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Suplemento Termogênico – O Vilão Que Pode Trazer Danos à Saúde

Os suplementos termogênicos são substâncias da moda, muito utilizadas por atletas ou pessoas comuns que praticam atividades físicas e desejam a perda de peso rápida. Porém, o uso dessas substâncias consideradas “milagrosas” pode causar danos à saúde, como o infarto do miocár­dio, o acidente vascular cerebral (AVC), a hipertensão, as arritmias e até a perda da visão. Essas medicações promovem o aumento da temperatura corporal, acele­ram o metabolismo e proporcionam uma queima calórica maior durante a prática de exercícios. Eles podem ser à base de cafeína, sinefrina, efedrina e dimetilami­lamina – os dois últimos causando efeitos colaterais graves.

O Dr. Victor Sorrentino, que é um médico especializado em medicina preventiva e que busca a promoção da longevidade, afirma que não costuma prescrever aos seus pacientes o uso de termogênicos prontos à base de cafeína ou que contenham efedrina. Ele afirma que as substâncias em altas doses podem causar agitação, ansiedade, insônia e dores de cabeça. “É uma estratégia que não vale à pena! Existem outros ativos que pode­riam somar e funcionar como sinérgicos para melhorar a termogênese, como as pimentas, a cúrcuma, o açafrão, o gengibre, a erva-de- são-joão e outros” – diz.

Segundo apontam alguns estudos, um organismo que utiliza os termogênicos pode gastar a mais por dia, aproximada­mente, de 100 a 200 calorias somente. Por­tanto, segundo o doutor, não faz sentido utilizar estas substâncias para a promoção da termogênese. “Não existe melhor ter­mogênico do que um exercício físico bem realizado!” – comenta o médico.

Sobre as efedrinas, Sorrentino enfati­za que estas substâncias podem proporcio­nar um desfecho ruim aos pacientes que as utilizarem. “Tais substâncias representam um perigo, pois podem causar síndrome do pânico, taquicardia e até infarto em algumas pessoas, uma vez que sobrecar­regam o nosso sistema. Ao executarmos um exercício físico, tudo o que nós não queremos é que isso aconteça, pois o ideal é levá-lo a uma aceleração normal”- afirma. Ele explica que, ao sobrecarregamos o nosso sistema com uma carga externa, uti­lizando um ativo que potencializa muitas vezes os efeitos do próprio exercício e des­carregando uma quantidade absurda de adrenalina na corrente sanguínea, pode­mos ter prejuízos como: o envelhecimento, a perda de massa muscular e outros.

Nos Estados Unidos existem muitos medicamentos à base de efedrina, pois não há uma regulamentação por parte da FDA (Food and Drug Administration). “A responsabilidade é da pessoa que compra o medicamento. Porém, há casos em que os suplementos possuem uma quantidade maior do que aquelas descritas na emba­lagem, pois o controle não é tão bom. Con­sequentemente, a pessoa que utilizar esse tipo de termogênico poderá ter uma perda da performance”, garante Sorrentino.

A cardiologista especialista em espor­ tes, Dra. Nicolle Queiroz, afirma que o maior risco dos termogênicos à saúde está relacio­nado à quantidade que tais substâncias se­rão utilizadas. “Esse é o principal risco para o organismo, pois às vezes a quantidade do termogênico é superior à dose indicada por dia ao praticante de esporte, podendo até mesmo levar à morte”- diz.

Os sintomas aparecem quando há ex­cesso do uso de termogênicos elaborados à base de cafeína, por exemplo. “A substância em altas doses tem um efeito muito pare­cido com as medicações para emagrecer tipo Ritalina e Venvanse, que estimulam a atenção e proporcionam mais disposição aos usuários” – adverte. Quando nos exercitamos, o sistema nervoso simpático au­menta as sensações no organismo, portanto aparecem sintomas como palpitação, dor de cabeça, alteração da saliva (boca mais ressecada), tremores, insônia e irritabilida­de. “Estas ‘drogas’ estimulam o cérebro e o preparam para uma fuga”, – conta a doutora.

No caso dos jovens, as arritmias benignas ou potencialmente graves podem aparecer se o termogênico for associado com o álcool, e se tal prática for mantida durante por muito tempo. “A principal arritmia é a fribilação atrial e o grande risco é o derrame, pois o coração bate de forma inadequada, como se fosse um liquidifica­dor. E, por isso, o sangue parado em algum cantinho do coração se transforma em trombo. Ao ser bombeado de forma efetiva, esse trombo se solta do coração e pode cau­sar embolia pulmonar, derrame cerebral, infarto, embolia periférica (na perna, por exemplo). Portanto, o maior risco neste caso é o acidente vascular cerebral (AVC)” – adverte Dra. Nicolle.

Os pacientes quem já têm hipertensão ou alguma alteração genética, predispondo às arritmias ou a algo que altere o ritmo do coração, poderão ter morte súbita, segundo a doutora. São estes casos que, hoje em dia, vemos aumentar consideravelmente entre os jovens esportistas. Além disso, outros fatores que podem estar relacionado à morte súbita de jovens são: o uso do tabaco, o sedentarismo e a obesidade.

O ideal, segundo a médica, é que as academias estejam atentas e peçam aos alunos um exame minucioso. “Muitas aca­demias sérias ou professores só iniciam a prática de exercícios físicos após um exame detalhado e avaliado por um cardiologista especialista em esporte. Não adianta fugir do médico e achar que só o exercício irá resolver o seu problema de sedentarismo ou alguns quilos a mais. O acompanhamen­to é essencial para a prática saudável do esporte, com foco no objetivo esperado e sem riscos graves à saúde”- afirma.

DEPOIMENTOS SOBRE OS TERMOGÊNICOS

A gerente de vendas Andressa de Godoy conta que já fez uso dos termogênicos, sob a forma de energético. “Há um ano eu tomei energético para me manter acordada e comecei a sentir palpitações, tremedei­ra e mal estar. Por orientação da minha cardiologista, fui ao pronto-socorro e fiz um eletrocardiograma, que mostrou os meus batimentos bastante alterados. Fui medicada e não tive sequelas, porém até hoje faço acompanhamento. Fui proibida de tomar novamente os termogênicos, pois meu coração não iria aguentar!”- conta Andressa.

Outro caso é o da estudante de Direito Sandra Fagundes, que começou a tomar uma cápsula de 210 mg de cafeína por dia, para ficar mais atenta aos estudos. Ela per­cebeu que, ao utilizar o termogênico duran­te a prática de exercícios, a sua disposição era diferente dos dias em que não tomava. “Eu sentia as mãos trêmulas, muito calor e uma exaustão muito grande após o efeito. Eu me sentia um verdadeiro zumbi!”- afir­ma. Após algum tempo, a cafeína não fazia mais efeito, então ela mudou para um com­posto pré-treino, feito à base de Taurina e uma dose de cafeína menor que a anterior. Ela passou a sentir mais força para fazer o exercício e sem o efeito rebote que a alta dose anterior de cafeína proporcionava. Além desse suplemento, a estudante toma BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada) para proteger os músculos. Todas essas substâncias foram indicadas na própria academia.

A OPINIÃO DA NUTRICIONISTA

Segundo a nutricionista e naturóloga Dra.Thayana Lucy Albuquerque Kirchhoff, os termogênicos devem ser utilizados com muita cautela, pois sem uma anamnese adequada eles podem trazer prejuízos à saúde. “Os pacientes em hipótese alguma devem utilizar os termogênicos por conta própria!”- afirma. O ideal é que seja feita uma avaliação de cada indivíduo, para que não haja surpresa. “O paciente terá o seu estado de saúde avaliado, ou seja, o histórico familiar de doenças e o objetivo a ser alcançado. Se ele reclama que o metabolismo está lento e deseja queimar gordura, o primeiro passo é ajustar a die­ta, prescrevendo as calorias e nutrientes adequados”- diz.

Porém, se já existe algum risco car­diovascular ou tratamento para ansieda­de e síndrome do pânico, a nutricionista afirma que não podemos utilizar nada que vá acelerar os batimentos cardíacos e causar palpitação. “Devemos ainda ter cautela caso o indivíduo sofra de algum problema neurológico, no fígado, ou rela­cionado à insônia”- adverte. As pessoas mais jovens, segundo a nutricionista po­dem ter complicações graves após fazer o uso destas substâncias. “Esse público pode infartar utilizando os termogênicos sem qualquer tipo de orientação. Portan­to, não se deve arriscar a vida pela busca ‘cega’ de um corpo magro!” – ressalta.

Thayana recomenda, inicialmente, a utilização de alguns alimentos termo­gênicos na dieta, em baixas doses, como um suco com pedacinhos de gengibre ou uma receita que leve uma pitada de canela. Aos poucos, dependendo do pa­ciente, podem ser incluídos alguns chás termogênicos, como o chá verde. “Pode ser que o paciente já tenha um resultado para a redução de medidas somente com a utilização de alimentos termogênicos e uma dieta bem calculada” – afirma a naturóloga. Ela ainda faz um alerta sobre a utilização das cápsulas de cafeína, pois é importante saber se o indivíduo gene­ticamente metaboliza a substância lenta­mente ou de forma rápida. “Pessoas que têm um metabolismo lento da cafeína não devem tomar mais que duas xícaras de café ao dia, pois isso aumenta o risco cardiovascular para o infarto”- conta.

O mais prudente, segundo a espe­cialista, é deixar o uso de suplementos termogênicos como a última opção e, antes disso, utilizar outros suplementos que possam auxiliar no emagrecimento, sem que haja efeito no sistema nervoso central. “Existem opções com poucos efeitos adversos que aumentam a sa­ciedade, impedem a absorção excessiva de carboidratos e gorduras, diminuem a ansiedade por comida, além de não interferirem nos batimentos cardíacos. São elas a chia, a linhaça e o psyllium” – garante.

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