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Alimentação Intuitiva Seria o Fim da Dieta?

Desde que o tema “saúde & bem-estar” ficou popu­lar, lá no início dessa década, até hoje, houve muita distorção e até má interpretação. A combinação de saúde e bem-estar é a receita ideal para a plenitude. Afinal, a ausência de doença, combinada à sensação de estar bem, é um dos principais an­seios dos que buscam viver uma vida de qualidade. Para esses, se sentir “mais ou menos” não basta. Os adeptos à vida saudável querem mais, não se satis­fazem com momentos bons, querem vida longa e plena, querem tudo e querem agora. A harmonização da saúde e bem­-estar atraiu muitos seguidores que adotaram um estilo de vida mais saudável, abandonando maus hábitos, tais quais o fumo, o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo e a má alimentação. Esse movimen­to pela saúde se intensificou de tal forma que acabou associado à perda ou manutenção de peso. Claro, pois quem adota uma vida saudável e passa a se movimentar mais e se alimentar de forma saudável, em geral acaba eliminando algum peso excessivo, pelo simples fato de adaptar seu estilo de vida. Sem focar na restrição, mas em incorporar mais alimentos saudáveis à alimentação, naturalmente o paladar passa a ser mais requintado e alimentos processados já não satisfazem tanto. Assim como a prática de atividade física que, quando desfrutada, passa a ser realizada por prazer, e não por obrigação. Por isso o sucesso do conceito “saúde e bem-estar” – cujo foco nunca foi a dieta ou o emagrecimento, mas simplesmente o que ele esclarece por si só: a manutenção ou me­lhora da saúde e da sensação de bem-estar.. A simplicidade saiu de cena quando a cultura da dieta encontrou uma oportunidade de lucro, e a indústria do emagrecimento pas­sou a divulgar suas pílulas milagrosas, shakes e outras armadilhas com a sedutora promessa de “saúde & bem-estar”. Em tempos de luta contra o bullying – em que (finalmente) não se pode criticar alguém pelo seu peso ou aparên­cia física – disfarçar a venda do emagrecimento com a promessa de que o consumidor poderia passar a se sentir melhor e ficar mais saudável foi uma bela estratégia de marketing.

Foi assim que o ingênuo e promissor tema foi confundido com a injusta cultura do emagrecimento. E como dieta não combina nem com saúde, tampouco com bem-estar, surgiu recentemente a alimentação intuitiva. Surgiu ou voltou? Alimentação intuitiva é a forma mais intrínseca de alimentação, que conhecemos desde crianças. Quando um bebê recusa alimento é normalmente, porque está satisfeito, sem fome, ou o que foi ofertado não é o que ele quer. Quando uma criança começa a abrir a geladeira ou agarrar a comida que estiver ao seu alcance, é porque está com fome.

Nascemos sabendo identificar quando estamos com fome e quando estamos satis­feitos. Esse é, muito basicamente, o princípio da alimentação intuitiva. O conceito é muito mais complexo e exige uma boa dose de auto­-conhecimento, e em alguns casos até acom­panhamento médico, já que pode envolver o tratamento de transtornos alimentares. Mas em geral, e superficialmente, para adotar uma alimentação intuitiva, bastaria nos livrarmos de regras que remetam à dieta e passarmos a tomar nossas decisões quanto à alimentação de forma consciente.

Sabemos quando estamos com sede, assim como quando precisamos urinar. Tão simples, como podemos identificar quando estamos com fome, sem precisar calcular se passaram 3 horas da última refeição, ou checar um aplicativo, colocar um despertador, nem calcular quantas calorias já foram consumidas no dia.

O problema é que ao longo da vida, com todas as informações que recebemos de “certo” e “errado” em se tratando de alimenta­ção, e por infelizmente estarmos inseridos na cultura da dieta – ainda que não participemos ativamente, afinal mesmo quem não está “de dieta” presencia diariamente as ofertas, discriminação e convites a integrar o exército da restrição alimentar – nos distanciamos da nossa habilidade nata de perceber e confiar nos nossos sintomas de fome, satisfação, necessidade de movimento e de descanso.

Com a atenção voltada para a alimentação intuitiva, as dietas estão perdendo o foco e saindo de cena (antes tarde do que nunca), porque quem conhece e respeita seu corpo e suas vontades sabe, que restrição faz mal, assim como exageros. Intuitivamente sabemos quando estamos com fome e quando estamos satisfeitos; sabemos também que comer alimentos naturais e saudáveis faz bem e nutre o corpo; e que movimentar o corpo, e controlar os níveis de estresse faz bem, e nutre a alma.

Vale destacar que a razão pela qual dietas não funcionam é exatamente o fator restrição.

Quando restringimos um alimento ou um grupo alimentar inteiro, é exatamente esse que será o objeto de desejo, seja durante ou após a dieta, e é a ele que a vítima da dieta vai se entregar incontrolavelmente em determinado ponto, ou sofrer de abstinência e compensar com outros alimentos que não suprirão essa falta.

Atualmente, os dietistas, nutricionistas e médicos americanos que defendem a teoria “anti-dieta” estão lutando pela divulgação da “saúde em qualquer tamanho” e que alguns corpos simplesmente nasceram para ser maiores, assim como outros são menores por natureza. Lembrando que o foco é sempre a saúde e o bem-estar de cada indivíduo, com suas preferências e necessidades específicas que nos torna únicos, e que certos casos de intolerâncias ou alergias obviamente exigem restrição ou uma dieta alimentar específica para um caso clínico, que não pode ser confun­dida com as dietas que visam emagrecimento.

Cada indivíduo sabe o que o faz bem, e principalmente o que faz mal. O importante é encontrar um equilíbrio, que o permita fazer o que gosta e o que o faça bem. A alimentação intuitiva não significa abandonar a “dieta” e passar a comer tudo o que vê pela frente, e até parar de fazer exercícios porque não gosta. Nem é uma desculpa para parar de ser cuidar, se amar e se respeitar. Pelo contrário, pois quem se respeita, se dedica a conhecer seu corpo e o escutar. Assim passa a entender que o consumo de alimentos saudáveis, puros, limpos, de fontes naturais e caseiros, proporcionam mais energia e vitalidade, favorecendo por consequência, a pratica de atividade física, que por sua vez, é realizada de forma natural, sem obrigações e tendo como objetivo apenas a manutenção da saúde.

É tempo de resgatar a alimentação intuiti­va, o amor próprio, o respeito por si mesmo e pelo próximo; valores que conhecemos desde pequenos. O momento é propício também para termos mais respeito pelo próximo, seu prato, suas escolhas e seu corpo. Podemos poupar as próximas gerações educando nossas crianças a se respeitarem, a terem amor próprio e a não verem a comida como uma ameaça, nem a atividade física como uma forma de punição pelo ganho de peso. Resga­tar valores antigos pode mudar a forma como vemos e tratamos nosso corpo, além de ser uma ferramenta contra as ameaças modernas, como o bullying, as dietas, restrições alimenta­res e afins.

Com dietas e desafios dos famosos transbordando na mídia e tomando conta das conversas, talvez seja hora de tomarmos consciência de que se dietas fossem eficazes não haveriam tantas, e elas dariam certo, com resultados duradouros. Se for buscar informações, verifique suas fontes e consulte um médico ou profissional qualificado, em vez de seguir recomendações de influenciadores das redes sociais. Tenha em mente que o que funciona para um organismo nem sempre vai funcionar para outro, e principalmente que somos todos únicos e ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos.

Fica aqui o convite para que você tome suas decisões com relação à alimentação de forma mais intuitiva, olhe mais para si mesmo, não tanto para as tendências, se restrinja menos e se permita mais, partindo sempre do princípio do respeito e amor próprio. Desejando-lhe abundância de saúde, bem­-estar e respeito por si mesmo,.

Sabrina Powell é pós-graduada em Saúde e Bem-estar, Bacharel em Turismo e Lazer. É proprietária da Movimento Wellness – a movement for well-being Coach de Saúde e Bem-estar e Instrutora de Pilates.

Informações sobre o tema pelo E-mail:

coach@movimentowellness.com ou no site www.movimentowellness.com.

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