Governo Argentino Busca Apoio Político para Aprovar Orçamento

O governo argentino está inten­sificando as articulações politicas para assegurar a aprovação, no Congresso, do projeto de Orçamento de 2019, que prevê cortes de gastos públicos num ano em que – segundo as previsões oficiais – a economia vai retroceder 0,5%. A proposta, apresentada pelo ministro da Economia, Nicolas Dujovne, começou a ser debatida em setembro.

Deputados da oposição reagiram à apresentação, afirmando que não iriam aprovar os ajustes às pressas – apesar da urgência do governo.

O orçamento prevê inflação anual de 23% em 2019 (cerca da metade do índice de 45% estimado para este ano) e um dólar de 40 pesos (valor que alcançou depois de duas corridas cambiais e que o Banco Central está tentando manter com a venda de reservas). O governo quer aprovar logo a proposta para dar um sinal ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de que tem apoio político para zerar o déficit no ano que vem, apesar de não ter maioria no Congresso.

Neste momento, a Argentina está renegociando com o FMI o acordo fecha­do em junho, que assegurou um empréstimo stand-by de US$ 50 bilhões. A entidade já liberou US$ 15 bilhões, para ajudar o país a enfrentar a crise cambial de maio. O resto do dinheiro seria en­tregue em parcelas, a cada três meses, sempre e quando fossem cumpridas determinadas metas. Mas, depois da segunda corrida cambial em agosto, o governo viu-se obrigado a pedir uma antecipação dos desembolsos, para recuperar a confianca dos mercados.

O FMI divulgou comunicado sobre as reuniões que manteve com autori­dades argentinas, em Buenos Aires, e “os avanços importantes” feitos para “concluir” a renegociação. O Banco Cen­tral tem vendido reservas para manter o dólar estável: elas caíram de US$ 63 bilhões, no fim de junho, para US$ 50 bilhões, em setembro. O governo vai precisar dos votos de 140 deputados e 50 senadores para aprovar o projeto de Orçamento – número que só pode conseguir com o apoio de partidos da oposição. Por isso tem mantido reuni­ões com os peronistas moderados, que governam várias províncias.

As articulações estão sendo feitas em um momento complicado. Em 2019 serão realizadas eleições gerais na Argentina e o presidente Mauricio Macri deve ser candidato a segundo mandato pela coligação governista Cambiemos (Mudemos). Ao assumir, em 2015, ele prometeu retomar o crescimento econômico. Mas, este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) terá uma queda de 2,4% e em 2019 encolherá mais 0,5%.

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