Saiba qual o segredo para ser feliz

Pesquisadores querem descobrir a fÓrmula para alcançar a felicidade

Qual o seu conceito de felicidade? Será que podemos ser felizes apesar das circunstâncias? A felicidade é uma questão de escolha? As pessoas nascem para        serem felizes ou infelizes? Será que o dinheiro e a fama trazem felicidade? Podemos dizer que das clássicas proposições filosóficas aos atuais manuais de auto-ajuda, a verdade é que o ser humano ainda não conseguiu dar uma resposta definitiva e satisfatória sobre o que é ser feliz. Se estes tem sido seus questionamentos sobre o que é felicidade e porque umas pessoas são felizes e outras não, esta matéria pode responder algumas de suas perguntas.

Somos os primeiros a perceber quando estamos felizes. E refletimos esta felicidade quando estamos com outras pessoas. No entanto, muitas pessoas vivem de momentos de alegria e momentos de tristeza, enquanto que outras vão levando a vida e nem percebem que todos os dias deixam passar várias oportunidades de serem felizes. Podemos dizer que a felicidade é um momento durável de satisfação, onde o indivíduo se sente plenamente feliz e realizado, um momento onde não há nenhum tipo de sofrimento.

Todos temos momentos de felicidade, mas a grande questão é como podemos manter esse estado de felicidade de forma constante, e que sejamos felizes apesar das circunstâncias.Várias pesquisas foram feitas com o intuito de descobrir o nível de felicidade das pessoas. Entre as mais conhecidas pesquisas que incluem perguntas sobre felicidade e satisfação com a vida estão a Gallup World Poll, com mil entrevistados em 160 países, a World Values Survey, que na coleta de 2011/2012 entrevistou mais de 84 mil pessoas em 56 países; a americana General Social Survey, com amostra de 55 mil indivíduos; a Eurobarometer, da União Europeia, que entrevista mil cidadãos de cada estado-membro; e a Latinobarómetro, com abrangência de 18 países latino americanos (além da Espanha) e 23 mil entrevistados.

Os resultados destas pesquisas revelam que a idéia compartilhada entre a maior parte das pessoas mostra que o conceito de felicidade é construído com saúde, amor, dinheiro e amizades, onde para sermos felizes precisamos estar num estado psicólogico, mental e físico que traga a felicidade de dentro para fora. Sabemos que a felicidade é formada por diversas emoções e sentimentos que podem ser por um motivo específico, como um sonho realizado, um desejo atendido.
No entanto, existem pessoas que são conhecidas por estarem sempre felizes e de bom humor, em que não é necessário nenhum motivo específico para elas estarem em um estado de felicidade. Será que isso é possível? Como alcançarmos este estágio de felicidade, independente das circunstâncias? A busca da felicidade foi estudada por diversos filósofos, pela psicologia e pelas religiões no intuito de responder a esta pergunta.

Os filósofos associavam a felicidade com o prazer, uma vez que é difícil definir a felicidade como um todo, de onde ela surge, os sentimentos e emoções envolvidos. A filosofia que estuda o ser humano é excelente para refletir sobre o conceito de felicidade. E as primeiras reflexões de filosofia sobre ética abordaram o tema felicidade, ainda na Grécia antiga. A mais antiga referência de filosofia sobre esse tema é o fragmento do texto de Tales de Mileto, este que viveu entre 7 a.C. e 6 a.C. Para Tales, ser feliz é ter corpo forte e são, boa sorte e alma formada.

Depois dele, outros filósofos estudaram o tema felicidade. Para Sócrates essa idéia teve rumo novo, ele postulou que não havia relação da felicidade com somente satisfação dos desejos e necessidades do corpo, mas que o homem não é apenas corpo, e sim em principal, alma. Felicidade seria o bem da alma, através da conduta justa e virtuosa.

Para Platão a noção de felicidade é relativa à situação do homem no mundo, e aos deveres que aqui lhe cabem. Epicuro dizia que felicidade é, essencialmente, ausência de dor.

O grego Aristóteles afirmava que a felicidade diz respeito ao equilíbrio e harmonia praticando o bem. Segundo ele, a felicidade é mais acessível ao sábio que mais facilmente basta a si mesmo, mas é aquilo que, na realidade, deve ter todos os homens da cidade. O fim último do homem é sempre a felicidade.

Para Kant, a felicidade está no âmbito do prazer e desejo. Na época de Kant, a felicidade teve destaque no pensamento político e a busca pela mesma passou a ser “direito do homem”, e isso é consignado na Constituição dos Estados Unidos da América, de 1787, redigida de acordo com o Iluminismo.

O psiquiatra Sigmund Freud defendia que todo indivíduo é movido pela busca da felicidade, mas essa busca seria uma coisa utópica, uma vez que para ela existir, não poderia depender do mundo real, onde a pessoa pode ter experiências como o fracasso, portanto, o máximo que o ser humano poderia conseguir, seria uma felicidade parcial. Para Freud, é praticamente impossível conceber um ser humano plenamente feliz.
O inglês Bertrand Russel ao fazer  uma nova reflexão sobre o tema na obra “A Conquista da Felicidad

”  apresenta o método da investigação lógica. Para Bertrand, por síntese, ser feliz é eliminar o egocentrismo.
E em 1989, Julián Marías, espanhol e filósofo dedicou o livro  “A Felicidade Humana”, onde apresenta a história desse conceito, desde a Antiguidade até dias atuais, mostra a ausência da reflexão filosófica sobre o conceito da felicidade contemporânea, que poderia ser sintoma da infelicidade do mundo.

Nos dias de hoje, o psicólogo americano Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, fez um estudo sobre o assunto. Seligman concluiu que felicidade é na verdade a soma de três coisas diferentes: prazer, engajamento e significado. A vantagem de dividir a felicidade em três é que assim fica mais fácil definirmos nossos objetivos. Pada Seligman “buscar a felicidade” é uma meta meio vaga, fica difícil até de saber por onde começar. Por isso, quando objetivamos a felicidade, fica mais fácil alcançá-la.

Segundo Seligman, o prazer é  a sensação que sentimos quando estamos fazendo algo que agrada a nossa alma. Um jeito fácil de reconhecer se alguém está tendo prazer é procurar em seu rosto por um sorriso e por olhos brilhantes. O engajamento é a profundidade de envolvimento entre a pessoa e sua vida. Um sujeito engajado é aquele que está absorvido pelo que faz, que participa ativamente da vida. E, finalmente, o significado é a sensação de que nossa vida faz parte de algo maior e o jeito tradicional de conquistá-lo é via religião. Há milênios, a humanidade encontra alento na crença de que cada um de nós faz parte de uma ordem maior. Pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, na média, mais felizes que as não-religiosas – elas também têm menos depressão, menos ansiedade e suicidam-se menos.

Filgman explica que a felicidade pode ser entendida como a combinação entre o grau e a frequência de emoções positivas, o nível médio de satisfação que obtemos durante um longo período e a ausência de senti¬mentos negativos, tais como tristeza e raiva. Essa definição marca a felicidade como uma característica estável, e não como uma flutuação momentânea. Logo, ela não é apenas caracterizada como a falta de emoções desagradáveis, mas também como a presença de sentimentos prazerosos.

O médico e sociólogo Nicholas Christakis, pesquisador da Universidade Harvard, constatou que a felicidade de cada pessoa depende não somente das suas próprias escolhas e ações, mas também das opções e atitudes daqueles que nem sequer conhece. Os resultados do acompanhamento de 4.700 voluntários por mais de 20 anos, publicados no British Medical Journal, revelaram que os sentimentos positivos de alguém podem, por exemplo, melhorar o humor do cônjuge, do irmão dele e de amigos e vizinhos desse irmão. Esse “efeito ressonante” aumenta o grau de satisfação pessoal em 34% e perdura por até um ano.

Importante destacar que existe diferença entre “ser feliz” e “estar feliz”. Existem pessoas que levam uma vida cheia de momentos de prazer, mas que não têm um caminho ou um significado. No extremo contrário estão aqueles que abrem mão do ‘estar feliz’ por só pensar no futuro e viver com prudência demais. Talvez o melhor caminho esteja entre esses dois. Atingir esse equilíbrio não é facil e infelizmente não há fórmula mágica nem manual completo. O lance é prestar atenção a si mesmo e ir mudando aos pouquinhos. As transformações mentais demoram e não são fáceis. Demandam um esforço constante.

Pesquisadores afirmam que a felicidade não pode ser produto de uma alienação, enganação ou delírio. Os recentes estudos sobre a felicidade apontam que ela será inventada por um sujeito que aprendeu a conhecer melhor a si próprio e o mundo em que vive. Conhecer-se a si mesmo é uma grande valia para a felicidade, tanto para termos noção mais concreta de nossas potencialidades quanto para sabermos dos nossos defeitos.

O procedimento da auto-análise, sem dúvida, pode conduzir o sujeito para desenvolver a coragem de construir um estilo de vida com autocrítica e compromisso de melhorar alguns aspectos da própria vida e dos outros, também. Alguns estudos confirmam antigas sentenças filosóficas que já apontavam sobre o melhor caminho para a felicidade: o  altruísmo e a manutenção das amizades. Ninguém pode ser feliz sem amigos”, dizia o velho Aristóteles. “As pessoas felizes de nossa época são aquelas que ajudam ao próximo”, conclui a pesquisa do psicólogo e pesquisador americano A. Maslow. Em vez de ficar obsessivamente buscando “a” felicidade, deveríamos sustentar uma certa “alegria de viver”no nosso próprio eu, e que pudesse ser irradiada para também animar o próximo. Seria uma “alegria que nasce da verdade” ou sabedoria.

A busca da felicidade torna-se quase um dever no mundo pós-moderno e obtê-la é um desejo comum a quase todas as pessoas. Ao analisar o conceito de felicidade, focando o papel da sociedade e da cultura, a psicanálise reflete como a vida em sociedade e exige sacrifícios pulsionais da ordem do desejo. Vivenciar a felicidade parece ser um desejo comum a todos os seres humanos, em todas as épocas da história, sendo que cada um escolhe o meio de vida que interpreta como sendo o mais adequado para alcançá-la.

O mundo pós-moderno é identificado em muitos aspectos por um crescente desapego nas relações interpessoais, individualismo exagerado, cultura do hedonismo e do consumismo e um desinteresse pelos fenômenos sociais, o que demarcam as subjetividades em uma realidade do consumo. Estas subjetividades, reeducadas pela velocidade das mudanças e a sobrecarga de informações do mundo pós-moderno, apresentam uma instabilidade dos desejos e uma insegurança que influem em uma busca, em um consumo constante, como forma de sustentação que lhe oferte felicidade.

A felicidade neste contexto torna-se um dever, onde diversos objetos são tomados como possibilidade para alcançá-la, perpetuando um ideal ilusório de completude numa felicidade mascarada, ou seja, ilusória, forjada em uma ideia de pronta e infinita, que redefine valores como o amor, fé e amizade. Frente a tantos ideais novos, diversos tipos de objetos são ofertados como sendo aqueles que proporcionarão a felicidade para a atual sociedade consumista, sendo estes objetos um meio transitório de minimizar o desprazer.

A busca da felicidade como um projeto comum, vai ganhando através da globalização e dos objetos que são oferecidos atualmente, um aspecto religioso, sagrado e inatacável: assim, qualquer que seja o meio que ofereça a felicidade a um sujeito pode atrair, inspirar e unir à outros que partilham dessa mesma ilusão, por meio de dispositivos simbólicos que funcionam encobrindo toda dúvida, todo trabalho de interrogação sobre si, transformando-se logo em um ato de crer.
Porém, a felicidade obtida pelo caráter transitório tanto do objeto quanto do prazer, está em acordo com o real do desejo e a realidade externa sendo muitas vezes a realização de uma fantasia do sujeito, ou seja, é preciso considerar questões psíquicas como o tempo curto de vivência do prazer e a necessidade real de satisfação do desejo de ser feliz, compreensão esta que precisamos exercitar a cada dia.

Pesquisas apontam que sucesso e felicidade não caminham nessa ordem. Não é o sucesso que produz felicidade, mas é a felicidade que produz a vida bem sucedida. Quer fazer sucesso, cultive a felicidade. Segundo o psicólogo Josias Bezerra da Silva, do 2Grow Human Developmente Ministries, a felicidade pode e deve ser cultivada. Ele dá dicas que podem ser super úteis, se aplicadas ao nosso dia a dia. Cultive um cérebro positivo, uma vez que mesmo pequenas doses de emoções positivas trazem benefício. Aprenda a celebrar pequenas vitórias. Assim, você ativa áreas do cérebro que produzem bem-estar. Faça escolhas com base em princípios. Feliz é a Maria que não vai com as outras, mas tem seu próprio centro de valores. Cuide de sua rede de apoio social, principalmente de sua família. Relacionamentos machucam, mas também curam. Com certeza, quando nos conhecemos melhor, e aceitamos as pessoas como são, somos mais felizes. #

Related posts