Carta da Editora: Uma Comunidade Mutante

Este mês, a matéria de capa da Linha Aberta apresenta um retrato da comunidade brasileira nos Estados Unidos nos últimos 20 anos. Os brasileiros que chegaram na terra do Tio Sam no final dos anos 80 tinham um perfil tão diferente dos que hoje buscam uma vida melhor fora do Brasil. O relato de Ophir Toledo apresenta o perfil da imigração brasileira nos EUA é super interessante. Podemos ver que o brasileiro passou por tantas transformações nos últimos anos e ao ler o artigo, voltamos no tempo, vemos as mudanças e percebemos que o melhor caminho para sermos bem sucedidos nos EUA é aprender a viver o American Way of Life.

Existe um termo técnico quando estudamos culturas diferentes que se aplica 100% à realidade do imigrante brasileiro. A imigração transcultural é aquela onde mudamos de país e aprendemos a viver e pensar como o povo local. Nesse caso, nós brasileiros precisamos nos adaptar a uma realidade diferente da nossa. Precisamos nos acultuar. Devemos preservar nossa cultura, mas viver como os da terra. Muitas vezes me surpreendo com brasileiros que chegam aos Estados Unidos trazendo na mala o pensamento do tudo posso, do jeitinho brasileiro, da mentalidade do overpricing de seus serviços. Como essas pessoas serão bem sucedidas num país onde fazer negócios está diretamente relacionado com uma postura baseada no princípio de que o parceiro do outro lado está oferecendo o seu melhor na negociação?

É interessante perceber que aqui nos Estados Unidos as pessoas, na sua vida pública ou privada, representam uma sociedade iguatlitária, onde todos são respeitados, tem as mesmas oportunidades e podem conquistar o tão sonhado American Way of Life. Se não fosse assim, não teríamos tantos imigrantes bem sucedidos nos EUA, apesar de que até hoje não tenhamos tido uma lei imigratória que beneficiasse o imigrante indocumentado no país. Apesar de muitos serem ilegais, ainda temos a oportunidade de ir e vir, de usufruir dos benefícios de morar num país justo e igualitário, de abrir nossas empresas, ganhar nosso dinheiro e viver uma vida descente, onde todos podem comer, viver e planejar um futuro melhor. Que possamos ter sempre em mente que somos forasteiros em terras estrangeiras e que esta oportunidade de consquistar nosso espaço na terra do Tio Sam não pode ser desaproveitada.

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