Os Estados Unidos vão deportar imigrantes da Bósnia

Oficiais dos Estados Unidos querem deportar 150 imigrantes de origem bósnia, que crêem terem estado envolvidos em crimes de guerra durante o conflito em 1992-1995. De acordo com o New York Times, 300 pessoas são suspeitas de terem ocultado actividades de guerra quando foram para os Estados Unidos. Metade dos quais são suspeitos de terem feito parte do massacre de Srebrenica, onde morreram 8.000 muçulmanos bósnios. Enquanto mais de 120.000 imigrantes bósnios procuraram vistos de residência nos Estados Unidos em meados dos anos 90, não houve qualquer esforço no sentido de verificar as suas identidades. O sistema de imigração, confiando somente na honestidade dos migrantes, não exigiu provas de serviço militar ou qualquer envolvimento político.

Mais de 100.000 pessoas foram mortas e cerca de dois milhões (cerca de metade da população da Bósnia) desapareceram durante o conflito no início dos anos 90, quando as forças sérvias, croatas e muçulmanas, envolvidas no conflito, atacaram civis em nome de “limpeza étnica”, sendo o massacre de Srebrenica por parte dos sérvios o pior ao longo de toda a guerra. Assim, não é de espantar que, quando em 2008 a agência de imigração dos Estados Unidos da América criou uma secção para investigar a possível participação de imigrantes (provenientes de zonas conflituosas, como a Etiópia e o Ruanda) em crimes de guerra, especial atenção tenha sido dada à guerra da Bósnia.

E neste contexto, cada vez mais documentos têm surgido ligndo indivíduos a estes crimes, podendo o número de suspeitos ultrapassar as seis centenas. Michael McQueen, historiador de imigração e de fronteiras que liderou muitas das investigações sobre imigrantes, declarou ao New York Times que “quanto mais fundo escavavam, mais documentos encontravam”. Acrescenta que a ideia de ver indivíduos que causaram tantos estragos na Bósnia possam viver livremente e ter uma nova oportunidade o choca completamente. Até à data, 64 imigrantes foram já extraditados dos Estados Unidos.

No entanto, há o outro lado destas investigações: alguns imigrantes dos Balcãs foram considerados candidatos para a deportação por terem escondido o facto de terem prestado serviço militar no exército sérvio, podendo não ter estado envolvidos em crimes de guerra.

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