal-estar, podendo afetar negati­vamente o humor. Existem quadros de mau humor em virtude da falta de carboidratos, que são facilmente confundidos com um quadro que remete à depressão e que é chamado de distimia”- destaca Alessandro.

OUTRAS COMPLICAÇÕES

Além da deficiência nutricional e do mau humor, a restrição ao consumo de car­boidratos também pode ocasionar a queda na imunidade, tendência ao isolamento, cri­ses de ansiedade, irritabilidade, distorções visuais da própria imagem (vigorexia) e a obsessão por comida saudável (ortorexia). “Todo o organismo será afetado de alguma maneira caso haja alguma restrição ali­mentar, ou seja, o sistema nervoso central, os olhos, o processo digestivo, a tireoide e outros” – diz Rodrigo Moreira.

O tratamento para essa tendência de comportamento é oferecer informações educativas aos indivíduos e mostrar o que realmente acontece quando há esse tipo de restrição, como por exemplo, as mudanças rápidas e agudas que podem ocorrer com o organismo com a perda de água. Além disso, também há a perda do estoque de energia no músculo e no fígado, chamada de glicogênio muscular e hepático.

O PSICÓLOGO ALESSANDRO VIANNA FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A ajuda de um profissional especializado é de grande importância para que a carbofobia não se torne um problema maior na vida das pessoas. “É importante buscar sempre um profissional da área de nutrição para obter informações adequadas e verdadeiras sobre o que será melhor em cada caso” – afirma o nutricionista.

DEPOIMENTOS

O empresário Douglas Moreira Filho teve sobrepeso durante a sua infância e no começo da adolescência. Porém, aos 14 anos ele começou a fazer diversas dietas, inclusive a que excluía radicalmente os carboidratos. “Eu cor­tava todo tipo de carboidrato, não comia nada. Depois, quando eu ingeria alguma refeição diferenciada e com um pouco mais de açúcar, eu sofria um efeito rebote. Se eu tinha emagre­cido quatro quilos, eu engordava seis, e isso me deixava muito frustrado e nervoso. Daí eu começava a fazer exercícios durante quatro ou cinco horas por dia para compensar e não via resultado. Eu ficava numa paranoia!” – conta.

Depois disso, ele diz que buscou a ajuda de um nutricionista, que modificou a sua dieta e acrescentou a quantidade ideal de carboidra­tos, fazendo com que seu peso ficasse dentro da normalidade.

Já a estudante de nutrição Emne Ghazza­oui conta que também fez a dieta que cortava os carboidratos, porque trabalhava na área de eventos e só convivia com pessoas magras e com corpos perfeitos, obtidos a partir de lipoaspiração e outras cirurgias. “Meu corpo era natural, não era igual ao das outras mulheres e, portanto, eu precisava me adequar ao padrão” – diz.

DOUGLAS MOREIRA FILHO FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Então, Emne passou a comer pouca quantidade dos alimentos desse grupo e depois, cortou de vez. Além disso, ela afirma que usou muito laxante, diurético e que bebeu até mesmo água destilada de carburador. Por ter cortado o consumo de carboidratos durante muitos anos, ela conta que não tinha forças para se exercitar. “O resultado disso foi que eu fiquei bem flácida, com muita celulite, não conseguia ganhar mas­sa muscular e ficava com a aparência de uma pessoa doente”- afirma a estudante.

Após esse período, ela diz que não conseguiu manter a dieta e passou a comer carboidratos normalmente. E foi justamente após essa mudança que Emne obteve mais resultados. “O meu corpo começou a responder melhor quando eu voltei a comer carboidratos e desencanei da dieta rigorosa. Hoje eu tenho mais disposição durante o treino, tenho mais massa muscular, menos flacidez e o meu per­centual de gordura é mais baixo do que anteriormente. Além do meu humor que melhorou muito!”- conta.

 

Texto Alethéa Mantovani
@aletheamantovani

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