Experiências da vida na América

By Anete Arslanian

Há vinte e três anos chegava uma carioca na Terra do Tio Sam com conhecimento da língua inglesa mas ainda com muito a aprender sobre a cultura deste país. Estou me referindo a mim mesma. Só para esclarecer, no processo desses longos anos cometi algumas gafes, é claro, ou melhor, “paguei mico,” tentando me adaptar ao que prefiro chamar de “o jeito americano de ser.” A adaptação de um estrangeiro nos Estados Unidos é apenas uma questão de tempo e de alguns outros fatores, como o domínio da língua e da cultura. E se falando de conhecimento da cultura, é aí aonde as coisas podem se tornar mais desafiantes e divertidas. No mínimo, você irá curtir e aprender sobre uma cultura nova e no pior dos casos, passará momentos delicados cometendo algumas gafes.
Vejamos o caso em que você é convidado para um jantar na casa de um americano e ao chegar com uma hora de atraso, encontra seu anfitrião indignado e já desgustando a sobremesa. Ele não irá envenenar sua comida, mas não espere com um próximo convite. O atraso para os americanos é inaceitável, e isto se aplica especialmente para entrevistas de emprego ou reuniões de negócios. Fica a dica: 15 minutos de atraso é tolerável, mas o indicado é que você comunique que está atrasado e que chegará dentro de tantos minutos. Ser pontual é chique!
Quando se trata de regras de trânsito, os americanos são bem restritos. Nada de passar o sinal de “STOP” ou ultrapassar o sinal vermelho. Hoje em dia, no Brasil, por questão de segurança, ninguém fica parado em sinal vermelho na madrugada e possivelmente seria isento de uma multa por tal infrigimento. Aqui isso nem pensar! As câmeras nos postes em várias esquinas das cidades ajudam no controle da lei. Caso alguém pense em oferecer uns dólares a um policial para um cafezinho para ser isento de uma multa é melhor ficar alerta, isto aqui dá cadeia e se chama “bribing.” Dica: Aprenda as regras de trânsito, assim como todas as outras leis; e respeite o trabalho do policial como autoridade.
Passei um também um sufoco até me adaptar com a questão do cumprimento. Sempre me aproximava para dar dois beijinhos no rosto quando era apresentada, eles automaticamente esticavam a mão para o cumprimento, enquanto eu já estava fazendo biquinho para o beijo no rosto, pior ainda, era ficar a ver navios esperando pelo segundo beijo que nunca acontecia. Com o tempo veio a adaptação, americanos dão um beijo e cumprimentam formalmente em situações em que estão conhecendo alguém pela primeira vez com um aperto de mão. Dica: Estude a situação antes do cumprimento, formal ou informal.

E quem não passou gafe em festas de aniversários de americanos? Me senti um peixe fora d’água em várias festas de amigos americanos por estar batendo palmas enquanto os demais apenas cantavam “Happy Birthday to You.” Dica: Caso você queira ser o centro das atenções nas festas, basta bater palmas enquanto os outros cantam. Não se surpreenda se um americano lhe perguntar nos primeiros minutos em que lhe conheceu qual é o seu emprego, onde mora, quantos quartos tem sua casa e quanto pagou por ela. Essas são pequenas conversinhas preliminares de relevância para eles. Enquanto para os brasileiros isso possa parecer uma invasão de privacidade, para os americanos isto é muito natural. Dica: Apenas responda aquilo com que você se sinta à vontade.
Os Estados Unidos é minha segunda casa e me sinto tão patriota quanto um americano. Sou brasileira e cidadã americana e tenho respeito pelos dois países. O fato de que um país seja diferente do outro em vários aspectos não faz com que um país seja necessariamente melhor do que o outro. Enquanto vivermos em um país, seja ele qual for, é primordial conhecer a língua, cultura, história e as leis do país. Não basta conhecer a cultura e as leis, é preciso respeitá-las para um melhor convívio e adaptação ao “ao jeitinho americano de ser.”

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