A Terceira Onda os Desafios de Empreender nos EUA

Os números não param de subir e já devemos estar nos aproximando de 4 milhões de brasileiros no ex­terior. O descontentamento com a situação política e econômica no Brasil, além do sentimento de insegurança, estão entre os principais motivos pelo recente êxodo de brasileiros, já conhecido como Terceira Onda.

Diferentemente da Primeira, ocor­rida há algumas décadas atrás, quando brasileiros de baixa renda migraram para os EUA para “ganhar a vida” e da Segunda, composta principalmente por executivos de empresas multinacionais se abrindo e começando a marcar presença no exterior, esta Terceira é basicamente composta por empresários e executivos brasileiros com alto poder aquisitivo, alta escolaridade (94% com nível superior completo ou acima) e que resolveram deixar o Brasil com a família para morar, investir e empreender por essas bandas.

Estamos presenciando, provavelmente, o período de mais forte investimento da comunidade brasileira em solo americano até hoje. Por mais experientes e capacitados que sejam os patrícios que compõem essa onda mais recente, os desafios são gigantes quando falamos em empreender em um país tão competitivo como os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que vemos brasileiros se des­tacando e montando negócios bem-sucedi­dos, temos inúmeros casos de negócios que consomem milhões de dólares e que fecham suas portas causando grandes prejuízos aos investidores brasileiros.

Durante meus seis anos de Estados Unidos pude empreender tanto no varejo quanto na área de serviços. Baseado na minha experiência particular e observando outros brasileiros atuando no sul da Florida, percebo que o desafio tende a ser maior para os negócios do varejo, seja no ramo alimentício, da moda ou qualquer outro segmento.

Vê-se que a grande maioria dos em­preendedores parte para a montagem de um negócio sem antes uma pesquisa séria e profunda do mercado, de um estudo da viabilidade de seus produtos, da validação dos canais de venda e distribuição, entre outras análises importantes que embasem e justifiquem o investimento.

Juntam-se a isso, pontos críticos como o tempo de aprendizado na gestão da mão de obra local, o entendimento do mercado imobiliário (escolha do ponto de venda), da cultura local e, principalmente, uma boa noção da brutal concorrência com outras marcas, não só americanas mas também internacionais tentando se estabelecer nesse mercado vitrine e também consumi­dores que não perdoam o erro até por conta da quantidade de marcas disponíveis no mercado.

Assim como no Brasil, aqui a buro­cracia pode azucrinar, ao contrário do que pensam muitos brasileiros que aqui chegam para empreender. O que difere grandemen­te, a meu ver, é o fato de que nos Estados Unidos existe transparência e se a pessoa estiver informada, saberá o quanto essa bu­rocracia lhe custará e quanto tempo tomará. Sabemos de casos em que a desinformação, acabou custando milhões aos investidores antes mesmo da abertura do negócio, invia­bilizando qualquer retorno.

Não acredito em fórmula única ou caminho fácil para o sucesso. No entanto, se os pontos acima forem realmente conside­rados, a chance de vir a fazer parte do grupo de casos de sucesso aumenta significati­vamente, o que é fundamental para que a comunidade brasileira siga conquistando espaço e seja cada vez mais reconhecida pela sua capacidade empreendedora.

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