Na era do #hashtag e das redes sociais

Quem diria há alguns anos que a palavra hashtag (#) sairia do absoluto anonimato e se tornaria tão popular? A revolução digital sem sombra de dúvidas é um marco na era tecnológica e se tornou um verdadeiro divisor de águas no planeta, gerando efeitos não só na ciência e na comunicação, mas em diversas áreas como na economia, educação, cultura, medicina, administração e em muitas outras. A era digital é comparada à revolução industrial que transformou para sempre não só os métodos de produção, mas vários aspectos da vida cotidiana da época, como os fatores cruciais do tempo e espaço. A maneira como as pessoas aprendem, pensam e vivem está sendo transformada com uma velocidade nunca vista antes. Esta alteração se dá pela incrível sinergia de bilhões de pessoas utilizando um meio comum de comunicação: o ciberespaço. Novas tecnologias são criadas e colocadas à prova, possibilitando a descentralização da informação, cultura e educação.

Segundo a GlobalWorkplaceAnalytics.com nos EUA aproximadamente entre 20% e 25% dos funcionários trabalham fora da empresa, seja em casa ou durante viagens. O teletrabalho como é chamado foi viabilizado graças aos mecanismos digitiais dos softwares e laptops e da comunicação pelo telefone, fax e skype. Muitas empresas adotam esse estilo de trabalho visando também diminuir os custos fixos.
O envio de emails também facilitou esta comunicação e estreitou os laços profissionais. Não importa onde o professional esteja, seja naChina, Brasil, Inglaterra ou Canadá. Com a evolução da era digital chegou a vez das redes sociais marcarem presença. Os laços sociais que foram criados no ambiente offline migraram para o ambiente online. “Nosso objetivo é conectar pessoas,” ressalta Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook que, juntamente com os co-fundadores, idealizaram inicialmente uma rede social exclusiva para os estudantes de Harvard e até viraram tema do filme A Rede Social, ganhador do Oscar e do Globo de Ouro em várias categorias. O resto é história.
O Facebook se tornou a rede de maior impacto e acesso com mais de 1.5 bilhões usuários ativos. Pelo visto a meta dos fundadores foi alcançada com louvor. As redes de relacionamento não só promovem a interatividade e o compartilhamento de informações e interesses comuns, como também tornaram-se uma mania mundial. O boom das redes sociais ainda permanece e opera em diferentes níveis como as redes de relacionamento sendo as mais conhecidas o Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Periscope, YouTube e as redes profissionais como Linkedin, Focus e Efactor, redes políticas e outras direcionadas para atender um segmento.
Segundo dados da World Web Foundation, em 1995 menos de 1% da população tinha acesso à internet. Atualmente, mais de 40% da população do mundo está online. De 1999 à 2013, o crescimento foi de dez vezes mais. O Internet Live Stats é a prova “viva” que registra em âmbito global e divulga em tempo real informações oficiais relacionadas ao movimento na World Web, revelando a cada segundo por exemplo, o número de usuários ativos do Facebook e do Twitter, pesquisas no Google, sites visitados, número de emails e tweets enviados, fotos postadas no Instragram, vídeos assistidos no YouTube, posts nos blogs, ligações pelo Skype e acreditem se quiser até a quantidade de sites que são invadidos pelos hackers por dia.
Atualmente são mais de 3 bilhões de navegantes que interagem diariamente em diversos meios que podem alterar o curso das relações pessoais. Interatividade virou a palavra da moda e nunca foi tão usada. É como se tivesse sido criada no dicionário por força da popularidade. Utilizar as redes sociais virou indiscutivelmente uma mania mundial. E pode-se dizer que se pudesse eleger os melhores casos de sucesso dos últimos tempos, a criação e ascensão das principais redes sociais certamente seriam selecionadas. Afinal, as marcas têm identidade própria e já são reconhecidas e utilizadas mundialmente.

Se houvesse a calçada da fama corporativa, as marcas do Facebook, Twitter, Google e Youtube com certeza já estariam cravadas em Los Angeles. Mas qual seriam as razões para o sucesso tão estrondoso? Por que as pessoas alegam que acabam ficando mais tempo do que o previsto nas redes sociais? As redes sociais viraram febre e muitas pessoas alegam que acabam ficando mais tempo do que o previsto. Para Alexandre Hohagen, CEO da agência de marketing full service Nobox e ex-VP do Google Inc.e Facebook Latin America & US Hispanics, “Google e Facebook se tornaram tão indispensáveis como ocorreu com as grandes invenções da humanidade porque proporcionaram acesso a dois ativos indispensáveis para vencer no mundo corporativo: informação e pessoas. Efeito da globalização, só chega primeiro quem está bem informado e bem relacionado. Hoje, para ter sucesso, não basta saber. É preciso compartilhar.

Segundo a Brandviewer empresa de monitoramento de redes sociais, muitos estudos têm sido feitos tentando descobrir o que exatamente acontece no cérebro das pessoas quando estão participando das redes sociais. Alguns afirmam que existe uma conexão entre a rede de relacionamento e o centro de recompensas do cérebro. Quanto maior a intensidade com que usamos, maior a recompensa. Outra pesquisa registrou reações fisiológicas como a dilatação das pupilas em voluntários enquanto olhavam para as suas contas das redes. É uma demonstração clara que o indivíduo tem quando está feliz com um projeto ou nova habilidade. Além da ciência explicar porque as pessoas são grudadas no Facebook por exemplo, a psicologia também justifica porque as pessoas gostam de curtir, postar e compartilhar.
De acordo com a Universidade do Arizona, os níveis de solidão de alguns estudantes foram acompanhados e medidos e o estudo descobriu que quando os estudantes atualizavam os seus status com mais frequência, eles relataram níveis mais baixos de solidão.

O Centro de Pesquisas Pew também afirmou que 44% dos usuários do Facebook curtem conteúdos postados por seus amigos uma vez por dia e 29% fazem várias vezes por dia. O “like” é uma maneira de aceitar e aprovar uma ideia, mas pode ser também um modo de afirmar algo sobre nós mesmos. Em uma pesquisa com mais de 58.000 pessoas que tornaram suas curtidas públicas através de um aplica-
tivo, pesquisadores descobriram que as curtidas poderiam ajudar a prever traços de identificação que os próprios usuários não tinham tornado público. Além disso, o Psyshology Today mostrou que o acesso às redes sociais determina uma capacidade maior da pessoa ter empatia virtual e também no mundo real.

Os avanços das mídias digitais podem promover um impacto na vida de todos trazendo muitas vantagens e benefícios. Entre eles a agilidade na troca de mensagens, o encurtamento de distân-
cias com o acesso a um canal de diálogo
direto e de troca de opiniões e até efeitos psicológicos como o alívio do stress atra-
vés da redução dos batimentos cardíacos. Pelos estudos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e da Universidade de Milão, o tempo gasto no Facebook pode ajudar as pessoas a relaxar, atuando na parte física. O estudo analisou 30 estudantes em três situações: olhando paisagens, resolvendo cálculos complicados e usando o Facebook. A situação mais relaxante foi a primeira, e a mais estressante foi com relação à matemática, mas o tempo gasto no Facebook apresentou altos níveis de atração. As redes de relacionamento são fontes de informação e verdadeiros palanques virtuais onde todos têm acesso, sem distinção de raça, cor e sexo, um espaço onde pode-se expressar ideias e opiniões em tempo real, promover debates, campanhas, defender causas e porque não, realizar contundentes monólogos.

“Assim como as notícias são descartáveis e têm memória curta, os comentários feitos pelos amigos podem gerar alguma repercussão, são assimilados, mas eles não guardam,” avalia a jornalista Cintia Silva, que têm amizades que começaram no mundo virtual e depois foram para o real. “Investigo antes quem está fazendo o convite e só aceito se há um vínculo de afinidade” complementa ela. Mas, como
toda moeda tem dois lados, quem não tem traquejo no uso das redes pode gerar algum desconforto nas relações e exposição digna de um reality show. É como se o autor do seu perfil fosse o paparazzi da sua própria vida. Essas situações não surpreendem já que pela própria natureza do ciberespaço, a interatividade e a privacidade não podem caminhar juntas. Pesquisadores sobre o Facebook fizeram um estudo relacionado à autocensura e perceberam que 71 % dos usuários que fazem uma atualização de status ou fazem um comentário, depois decidem não publicar.

Na média, o usuários mudaram de ideia a cada 4.52 atualizações de status e a cada 3.2 comentários.
A exposição do dia a dia através de fotos e vídeos pode ser um hábito high-tech e o like é uma maneira de aceitar e aprovar uma ideia conveniente ao possibilitar o encontro online de pessoas que vêm de condições, lugares e ideologias diferentes, mas a depender da intenção e do conteúdo, pode ultrapassar os limites do bom senso. “Às vezes a pessoa acaba criando um personagem diferente de quem ela realmente é. Na vida real não está tão satisfeita, mas na virtual está sempre feliz, mostrando o
lado bom”, avalia Valter Klug, publicitário e fundador da agência de propaganda Samba Rock em Miami.

Os publicitários procuram inovar cada vez mais em lugares inusitados, inserindo a marca dos produtos e serviços em games e principalmente na plataforma das redes interagindo em tempo real com os clientes. Segundo Valter Klug, “para saber se o post é eficaz, basta perguntar se você curtiria, faria comentários ou
compartilharia o post. ”Para ele, a mensagem publicitária para ser eficiente deve ser orgânica, que não tenha cara de uma propaganda tradicional, dando a entender que uma pessoa está postando.” Isso tem
sido levado tão a sério que os seguidores e amigos das fanpages se envolvem no clima virtual e literalmente agem como se estivessem conversando com alguém que elas conhecem. Ao mesmo tempo, as fanpages se tornam um espaço onde os usuários podem questionar sobre as ações das empresas no mercado. Na página do facebook da Nestlê por exemplo, um usuário pediu explicações sobre o uso da água na Floresta San Bernardino no Califórnia e a empresa teve a oportunidade de se defender. Essa espécie de ouvidoria virtual estabelece de fato uma maior proximidade com o consumidor que tem a chance de dar o feedback em tempo real, de forma mais direta e participativa sobre os produtos.

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