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Socorro – Sou Dependente Afetivo! E Agora?!

Será que sou um dependente emo­cional? Qual a causa da dependência emocional? Como descubro se vivo em relações de dependência? Todos nós nascemos, de uma maneira ou de outra, como seres muito depen­dentes dos cuidados maternos. Isso evolutivamente se justifica pelo fato da nossa espécie privilegiar primei­ramente o desenvolvimento cerebral intrauterino e posteriormente o físico logo após o final da gestação. Desta forma ao longo dos anos, podemos adquirir maturidade emocional e física por meio de nossas experiências, estímulos e vivências. Porém algumas pessoas não conseguem atingir a autonomia emocional necessária para enfrentar as situações de frustração que a vida nos reserva, sejam elas simples ou complexas.

Eventos traumáticos como perdas ou separações drásticas e mesmo casos de mortes ou suicídio que não puderam passar pelo processo adequado de luto, provocam sentimentos de culpa e abandono nas crianças. A falta de uma figura de referência ou de um adulto minimamente estável que acolha esta dificul­dade durante o momento mais crítico do crescimento, pode precipitar no futuro a projeção desta sensação confusa de abandono em diversos campos da vida do paciente. Além de eventos do passado, episódios de grande estresse emocional e mudanças radicais pode­riam ser associadas à este sofrimento psíquico.

Estas seriam portanto, as causas mais comuns da dependência afetiva traduzida, em linhas gerais, como uma necessidade constante de suporte externo para a tomada de decisões ou para nos sustentarmos emocionalmente. Desta maneira, as experiências no passado e no presente podem levar uma pessoa a viver em constante ansiedade e com medo de uma perda eminente, do abandono, da rejeição e da negli­gência. Alguns estudiosos chamam isso de angústia de separação! Certamente você conhece alguém assim ou mesmo se reconhece nesta situação.

Se somos dependentes, provavel­mente vamos escolher um “objeto” para preencher a percepção de vazio que caracteriza este tipo de angústia. Esta tentativa se dá por meio de uma pessoa, das drogas, pela busca constante apro­vação e segurança.

Até certo ponto uma relação afeti­va, o comprometimento ou o pertenci­mento à uma coletividade são saudáveis e nos trazem conforto pois sabemos que não estamos sozinhos na vida. Assim, ser espontâneo e ter autonomia para exercitar a liberdade e os próprios desejos é fundamental para que a per­sonalidade não se confunda com estes objetos.

Num relacionamento amoroso de dependência, a necessidade da presen­ça constante do parceiro(a) se mostra muitas vezes mais importante que os sentimentos de respeito, amor e afeto. Essa dinâmica influencia a relação como um todo pois traz consigo comporta­mentos de submissão, apego e tentativa de controlar o outro. De maneira cons­ciente ou inconsciente surgem “jogos emocionais” sobre a fantasia de estar ou não sendo amado e a expectativa de receber a tal “prova de amor” que pode nunca chegar.

Muitas vezes o relacionamento está péssimo e o casal insistentemente, se mantém em sofrimento e infelici­dade. A consequência deste “arranjo afetivo” é que um dos amantes deixa de lado a sua própria vida para se dedicar integralmente à um relacionamento já em frangalhos.

Será que vale a pena tanto esforço? Poderia ser a hora de dizer basta e bus­car ajuda para a mudança! Mas na práti­ca não é bem assim, por estar constan­temente fragilizado com os fantasmas do passado, o dependente se sustenta no pouco que tem e segue precarizando a sua própria autonomia.

Apesar de ser algo difícil, t emos que nos acostumar com o caráter transitório e variável das relações. Nada permanece igual para sempre e aquilo que idealizamos provavelmente não será exatamente o que vamos experimentar. Uma amizade, um emprego, um namoro, um casamento, a vida propria­mente dita têm sempre um lado fulgaz e instável.

No entanto, o dependente afetivo lida com a hipótese do fim das relações como se estivesse sendo abandonado de fato, coloca-se como a vítima e o outro como o algoz. Ou seja, cria o enredo de que foi desprezado mesmo depois de ter feito tudo por alguém, tornando ainda mais a difícil a reparação da coisa em si.

As instituições, as empresas também podem ocupar esse caráter de segurança afetiva. Se por acaso houver uma demissão ou afastamento, isso acaba sendo interpretado como rejeição. Este episódio se torna um pesadelo para o dependente emocional patológi­co que esperava da instituição a segurança que não teve em diversas relações ao longo da vida. Assim a capacidade de resiliência que é justamente a possi­bilidade de superação dos traumas, a auto crítica e a relativização dos acontecimentos ficam profunda­mente comprometidos nesses casos.

Os sintomas mais comuns que surjem são depressão, crises de ansiedade, pânico, isolamento, agressividade e projeção da responsabilidade em alguém ou algo específico. Bem estranho não, se você se sente sufocado em ler esta descrição, imagine-se vivendo neste cenário repetitivo. Um dependente afetivo pode ser controlador, agressivo, hipervigi­lante, obsessivo, violento contra o outro e contra si mesmo, para chamar atenção. Paradoxalmente, pode ainda ser passivo, demasiadamente dócil, submisso, infantilizado e extremamente obediente para evitar o abandono. Você se reconheceu em algum desses sintomas?

O tratamento da dependência afetiva é basica­mente realizado por psicoterapia podendo ou não ter algum suporte medicamentoso quando existe o agra­vamento do quadro. Quando o paciente finalmente busca uma psicoterapia, geralmente é porque o pro­blema já está instalado ha algum tempo. O profissio­nal de psicologia fará uma pesquisa cautelosa sobre todas as possíveis causas da dependência afetiva, sejam em eventos da infância, nas primeiras relações com as figuras de cuidado ou em eventos atuais.

Neste percurso o paciente aprende a controlar sua ansiedade e tem a oportunidade de mudar o padrão dos relacionamentos repensando e elaboran­do melhor seus comportamentos, as origens de sua dependência e da sensação de abandono. Isso se dá sempre com o auxílio de um profissional gabaritado, treinado e com experiência neste campo. Os efeitos de uma boa psicoterapia podem ser duradouros e, como consequência do tratamento, surge o amadure­cimento psíquico e emocional inclusive com melhora da autoestima e confiança do paciente. Se você perce­be algo semelhante em você, talvez seja o momento de buscar ajuda. Acredite, é possível ser mais Feliz!

Leonardo Mariano – Psicoterapia Online para Brasileiros residentes em todo o Mundo. Psicólogo Clínico, Psicanalista e Farmacêutico. Mestrando em Psicanálise pela Universidade Paris 7 Diderot (Sorbonne Cité Paris, France). Contatos pelo email: psicontemporanea.sp@gmail.com

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