Como satélites estão revelando segredos da civilização Maia

Alguns dos mais esplêndidos murais da civilização Maia de que se tem notícia datam do ano 100 a.C. e foram descobertos em meio à mata fechada da floresta de San Bartolo, na Guatemala. Desde o início, ficou claro para arqueólogos que o local tinha mais tesouros guardados, mas a selva era densa demais para ser explorada.“ É muito perigoso entrar na floresta para tentar encontrar sítios arqueológicos a umidade é altíssima, há várias serpentes,” explica Diane Davies, pesquisadora da University London, do Reino Unido, “Você pode estar literalmente a sete ou oito metros de uma pirâmide e não con-
seguir enxergá-la porque a vegetação é tão fechada,” afirma a arqueóloga. No entanto, com a análise de imagens feitas por satélites, sítios arqueológicos até agora escondidos estão finalmente sendo revelados.

A equipe de Davies contou com a assessoria de Thomas Sever, cientista da Nasa, que conseguiram identificar vários tipos de monumentos a partir de imagens de satélites, inclusive uma pirâmide perdida.Como muitas das construções dos maias são feitas em calcário, a composição química em torno das ruínas se alterou com o tempo, e isso aparece nas imagens. Os cientistas também aplicam a tecnologia óptica Lidar, com o uso de lasers, para medir a topografia de um local. A maioria dos estudiosos da cultura Maia concorda que os locais detectados remotamente precisam ser confirmados por expedições em terra. Isso porque muitas das aparentes descobertas acabam revelando serem irrelevantes, como um campo ou alguma construção mais recente.“No norte da área maia de Yucatán, a detecção remota nos dá uma média de 70% de falsos alarmes,”diz Davies.

Muitos especialistas, no entanto concordam que os benefícios que essas tecnologias
trouxeram para a arqueologia são impressionantes. Alguns sítios incríveis foram descobertos, quando poderiam ter passado despercebidos das missões em solo. Em alguns casos, os cientistas conseguiram economizar anos de exploração na mata cerrada simplesmente com a detecção remota.

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