Feijoada

100Dalva, o Documentário

UM FILME QUE REVELARÁ INTIMIDADES DA PRIMEIRA CANTORA “FEMINISTA” DO BRASIL, A ESTRELA DALVA

A cantora Dalva de Oliveira será relembrada em documentário de longa metragem dirigido pelo seu neto, o cineasta Bernardo Martins, filho do cantor Pery Ribeiro. Uma família de artistas, já que o avô de Bernardo, que foi marido dela, é o cantor e compositor Herivelto Martins, que compôs mais de 700 músicas. Com uma família desse pedigree, Bernardo, que é cineasta, resolveu fazer a sua própria homenagem e está empenhado em produzir o documentário, que já tem mais de 80% de cenas rodadas com diversos depoimentos de artistas e fãs. Pessoas que fizeram de Dalva de Oliveira seu ídolo ou a acompanharam durante seu tempo de sucesso nas rádios do Rio de Janeiro, principalmente Tupi, Mayrink Veiga e Nacional. Dalva atravessou gerações e conquista fãs até hoje. Alguns dos entrevistados a conheceram e trabalharam diretamente com ela, como o produtor musical e diretor de TV João Roberto Kelly, que afirma em um dos momentos do filme: ”A Dalva, quando entrava no estúdio, sem querer fazer trocadilho, era uma verdadeira rainha. Quando o técnico de som soltava um play back com a gravação de qualquer música, ela gravava de primeira”.

BERNARDO MARTINS E UMA HOMENAGEM A SUA AVÓ DALVA DE OLIVEIRÁ

Roberto Menescal disse em sua entrevista: “As gravadoras da época não conseguiam acompanhar o rítmo das vendas de discos de Dalva”.

Em 2017, foi comemorado o centenário de nascimento de Dalva, com várias homenagens em todo o Brasil. Bernardo conta que, quando agendou o depoimento da cantora Maria Bethânia, considerada uma das artistas brasileiras mais difíceis de conceder uma entrevista, ficou surpreso com a resposta positiva e bem rápida dela, que teria dito: “Para a Dalva, minha professora, estou sempre disponível”.

Uma das coisas interessantes que o diretor Bernardo descobriu ao longo da produção: sua avó influenciou algumas das maiores cantoras brasileiras, como a própria Bethânia, Ângela Maria, Gal Costa, Lana Bittencourt e muitas outras. O “elenco” de entrevistados de Bernardo não poupa palavras para saudar, relembrar com nostalgia e contar “causos sobre” a Estrela Dalva.

De Maria Bethânia: “Dalva, além de ser a melhor cantora, era uma grande intérprete com um repertório fora do comum, um repertório vivo, quente, atual, ela narrava aquele momento de vida dela”.

Ela fez muito sucesso nos anos 40, 50 e 60. Com uma extensão vocal que ia do contralto ao soprano, ganhou o apelido de “Rouxinol do Brasil”. Seu reconhecimento nacional começou quando foi lançado o “Trio de Ouro”, formado por Dalva, Herivelto Martins e Nilo Chagas. Com o trio, ela gravou diversas músicas de sucesso.

...E CONTINUA ATRAVESSANDO GERAÇÕES ATÉ OS DIAS DE HOJE

Segundo alguns dos entrevistados, e são muitos, Dalva foi uma das maiores cantoras que o Brasil já teve. Porém, sofreu muito bullying por causa do machismo da época e da sociedade, que quase acabou com sua carreira. Amou perdidamente o Herivelto Martins. O Brasil os amava. Dalva amava Herivelto. Mas Herivelto amava a boemia e todas as mulheres que ele conseguisse conquistar, mesmo sendo casado com sua parceira de trabalho.

O desquite, algo que não era bem visto para a sociedade da época, colocou-a em situação constrangedora, tendo início aí um drama que chegou a inspirar Maria Adelaide Amaral a escrever uma série para a TV Globo, com colaboração de Geraldo Carneiro, baseada no livro de Ana Duarte e Pery Ribeiro sobre o casal.

ADRIANA ESTEVES, QUE INTERPRETOU DALVA NA MINISSÉRIE, DEU UM DEPOIMENTO EMOCIONANTE SOBRE SUA PERSONAGEM

Inconformado com a separação, Herivelto passou a difamar Dalva para a imprensa e a compor músicas descrevendo cenas de seu relacionamento com ela. Por outro lado, Dalva também revidou com canções epopéicas e teve lugar o “Duelo Musical” entre os dois. Ambos deixaram um enorme catálogo de músicas belíssimas, mas que retratavam o sofrimento de um casal separado.

“A magia tocou no coração de um menino com 7 anos de idade”, afirmou Ricardo Cravo Albim.

O filme de Bernardo é uma vitrine bem adereçada com todos os momentos da cantora, desde a sua infância em São Paulo e sua chegada no Rio de Janeiro até sua morte, em 1972, relembrados por pessoas que viveram a época e por diversos fãs.

Um deles, o Júnior, hoje com 14 anos, se apaixonou pela história da Dalva quando assistiu a Minissérie Dalva e Herivelto, quando ainda tinha 7 anos de idade: “Eu adorei ver aqueles microfones de rádio antigos que apareciam nos capítulos e de perceber o sofrimento e a dedicação da cantora com sua vida pessoal e profissional. Passei a pesquisar a vida dela e hoje toco algumas de suas canções no violão”.

Agnaldo Timóteo disse: “Dalva marcou uma época deslumbrante da música brasileira”.

Dalva, que fez sucesso com as músicas “Tudo acabado”, “Olhos Verdes”, “Bandeira Branca”, “Ave Maria do Morro”, “Errei Sim”, “Hino ao Amor”, “Estão Voltando as Flores”, entre outras, foi considerada uma das maiores vozes da música brasileira. Em 1952 ela recebeu o título de “Rainha do Rádio”.

SE O AZUL DO CÉU ESCURECER....

Dalva de Oliveira, o “Rouxinol do Brasil”, faleceu no Rio de Janeiro no dia 30 de agosto de 1972. O documentário estará pronto para exibição ainda em 2018. O filme é dirigido por Bernardo Martins e co-dirigido por Kahue Rozzi, com produção da Simon Says.

ADRIANA ESTEVES, A DALVA DE OLIVEIRA DA MINISSÉRIE E BERNARDO MARTINS COM A EQUIPE DE PRODUÇÃO DO DOCUMENTÁRIO

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