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O PERFIL DOS BRASILEIROS QUE MORAM NA FLÓRIDA

PESQUISA REVELA A MUDANÇA DO PERFIL DA COMUNIDADE BRASILEIRA NO ESTADO

O Conselho de Cidadãos da Flórida, orgão de aconselhamento do Consulado Geral do Brasil em Miami, reuniu líderes da comunidade brasileira e a imprensa local no Consulado Brasileiro para apresentar o resultado de uma pesquisa de mapeamento dos brasileiros na Flórida. Foram entrevistadas 1276 pessoas acima de 18 anos, sendo 561 homens e 715 mulheres, com idade variando de 18 a 76 anos ou mais. As enquetes foram aplicadas nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Orange, com centralização nas cidades de Pompano Beach, Deerfield Beach, Coral Springs, Fort Lauderdale, Miami, Boca Raton e Orlando.
A pesquisa, coordenada por Aloysio Vasconcellos e Renato Scaff, respectivamente presidente e conselheiro do Conselho de Cidadãos da Flórida, apresenta desde a idade, o sexo, o nível educacional, a proficiência em inglês, a profissão, e até o status legal do brasileiro que mora no estado. A formulação das perguntas e a compilação dos resultados foram realizadas pelo Global Media Commerce Group, uma empresa americana localizada em Boca Raton que realiza pesquisas de amostragem para várias instituições de renome nacional na Flórida e nos Estados Unidos.
Os questionários, com 32 perguntas, foram respondidos nos meses de outubro e novembro de 2014, com aplicação de questionários na área de Miami durante as eleições presidenciais do ano passado e diversos dias no Consulado de Miami pela empresa Eye See Solutions, nas regiões de Broward e sul de Palm Beach por Max Rosa, e em Orlando e adjacências sob a coordenação de Amy Litter e Sandra Freier. Os dados compilados pela Global Media Commerce Group revelam o perfil da comunidade brasileira na Flórida. A compilação dos dados aconteceu em dezembro e o resultado acaba de ser apresentado para líderes e a imprensa local.

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A pesquisa apresenta um estudo da posição sócio-econômica e política dos brasileiros dos condados de Broward, Palm Beach, Miami-Dade e Orange, revelando dados importantes sobre a comunidade brasileira local. Carlos Muhletaler, responsável pela estruturação das perguntas e compilação das respostas, disse que o conceito e a implementação desta pesquisa mostra que a comunidade brasileira está se definindo como um grupo com raízes mais fortes e bem estabelicidas na região e com capacidade de desenvolvimento social, político e econômico.
Aloysio Vasconcellos, presidente do Conselho de Cidadãos da Flórida, explica que o conceito na implementação desta pesquisa foi de ver o crescimento da comunidade brasileira no estado no intuito de melhor definir o perfil e a transformação da comunidade brasileira nos últimos anos, salientando conceitos como mudanças, raízes e posição sócio, política e econômica dos brasileiros na região e potencial de desenvolvimento, apresentando os recursos para medir o crescimento da comunidade brasileira e conhecer mais de perto o perfil de um grupo que tem se fortalecido com o passar dos anos.
A pesquisa mostra uma comunidade brasileira que cresce de forma forte e constante, com níveis culturais, educacionais e econômicos acima da média dos grupos étnicos. Aloysio explica que se levarmos em consideração a renda per capita dos brasileirros no Brasil e dos que moram nos Estados Unidos, o nível da renda per capita medida pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos brasileiros que moram na Flórida (estado onde a pesquisa foi implementada) é maior do que os níveis dos brasileiros que moram no Brasil. A média de salário anual do brasileiro na Flórida segundo o resultado da pesqusia, é de 30 mil dolares, enquanto que no Brasil é de 19 mil dólares.

Os dados coletados, segundo Aloysio Vasconcellos, são fundamentais para que “possamos conhecer o brasileiro imigrante do Sul da Flórida e mostra uma comunidade com nível educacional alto, forte presença na área econômica, cultural e de intercâmbio entre brasileiros e americanos não só nos Estados Unidos, como com ênfase em relações comerciais entre Flórida e Brasil. “Uma pesquisa como esta é mais um passo na busca de uma comunidade que conhece seu perfil e que pode se mobilizar de forma mais organizada e buscar fortalecer suas bases junto aos órgãos governamentais americanos na Flórida”, afirmou. A pesquisa mostra que os brasileiros que hoje vivem na Florida tem um potencial forte de empreendedorismo para o mercado americano e com conexão para um maior intercâmbio empresarial entre Brasil e Estados Unidos.

Renato Scaff, conselheiro do Conselho de Cidadãos, e um dos coordenadores da pesquisa, disse que nas primeiras reuniões do Conselho de Cidadãos da Flórida, em 2013 o grupo de conselheiros viu que seria primordial para desenvolver o trabalho de assessoramento ao Consulado Geral do Brasil na Flórida conhecer melhor e em detalhes a comunidade brasileira residente no Estado. “Essa pesquisa, que intitulamos de maneira mais apropriada como mapeamento, teve como objetivo principal nos dar uma visão mais detalhada do perfil da sociedade brasileira aqui radicada. Agora, de posse do mapeamento e das devidas analises, o Conselho de Cidadãos, com o respaldo do Consulado Geral do Brasil, poderá direcionar seus trabalhos de forma mais efetiva para atender às necessidade dos brasileiros residentes na Flórida”.
O Embaixador Hélio Vitor Ramos Filho disse que o Consulado-Geral ofereceu apoio financeiro e, principalmente, institucional à pesquisa. “Assim, pessoalmente empenhei-me para envolver no projeto empresas que poderiam dispor-se a patrociná-lo. Na oportunidade, aproveito para agradecer vivamente à Odebrecht, à Embraer, ao Banco do Brasil Américas e ao Vice-Presidente Executivo da Burger King Corporation, Heitor Gonçalves, não apenas pela contribuição financeira, mas sobretudo pela compreensão da importância de iniciativas como essa. O envolvimento dessas companhias e de seus funcionários demonstra seu compromisso com o desenvolvimento de nossas comunidades no exterior”, afirmou.

Consul e Aloisio

Segundo ele, a pesquisa fornece elementos adicionais para a compreensão da composição da comunidade brasileira estabelecida na Flórida. Os indicadores sociais, econômicos e migratórios resultantes deste mapeamento poderão subsidiar a elaboração e o desenvolvimento de iniciativas políticas, comerciais e socioculturais mais adequadas ao perfil do brasileiro residente no estado.

O resultado da pesquisa

Entre as perguntas apresentadas no mapeamento, destaques para o tempo que o brasileiro mora no país, seu status migratório, nível de escolaridade, tipo de trabalho que executa e envolvimento com a política local. E ainda, nível salarial, proficiência no inglês, regularidade de envio de dinheiro para o Brasil, envolvimento com a comunidade brasileira e americana, uso da mídia social e da internet para a compra de produtos, se possuem casa própria e há quanto tempo moram nos Estados Unidos. O mapeamento mostrou que a comunidade brasileira é formada por pessoas na faixa etária que varia de 36 a 55 anos. A pesquisa dividiu os brasileiros em 7 faixas de idade, a contar a partir dos 18 anos. De 18 a 25 anos temos 7% dos brasileiros, de 26 a 35 anos 19%, de 36 a 45 anos 28%, de 46 a 55 anos 27%, 56 a 65 anos 14%, de 66 a 75 anos 4% e acima de 76 anos, 1% dos brasileiros.
Segundo a pesquisa, dos 1276 entrevistados, 458 brasileiros moram no condado de Broward, sendo 204 em Pompano Beach, 148 em Deerfield Beach, 58 em Coconut Creek e 48 em Fort Lauderdale. No condado de Miami-Dade, 178 brasileiros vivem em Miami, no condado de Orange, 148 brasileiros moram em Orlando e no condado de Palm Beach 138 moram em Boca Raton. O restante dos entrevistados residem em várias cidades dos três condados relacionados. Veja o quadro com as cidades de residência dos brasileiros entrevistados na pagina ao lado. A maioria dos brasileiros são de São Paulo (279 pessoas), Minas Gerais (278 pessoas) e Rio de Janeiro (191 pessoas). Entre os estados citados temos ainda Bahia, Permanbuco, Espírito Santo, Ceará, Goiás e Rio Grande do Sul.

Carinhas feliz
Para responder a pergunta sobre o status migratório nos Estados Unidos, a empresa Global Media Commerce Group apresentou opções de respostas: cidadãos, residentes legais, com processos de legalização e outros (esta categoria para os que não tem documentação no país). Do total de 1276 pessoas entrevistadas, 38% são cidadãos brasileiros naturalizados americanos, 29% são residentes legais (com green card), 10% tem visto para permanecer no país e 33% não são documentados. Dos 38% dos brasileiros naturalizados americanos, 36% estão registrados para votar.
Para saber há quanto tempo os brasileiros moram nos Estados Unidos, o Global Media Commerce Group dividiu o tempo de residência em quatro períodos específicos: de 1 a 5 anos, de 6 a 10 anos, de 11 a 20 anos e mais de 21 anos. O resultado da enquete mostra que 39% dos entrevistados moram nos EUA de 11 a 20 anos, 26% moram no país de 6 a 10 anos, 21% estão com residência na terra do tio Sam há mais de 21 anos e 13% moram nos EUA de 1 a 5 anos.
Segundo os dados da enquete, a grande maioria tem segundo grau, o equivalente ao high school nos Estados Unidos, representando 32% dos entrevistados, 26% tem curso tecnico ou entraram na universidade mas não terminaram o curso, 30% possuem curso superior e 10% são pós graduados e 2% fizeram somente o primeiro grau, o que representa o nível escolar de elementary school nos EUA. Esses dados revelam a qualificação do brasileiro muito superior em relação a outras etnias de imgrantes no país.
Em relação ao domínio da língua inglesa, do total de entrevistados, 1% não fala nada ou fala muito mal o inglês, 7% falam o básico (basic level), 19% falam bem (intermediate level), 29% falam muito bem (advanced level) e 43% (fluent level) são fluentes na língua. Uma das perguntas do mapeamento questiona se os filhos de brasileiros falam português. Dos dos entrevistados, 66% responderam que os filhos falam português, 9% não falam português, 25% informaram que a pergunta não se aplicava ao seu caso e menos de 1% não respondeu.
Segundo o resultado da pesquisa 48% dos entrevistados tem casa própria, e 47% moram de aluguel, 4% responderam que vivem com alguém da família e 15% não responderam. De acordo com a pesquisa, 68% dos entrevistados são casados, 17% solteiros, 11% divorciados, 2% viúvos e outros 2% moram juntos. Do total de entrevistados, 18% tem um filho, 34% dois filhos, 18% 3 filhos, 23% não tem filhos e 1% não respondeu. Dos 68% de brasileiros que responderam que são casados, 43% informaram que seus parceiros não são cidadãos americanos e 25% afirmaram que estão casados com cidadãos americanos e/ou brasileiros naturalizados americanos e 25% não informaram o status legal do parceiro. Em relação ao trabalho, 37% são self-employed, isto é, trabalham por conta própria, enquanto que 35% trabalham como funcionários de alguma empresa, 18% são empresários, 14% trabalham em serviço público e 8% não trabalham ou estão sem emprego.

Large Group of Happy People standing together.
Dos que estão trabalhando nos Estados Unidos, em relação ao salário anual, 24% recebem de U$21 mil a U$35 mil dólares por ano, 20% recebem de U$36 mil a U$50 mil dólares anuais, 18% ganham de U$16 mil a U$20 mil dólares por ano, 16% ganham acima de U$66 mil anuais, 8% dos entrevistados recebem de U$51mil a U$65 mil por ano, outros 8% recebem de U$5 mil a U$10 mil anuais e 6% ganham de U$11mil a U$15 mil dólares por ano.
Dos dos brasileiros naturalizados americanos, 36% estão registrados para votar, o que mostra o pouco envolvimento da comunidade brasileira da política Americana. Carlos Muhletaler, do Global Media Commerce Group, disse que esta é uma pergunta super importante e que interessa muito aos líderes do governo local. Ele salientou o fato de que uma comunidade que vota, tem poder, mas disse também que, quando não podemos votar, precisamos encontrar alternativas para termos representatividade junto ao governo local.
Por isso, várias perguntas do questionário são políticas e apresentam o pensamento do brasileiros em relação ao assunto. De acordo com o resultado da enquete, 77% dos brasileiros entrevistados mostroram interesse em ajudar a comunidade brasileira a se fortelecer como grupo na Flórida, 21% responderam que não ajudariam e 2% não se manifestaram.
Dos entrevistados, 74% afirmam que gostariam de ver um brasileiro como líder político local, contra 24% que disseram que não e 26% que não responderam. Das 1276 pessoas entrevistadas, 74% responderam que apoiariam um candidato político brasileiro. Politicamente falando, do total de entrevistados, 68% são democratas, 18% republicanos 22% independentes e 11 não escolheram um partido.
Em relação aos brasileiros que emigraram do Brasil para os Estados Unidos (e outros países) terem um representante no Congresso Nacional brasileiro, dos 1276 enrevistados 68% responderam que sim, 30% disseram que não e 2% não responderam.

Pesquisa Materia capa 1
Sobre a necessidade de uma reforma imigratória nos Estados Unidos, o resultado não poderia ser diferente. Dos entrevistados, 87% afirmaram que o governo precisa fazer uma reforma imigratória, 5% disseram que não e 7% não responderam. Questionados sobre o credo religioso, dos 1276 brasileiros entrevistados, 37% são católicos, 35% evangélicos, 8% espíritas, 9% protestantes, 1% judeus, outros 1% budistas e 10% citaram outras religiões ou nenhuma religião.

Dos 1276 entrevistados, 52% dizem que acompanham as notícias via televisão brasileira e 54% assistem noticiários nas tvs americanas. Nesse caso, teve gente que marcou as duas opções de tv, num total de 1355 respostas. Dos entrevistados, 81% buscam notícias na internet, 38% nos jornais brasileiros, 33% nas revistas brasileiras e 21% não responderam, num total de 1959 respostas. Nesse caso, os entrevisados também marcaram mais de uma resposta.
Sobre o uso da mídia social, os entrevis tados tiveram a oportunidade de responder usando o sistema de respostas múltiplas. De acordo com o resultado 46% dos brasileiros recebem informação via mídia social, 51% usa a mídia social para saber das últimas notícias, 50% participam de grupos nas midias sociais 27% usam a mídia social como forma de contato com a família e amigos, 9% usam para outros propósitos e 13% não usam mídia social.
Dos 1276 entrevistados 82% afirmaram que usam a internet para compra de produtos e serviços, contra 16% que não compram usando a web e 2% que não responderam. Em relação ao consumo de produtos brasileiros, 59% preferem produtos e serviços brasileiros, contra 39% que não tem essa escolha e 33% que não responderam. Em relação aos eventos comunitários, educacionais e culturais que preservam as raízes brasileiras, 66% dos entrevistados participam desse tipo de programa, 31% não participam e 3% não responderam.

Sobre o envio de dinheiro para o Brasil, 62% não mandam dinheiro para o Brasil, 28% mandam dinheiro uma vez no mês, 5% a cada 3 meses e 4% a cada 6 meses, Dos que mandam dinheiro para o Brasil, 11% mandam menos de U$300 dólares, 15% enviam de U$301 dólares a U$500 dólares, 7% mandam de U$501dólares a U$1000 dólares, 2% enviam de U$1001 dólares a U$3000 dólares e 1% manda mais de U$3000 dólares.
O motivo pelo qual mandam dinheiro para o Brasil está classicado da seguinte forma: 29% mandam dinheiro para ajudar a família, 8% para investimento, 2% para ajudar nos negócios, 3% para outros propósitos e 58% não enviam dinheiro.

Por – Laine Furtado

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