Feijoada

A Trajetória Artística de Tony Ramos

Tony Ramos faz parte da história da telenovela no Brasil. Seu sucesso transcende as telas da TV brasileira para uma carreira com reconhecimento internacional, com a exibição das novelas globais em vários países, tendo recebido em 2015 o Lifetime Achievement Award no Brazilian Internationa Press Award, nos EUA. O ator começou sua carreira profissional na TV Tupi, em 1963. Na Globo, ele está há quase 42 anos e nessa trajetória de sucesso, podemos destacar seu trabalho em novelas como ‘O Astro’, pai Herói’, Grande Sertão: Veredas’, ‘O Primo Basílio’, ‘Rainha da Sucata’, ‘A Próxima Vítima’, ‘Laços de Família’, ‘Belíssima’, ‘Passione’, ‘Regra do Jogo’. Ele acaba de interpretar José Augusto em ‘Jogo de Amar’. E nesta entrevista exclusiva, Tony Ramos fala de sua trajetória artística e dos planos para o futuro.

LINHA ABERTA: ‘Tempo de Amar’ chegou ao fim. Quais foram os principais desafios deste projeto?

TONY RAMOS: A novela tem o argumento do grande escritor brasileiro Rubem Fonseca, e a partir disso passou a ser desenvolvida por um dos nossos maiores dramaturgos, autor de teatro também, que é o Alcides Nogueira. Auxiliado pela Bia Correa do Lago, que é filha do Rubem Fonseca, mais dois colaboradores. ‘Tempo de Amar’ tentou retratar da melhor maneira possível o Portugal dos anos 1920 e o Brasil da mesma altura, da mesma época. Mostrando hábitos e diferenças sociais, mas ao mesmo tempo mostrando o amor. Mostrando como o ser humano, por mais divergência que possa ter em várias áreas do pensamento, no fundo ele busca de uma forma quase singela o verdadeiro amor. ‘Tempo de Amar’ foi uma novela de muita alegria para mim porque discutiu literatura, discutiu hábitos.

LINHA ABERTA: Na novela, você deu vida ao personagem José Augusto. Quais foram as suas inspirações?

TONY RAMOS: A minha inspiração veio do grande amor que eu tenho por Portugal. Tenho um amor muito verdadeiro e espontâneo, é um país que me fala de perto há muitos anos, que visitei pela primeira vez há 44 anos. Tenho uma identificação muito grande com o país, há uma parte da minha família que é oriunda de Guimarães. Viajar não é apenas descer do avião e sair andando atrás dos pontos turísticos. Claro que faz parte, mas não deve ser o objetivo principal. Eu gosto de estudar, de procurar informação. Quando vou a Portugal gosto de olhar.

LINHA ABERTA: Você é um dos atores mais antigos da Globo. Que mudanças percebe desde os seus primeiros trabalhos na TV?

TONY RAMOS: As mudanças são obviamente aquelas que dizem respeito à idade. Quanto mais velhos ficamos mais atentos à vida, à humanidade, atento a ser um homem de fé, de respeito ao próximo. Se tivermos essa postura, quanto mais o tempo passa, melhor fica a nossa vida. Não tenho problemas com a idade, ou de falar sobre a idade, não tenho problemas com o tempo. Sou, aliás, grato ao tempo. O fato de poder trabalhar com a idade que tenho, e que terei daqui a algum tempo, isso já é para mim uma benção. Eu não falo para um público específico, eu falo para o ser humano. Vejo que a minha carreira nestes 54 anos caminhou muito bem, caminhou porque foi fruto do trabalho. Tenho mais de 120 personagens na televisão, cerca de 40 em teatro, 38 no cinema. É uma galeria muito grande, em que não escolho nenhum porque todos eles fazem parte do meu processo de crescimento como ser humano e ator. Vejo a vida passar de uma forma clara.

LINHA ABERTA: Você começou a interpretar desde muito jovem. O que o levou a fazer do cinema e da televisão a sua profissão? Se não fosse ator, que outra ocupação gostaria de seguir?

TONY RAMOS: Nunca consegui imaginar ter outra profissão, que não a de ator. Desde miúdo que pensava nisso. Sou fruto do cinema. Ia as matinés de domingo ao cinema, e na minha época passavam três filmes: seriados americanos, depois vinha um filme curto e depois o filme principal. Essas matinés eram um verdadeiro bálsamo na minha infância. Eu adorava atores brasileiro como Oscarito, para nós um grande comediante, que juntamente com o Otelo, outro grande ator, protagonizaram anos e anos de sucesso no cinema brasileiro e eu era levado por esse movimento. Comecei a me interessar por essa arte desde cedo, observando esses atores, sobretudo através da comédia. Amava a comédia, como amo até hoje. Eu estudei, fiz universidade, entrei para o curso de direito, mas não gostei, depois fui para filosofia. Mas se algum dia me fosse dada a opção do que gostaria de ser, talvez um mestre, um professor, em que eu pudesse falar de filosofia, do comportamento humano e da arte de interpretar.

LINHA ABERTA: Qual foi até hoje o momento mais marcante da sua carreira?

TONY RAMOS: Tenho duas etapas na minha vida. Comecei muito jovem na TV Tupi, em São Paulo, a emissora pioneira na América Latina. Foi inaugurada em setembro de 1950, e em 1963/1964 eu estava trabalhando lá. A Tupi fechou em 1980, mas muito antes disso eu já tinha ido para a Globo, onde estou há quase 42 anos e de forma contínua. Quando dou entrevistas é que percebo que o tempo passou. Na fase da TV Tupi, os brasileiros irão lembrar grandes sucessos como ‘Antônio Maria’, ‘Nino, O Italianinho’, grandes novelas e grandes teleteatros. Quando fui para a Globo houve um segundo movimento na minha carreira. Estava completando 30 anos e fiz grande sucesso com a novela ‘O Astro’. Em seguida, trabalhei em outro grande sucesso que foi ‘Pai Herói’. Essas duas novelas foram escritas pela inesquecível Janete Clair. Aí começou outra mudança e o público percebeu que eu não era apenas o herói romântico, quando fui chamado para fazer ‘Baila Comigo’. Foi quando percebi que tinha andando com a carreira de forma diferente. E depois vieram outros trabalhos, como ‘Grande Sertão: Veredas’, ‘O Primo Basílio’, ‘Rainha da Sucata’, ‘A Próxima Vítima’, ‘Laços de Família’, ‘Belíssima’, ‘Passione’, ‘Regra do Jogo’. A minha carreira foi tendo vários movimentos.

 

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