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O poder público e o princípio da qualidade

O consultor de marketing, os profissionais de vendas e todos envolvidos com a produção e a comercialização de produtos e serviços sabem que a qualidade é fundamental. Parafraseando Vinicius de Morais – que em certa ocasião falou “que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental” eu chego a afirmar: que me desculpem os produtos que não têm qualidade, mas qualidade é fundamental. Em tudo. Nas embalagens, na apresentação, no marketing, na assistência técnica e principalmente agora, no que concerne à responsabilidade social e ao respeito ao meio ambiente. Todos esses passos têm que ser dados com qualidade. Chego até a ir mais além. Nos relacionamentos, no trabalho, em família, no que você produz, na palavra empenhada, no estilo de vida, a qualidade também se faz necessária, inclusive com o mesmo rigor da praticada no mundo dos negócios.

Alguém certamente irá pensar ser absolutamente óbvio o que estou dizendo. Entretanto, apesar da qualidade ser um princípio lógico, óbvio até demais, sua execução e sua prática deixam muito a desejar. Vejamos, por exemplo, os homens públicos. Quando agem movidos por estímulos ligados à corrução, estão agindo, com certeza, fora do princípio da qualidade.

Pois a qualidade, no tocante ao desempenho de um homem público, significa, entre outros procedimentos, a prática constante da honestidade no manuseio do dinheiro alheio e a resistência a todo tipo de tentação que o induza a colocar a mão naquilo que não é seu. Como se vê, o homem público também tem seu desempenho analisado sob a ótica da qualidade no que faz e no que produz, obrigação, aliás, a que todos eles estão sujeitos quando se dispõem a trabalhar em cargo público ou quando submetem seu nome, numa eleição, ao julgamento do eleitorado.
Para essas pessoas, afinal o que significa o princípio da qualidade? O que representa para elas estarem numa posição propícia à prática do bem comum e ao encaminhamento de soluções para problemas que afligem milhares e milhares de pessoas?

Pensando bem, a essas pessoas faltam, na verdade, o crédito e a prática do amor e da misericórdia. Aliás, os mesmos sentimentos, os mesmos princípios para os quais Jesus Cristo tanto se sacrificou para que deles tomássemos conhecimento. Falando em Jesus, a respeito do princípio da qualidade, ele nos dá uma grande lição na passagem das bodas de Caná, conforme está escrito no livro de João 2:1-11, trata-se da transformação, ocorrida em um casamento, da água em vinho. Na auge da festa, o vinho acabou, fato gerador de um desconforto enorme ao responsável pelas bodas, procurado, Jesus salva a situação, transformando água em vinho. Entretanto, há que se ressaltar, no episódio, o compromisso de Jesus com a qualidade, com o rigor do produto a ser oferecido. Havia um profissional contratado para organizar a festa, que aprovou entusiasmado a qualidade do vinho que antes fora água. Seu comentário de que “todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior” marca profundamente, a diferença do conceito de qualidade para Jesus (“tu, porém guardaste o bom vinho até agora”) e o mesmo conceito na visão dos homens.

Pois o noivo, mesmo tendo na festa pessoas importantes na sua escala de interesses, ainda tentou iludi-las com vinho de boa qualidade no início, para posteriormente, enganá-las com uma bebida de qualidade inferior. Infelizmente, esse é o típico comportamento humano.

Que cumula de gentilezas as pessoas segundo o retorno que delas terão, passando a tratá-las de forma diferente quando for incerto o retorno da vantagem. Essa não é postura de qualidade. O princípio da qualidade, segundo Jesus, deve ser exercitado antes, durante e depois de qualquer relacionamento. Até para aquele que você julga não ser merecedor de um gesto seu – de qualidade.

>> Públio José é jornalista. Mais informações sobre o tema pelo email: publiojose@gmail.com

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