Estados Unidos Retomam Sanções ao Irã e Apoiam Protestos Populares

Entrou em vigor em agosto um pacote de sanções dos Estados Unidos ao Irã que havia sido suspenso após o acordo nuclear de 2015 e que atinge a emissão de dívida, o comércio de metais e as transações em dólares e riais. O Governo de Donald Trump espera que, com essa asfixia econômica, o Irã se veja obrigado a retirar seu apoio a grupos terroristas e retroce­der no que considera serem ingerências territoriais no Oriente Médio. Washington nega alentar a queda do regime islâmico, mas dá seu pleno apoio aos protestos de cidadãos iranianos incomodados com a corrupção e a crise financeira.

Trump encerrou orgulhosamente uma etapa na geopolíti­ca norte-americana, num movimento que amplia sua distância em relação à Europa, que prefere manter vivo o acordo nuclear com o Irã. Depois desta primeira fase de novas sanções que entrou em vigor em agosto, ele afirmou que em novembro serão retomadas as penalizações a empresas petroleiras e de transporte. A Administração republicana enterra definitivamen­te o incipiente degelo com o Irã promovido por seu antecessor democrata, Barack Obama, cristalizado no acordo de 2015 entre Teerã, Washington e outras cinco potências. A Casa Bran­ca retoma a política de pulso firme, sob o dogma de que essa é a única via para obter uma espécie de rendição completa da cúpula clerical iraniana.

Mas Brett Bruen, um diplomata que trabalhou como che­fe de comunicação global da Casa Branca de Obama, considera que os EUA pagarão um “preço alto” pela perda de credibilidade ao renegarem o acordo, e também porque é provável que o Irã aumente sua ofensiva cibernética contra os EUA ou seu apoio a rivais no Oriente Médio. “É uma aposta perigosa. Washington está em geral agindo sozinho e sem muito planejamento”, disse ele por e-mail.

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