Rio 2016: O Brasil e as Olimpíadas

Ontem o Brasil fez bonito na abertura das Olimpíadas. É dada a largada para os Jogos Olímpicos de 2016 oficialmente Jogos da XXXI Olimpíada, conhecido como Rio 2016. Um megaevento multiesportivo sediado pela primeira vez na América do Sul, e pela segunda vez na América Latina depois da Cidade do México em 1968. Definitivamente, o Brasil vem sendo o centro das atenções de todo o mundo desde que a tocha olímpica foi acesa pela primeira vez em Brasília em maio deste ano. São 200 países participantes, com membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), representados por mais de 10 mil atletas, nas 42 modalidades olímpicas, duas a mais em relação às Olimpíadas de 2012, com a inclusão do rugby sevens e do golfe. Em 19 dias de competição, 306 provas valerão medalhas: 136 femininas, 161 mas- culinas e 9 mistas.

Antes de acender a pira oficial no estádio do Maracanã, cerca de 12.000 condutores da Tocha Rio 2016 percorreram mais de 320 cidades de norte a sul e de leste a oeste do país em rotas terrestres e aéreas, totalizando mais de 27 mil km de percurso. Entre os principais atributos de inovação da tocha estão os segmentos que se abrem, revelando elementos da brasilidade: diversidade harmônica, energia contagiante e natureza exuberante.

O logotipo escolhido para o evento representa a união de três figuras humanas, simbolizando a cultura acolhedora e recepti- va do brasileiro e o morro do Pão de Açúcar, um dos mais famosos cartões postais do Rio de Janeiro. Os números formam “2016” e a palavra “Rio.”Quanto aos mascotes oficiais, a população elegeu os nomes de Vinicius e Tom. Apesar de ser a oitava vez que o Brasil sedia um grande evento multiesportivo, muita polêmica foi criada desde a eleição da cidade-sede na Dinamarca em 2009.

O Rio de Janeiro, capital mundial do esporte, foi escolhido depois de uma disputa acirra- da com Madrid, Tóquio e Chicago mesmo tendo problemas nos quesitos acomodação e transportes. A partir daí, muitos questio- namentos foram levantados sobre a real condição de sediar as Olimpíadas de 2016 diante de tantos desafios, desde a constru- ção da megaestrutura do Parque Olímpico, passando pela despoluição das águas, imple- mentação do sistema de transporte público eficiente, até questões mais críticas como o combate ao vírus da Zika e ao Terrorismo.

Denúncias também foram feitas da Relatoria Especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, se referindo aos despejos forçados de moradores em algumas áreas da cidade, especialmente no epicentro dos Jogos Olímpicos. Todos estes pontos e muitos outros ren- deram grandes discussões na mídia nacional e internacional como por exemplo, a segu- rança, que tem um papel tão fundamental neste tipo de evento quanto a presença dos próprios atletas. Para assegurar a segurança integrada, foi montado um centro de inteligência em Bra- sília, onde estão atuando policiais de outros países em conjunto com a Polícia Federal e a Abin, Agência Brasileira de Inteligência. Quase três bilhões foram liberados pelo Governo Federal para garantir a presença de mais de 10.000 agentes da Polícia Militar por dia nas ruas nos Jogos Olímpicos.

O Ministério da Justiça confirmou a segurança compartilhada. A pública será feita exclusi- vamente pela Força Nacional, com cerca de 13 mil homens que são responsáveis pelas instalações das competições, áreas de trei- namento, Vila Olímpica e Vila dos Árbitros, locais onde estarão mais de 800 mil pessoas, cerca de 82% do público dos jogos. Já a se- gurança privada vai atuar somente em áreas administrativas. Todo esforço está concentrado para manter a tranquilidade no evento e combater qualquer ato terrorista. Para o Secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame “seria um leviandade afirmar que não há preocupação nenhuma com o terrorismo.” O Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes também não descartou a possibilidade de um ataque terrorista durante os Jogos Olímpicos, mas ressaltou que a probabilidade de um ato acontecer é pequeno.

Em carta aberta, 150 cientistas de 28 países pediram à Organização Mundial da Sáude que a Olimpíada fosse adiada ou transferida para outro lugar para não pôr em risco a sáude global. A OMS informou que o risco de propagação do vírus da Zika devido à Olimpíada é muito baixo. Apesar de não haver restrições, os turistas devem se informar sobre quais são as medidas adequadas para reduzir a possibilidade de exposição ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti. A recomendação para que as grávi- das não vão aos jogos foi mantida. Outra questão relacionada à sáude que tem gerado muita polêmica é a poluição nas águas. Quase 1.400 atletas estarão velejando na Baía de Guanabara, nadando na famosa praia de Copacabana e praticando canoagem e remo na polêmica Lagoa Rodrigo de Freitas, considerado o local mais poluído das competições, de acordo com testes de qualidade da água encomendados pela agência de notícias Associated Press. O governo do Brasil prometeu construir unidades de tratamento de resíduos em oitos rios para filtrar parte dos esgotos, mas apenas uma foi construída. O governador do Estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, reconheceu que ”não houve tempo hábil para terminar a limpeza”.

A POLÊMICA DE SEDIAR OS JOGOS

A polêmica sobre a real capacidade de sediar os Jogos ganhou tamanha propor- ção, que segundo o jornal London Evening Standard, membros do Comitê Olímpico Internacional teriam procurado autoridades de Londres para saber se a cidade poderia assumir mais uma Olimpíada. Apesar do vice-presidente do Comitê, John Coates, ter alegado que não passou de um boato, o temor pelos atrasos nas obras sempre existi- ram. Numa segunda visita ao Rio antes do início dos Jogos, Coates declarou estar bem impressionado com os avanços realizados pelo Comitê Organizador da Olimpíada.

INFRAESTRUTURA RIO 2016

Ao mesmo tempo, é notável os esforços para o Brasil fazer bonito nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Investimentos bilionários foram feitos que englobam projetos de revitalização urbana beira-mar chamado Porto Maravilha e da Marina da Glória além disso a renovação envolve cerca de 700 km de redes públicas de abastecimento de água, saneamento, drenagem, eletricidade, gás e 650 km² de calçadas, 17 km de ciclovias, 15 mil árvores, 3 estações de tratamento de esgoto, 4 km de túneis e 70 km de estradas. Toda essa estrutura para facilitar o acesso às quatro regiões espalhadas pelo Rio, onde serão realizados os eventos esportivos: a região de Deodoro, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, palco do Centro Olímpico de BMX, de Hóquei, Estádio de Canoagem Slalom, Pista de Mountain Bike e o Centro Nacional de Hipismo e de Tiro Esportivo, onde serão realizadas 12 modalidades olím- picas e 14 paraolímpicas.

A Zona Sul, região turística da cidade que recebe 8 modalidades olímpicas e 6 parao- límpicas nos bairros de Copacabana, com as tradicionais competições de vôlei de praia, a Lagoa com o remo e canoagem e o Flamengo com as disputas de vela e entre outros. Ou- tra região é a da Barra da Tijuca, conhecida como o coração dos Jogos Rio 2016, onde fica localizado o Parque Olímpico, prin- cipal pólo de competições da cidade, que ocupará uma área de 1,18 milhão de metros quadrados, onde ocorrerão disputas de 16 modalidades olímpicas e 14 paraolímpicas no Parque Aquático Maria Lenk, o Velódromo, Centro de Tênis, Campo de Golfe e nas Arenas Olímpicas. E por último, a região do famoso Maracanã, localizado no Centro com 6 modalidades olímpicas e 2 paraolímpicas. Além disso, as cidades de Brasília, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo são também cenários para as disputas do esporte mais popular de todos: o futebol.

O BRASIL NAS OLIMPÍADAS Depois da frustrante experiência na última Copa, a expectativa é de que o time do Brasil emplaque. Nestas Olimpíadas, o Brasil terá a maior delegação de sua história: serão 462 atletas, sendo 209 mulheres e 253 homens. Para o treinador carioca Luis Eduardo de Andrade Silva, ex-ginasta e ex-treinador da Seleção Brasileira de Ginástica Olímpica, “a equipe brasileira tem condições de igual para igual na disputa com as maiores potências do mundo.”

DEPOIS DAS OLIMPÍADAS Após os Jogos, o legado será experimentado em várias regiões. O Parque Olímpico na Barra será transformado em um amplo complexo esportivo e educacional destinado a estudantes da rede municipal e atletas de alto rendimento. O Parque Radical em Deodoro será o segundo maior da cidade, tornando-se um local de lazer para uma região com poucas opções para a prática ao ar livre. E as instalações esportivas terão uso combinado com o Centro Olímpico de Treinamento (COT). Com o slogan “Um mundo novo,” espera-se que os benefícios superem todas as dificuldades e problemas gerados durante o processo de organização do evento e que os Jogos Olímpicos de 2016 sejam uma oportunidade em que o Brasil mostre para o mundo que apesar da crise política e econômica, ainda continua de pé e está pronto para subir ao pódio.

Texto de Alessandra Leme

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