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Ele Me Escolheu

Entre todos os filhos de Jacó, Deus escolheu José, o primogênito de Raquel, para fazer dele o “Zafnat­-panea” (Salvador do mundo). Quase mil anos mais tarde, o Senhor Deus vê a família de Jessé, em Belém, escolhe o ruivo Davi e o tira de detrás da malhada para que se tornasse o famoso rei e poeta de Israel.

Entre José e Davi – e entre Davi e meus pais, três milênios depois – é claro que inúmeros outros também foram escolhidos, chamados e equipados para missões espe­ciais, mas, respeitando as devidas propor­ções, em meados do século 20 foi a minha vez. Ele, o Deus Todo-poderoso, de fato me escolheu ─ o quinto entre onze filhos, nasci­do numa família financeiramente muito pobre. Calcei sapatos pela primeira vez aos dez anos, época em que chegamos de mu­dança em Barra Mansa, no Estado do Rio.

Completei o primário aos 12 ou 13 anos, ocasião em que abandonei a fé legalista da família e me tornei vendedor de sucata de ferro que catava no lixão da fábrica Barbará. Aos 17 anos me tornei convicto comunista, ao ponto de participar de importante reunião secreta do Partido, àquele tempo, fora da lei.

Aos 20 anos, prestava eu o serviço militar no Batalhão anexo à Academia Militar de Agulhas Negras, e tinha já um número crescente de correligionários entre os soldados. Foi nessa ocasião que minha mãe, percebendo talvez os riscos que eu corria, me disse: “Abraão, estou orando por você”. Então aconteceu um milagre: tive uma conversão dramática ao evangelho. De­sapareceu totalmente da minha vida tudo o que havia de marxismo, de ateísmo e de sabatismo.

Após minha conversão num templo metodista, frequentava as reuniões de jovens na igreja presbiteriana e a escola dominical na batista. Mas no dia 17 de setembro de 1959 Deus me colocou na Assembleia de Deus de Resende, onde fui batizado nas águas em 8 de novembro da­quele ano. Quatro anos mais tarde, Deus me deu uma esposa abnegada, comprometida com o Reino de Deus, a quem devo o mérito da maior parte das minhas realizações. Ela e nossos quatro filhos, genros e sete netos só me enriquecem a vida.

Ele, o Senhor Deus, realmente me escolheu, e a graça dele fez de mim líder de jovens, regente de coral, articulista desde 1961, redator e diretor das publicações da CPAD, autor, desde 1978, de 34 títulos em português e 12 em espanhol, revisor da Bíblia ARC de 1956 (ECA), da Bíblia da Imprensa Bíblica Brasileira (Almeida Século 21), e membro do Comitê de Tra­dução da NVI. Sentado em meio a eruditos nas línguas bíblicas e no vernáculo, me vinha sempre à mente a oração de Ana, na qual afirma ela que Deus “Levanta do pó o necessitado e do monte de cinzas ergue o pobre; ele os faz sentar-se com príncipes e lhes dá lugar de honra”.

Como se tudo isso fosse pouco, Deus me permitiu: (1)participar do Comentário Latino-americano da Bíblia (espanhol-por­tuguês) com o artigo “O Período Intertes­tamentário”; (2) participar como autor de verbetes na Bíblia Brasileira de Estudo;

(3) manter uma coluna na Revista Graça desde 1999; (4) pertencer ao rol da Cambridge Who’s Who, de Nova York, e (5) traduzir para a língua portuguesa o Dr. Charles Stanley.

De nada disso, porém, posso me gloriar. Não fui eu quem O escolheu; foi Ele quem me escolheu e capacitou. E quando olho para a cruz, na qual morreu Jesus, toda a minha glória acaba!

Todavia, diante de tudo o que Deus me fez, pergunto a Ele, como o fez Davi: “Quem sou eu, Senhor Jeová, e que casa é a minha, para que me tenhas trazido até aqui? …É esta a lei de homens, Senhor Jeová?”

Que mais posso dizer? Acercando-me dos oitenta anos de idade e sessenta de fé, só me resta reconhecer, diante de Deus, que tenho tanto a agradecer-Lhe, e tão pouco a pedir.

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