A ARTE DE DAR E RECEBER PRESENTES

No fim de ano, muitas pessoas saem à procura de presentes para a família. Lojas, galerias e shoppings ficam lotados de opções e muita gente pode acabar extrapolando o orçamento, além de fazer escolhas que não atendem o gosto da pessoa presenteada. Ao comprar os presentes, você costuma fazer escolhas com base no gosto das pessoas que serão agraciadas? Ou o valor gasto com o presente fala mais alto? Nesta edição da Linha Aberta apresentamos várias pesquisas que analisam a arte de dar e receber presentes. E nesse Natal, nada mais apropriado do que conhecer estas informações antes das compras de fim de ano.
Podemos dizer que ganhar presentes é sempre muito bom. Um agrado material é uma mensagem de carinho e cuidado: uma maneira de dizer “pensei em você”.  Ficamos felizes quando vemos estampada no rosto das pessoas a felicidade de receber um presente e automaticamente ficamos felizes. O que o nosso cérebro diz quando presenteamos alguém ou recebemos um presente? Segundo um estudo do Caltech, um Instituto de Tecnologia da Califórnia, a generosidade pode decorrer de uma decisão racional sobre o que é certo ou errado, mostrando que o ato de presentear gera diferentes sentimentos nas pessoas.
O cérebro se beneficia ao dar um presente em mais de uma maneira. Um dos benefícios que nos faz bem é a expressão de alegria de quem recebe. Para nós aquele que ganha o presente fica mais belo ao demonstrar um sorriso. É bom dar presentes também porque o sorriso da outra pessoa ativa o córtex orbito-frontal, logo na frente do cérebro, entre nossos olhos. Essa ativação transforma o prazer do outro em prazer próprio, principalmente se somos a causa dessa alegria.
Depois disso, ao vermos o sorriso na face daquele que recebeu o presente, também sorrimos. Neurônios-espelho no córtex pré-motor nos fazem imitar o outro. Logo depois disso uma série de sensações advém de toda essa ação neurológica. Apenas o pensamento de fazer um bem à outra pessoa já aciona o sistema de recompensa do cérebro, também do córtex órbito-frontal.
Para provar essa teoria, os pesquisadores da Caltech avaliou voluntários que toparam decidir, de dentro de um aparelho de ressonância magnética, como compartilhar com outros participantes o dinheiro que lhes era ofertado. O grau de altruísmo dos participantes era variável entre as pessoas – e também ao longo de cada sessão de estudo, com escolhas cada vez menos generosas ao longo do tempo. Esse declínio é um sinal de que decisões para o bem-estar alheio requerem esforço, e vão ficando cada vez mais difíceis conforme o cansaço aumenta.
Esse esforço se manifesta no cérebro como um aumento da atividade pré-frontal durante decisões altruístas, sinal de autocontrole. Este padrão é encontrado sobretudo nas pessoas mais egoístas; nelas, além do autocontrole, ficam visíveis no cérebro sinais de satisfação ao perceber que sua decisão generosa, tomada com tanto esforço, não será implementada. Para elas, ser generoso é, de fato, fazer a coisa certa.
Mas, em quem se mostrou mais generoso no estudo, decidir compartilhar com conhecidos ou mesmo com estranhos não requer qualquer esforço pré-frontal. Além disso, ver sua escolha não ser acatada causa decepção mensurável no cérebro dessas pessoas. Para estas, ser “bom” é apenas natural.
Segundo o neurocientita brasileiro Jorge Moll, decidir fazer o bem ativa o sistema de recompensa do cérebro, e, portanto, dá prazer. A origem da generosidade espontânea, que não requer esforço, é o prazer que sentimos desde já com a simples decisão de fazer o bem, muito antes de provocar qualquer sorriso alheio. E é aqui que os céticos questionam a suposta falta de interesse da generosidade. Talvez a gente só decida fazer o bem a conhecidos, desconhecidos, e mesmo a nossos filhos, porque isso dá prazer a nós mesmos. Todo ato altruísta, generoso, teria um fundo de interesse próprio.
Segundo informações e pesquisas da Equipe Personare, no Brasil, não há como negar que decidir ser generoso faz bem. Mas talvez seja justamente isso o que importa: é preciso lembrar que nosso cérebro poderia não dar a mínima para a felicidade alheia. A única razão para nossa generosidade poderia ser exatamente… a razão. Mas não é: mesmo com a pressão do comércio, ou apesar dela, temos a capacidade sensacional de ficar felizes com a mera decisão, fácil e natural, de fazer alguém mais feliz com um simples presente.

DAR E RECEBER PRESENTES SIMBOLIZA CELEBRAÇÃO DE UMA NOVA FASE
Quem não gosta de receber presentes? Segundo o numerólogo Yubertson Miranda, os egípcios e gregos da antiguidade acreditavam que, ao ofertarem um presente, receberiam em troca a proteção dos deuses, reis e imperadores do passado. Yubertson explica que a cada novo ciclo ou estação de plantio, os povos antigos, a fim de atraírem a abundância e a boa sorte, ofereciam algo aos deuses e soberanos de suas nações para terem as bênçãos atendidas.
Hoje em dia, a prática de oferecer um presente no fim do ano (ou em qualquer outra data comemorativa) tem outro significado. Para o Yubertson, o presente está ligado à exaltação de uma nova fase, para que ela seja próspera. Presentear os noivos no casamento, por exemplo, celebra a nova fase na relação amorosa que está começando. Quando um bebê nasce, a nova vida também é celebrada por meio do recebimento de presentes. No Natal, damos presentes para expressar o grau de importância da pessoa, o tradicional “lembrei de você”.

TROCAR PRESENTES É COMO DAR UM ABRAÇO
Seja na festa de fim de ano com a família ou no amigo oculto do trabalho, o ato de presentear vai além do presente em si. Na opinião da psicoterapeuta Celia Lima, quem compra um presente oferece não apenas o objeto, mas também seu tempo, dedicação, atenção e amor. Quando não se trata de uma obrigação, só existe o prazer: o prazer de dizer, com esse gesto, o quanto aquela pessoa é importante para você. Trata-se de uma demonstração de amizade e afeto.
No entanto, é comum que ao serem presenteadas, algumas pessoas fiquem desconcertadas e acabem dizendo que não era necessário receber determinado presente. Para a psicoterapeuta, essa atitude deve ser evitada, já que pode provocar um grande desconforto em quem ofertou o objeto, fazendo parecer que o outro não reconheceu o empenho na escolha do que foi dado.
Ao receber um presente a pessoa deve demonstrar alegria, agradecer e retribuir com um abraço, sem se sentir, inclusive, na obrigação de comprar algo também. O que não vale na hora de ir à caça dos presentes é comprar qualquer coisa, seja por falta de paciência ou de tempo. Isso pode obrigar o outro a agradecer sem que, na verdade, ele esteja realmente sendo grato.

DÊ AMOR NO LUGAR DOS PRESENTES
A tradição de trocar presentes costuma ganhar força no Natal, podendo parecer até mesmo uma obrigação para alguns. Quem opta por ir na contramão dessa tendência e não comprar presentes no Natal, costuma fazê-lo por não querer se render aos apelos e imposições da mídia. Outro motivo pode ser a preferência de presentear apenas quando há vontade. Para quem é adepto deste pensamento, demonstrações de carinho através de palavras doces e declarações de sentimentos estão liberadas no lugar dos presentes, como um longo abraço de felicitações ou um olhar que traduz seu amor. Então, se a vontade de presentear não surgiu, não se assuste. Use outras formas para mostrar às pessoas amadas que elas são queridas.

NÃO ACUMULE DÍVIDAS
Seja comprando o presente na loja ou fazendo o seu em casa, o fim do ano é uma época em que as pessoas geralmente se permitem gastar mais do que o normal. Para não acumular dívidas em 2015, faça uma lista das pessoas que deseja presentear, estipule um valor médio por presente e por pessoa, analise seu orçamento familiar para saber o quanto você pode gastar em presentes e procure por promoções e descontos para maximizar seu dinheiro.
Na hora de procurar pelos presentes, visite lojas conceituais, de utilidade para a casa e de presentes em geral. Outra dica é olhar as lojas de grife, já que a maioria tem opções de bijuterias, lingerie, agendas e cadernos “escondidos” no balcão, e com preços melhores. E lembre-se que lojas de brinquedos infantis vendem jogos que podem agradar tanto os pequenos quanto adultos e famílias também.
Mesmo que as opções nas lojas sejam muitas, algumas pessoas preferem fazer seus próprios presentes. Além de serem personalizados, também demonstram a vontade de quem está presenteando de agradar o outro, já que aquele objeto foi pensado exclusivamente para ele.
Para ser um presenteador realmente bem-sucedido, normalmente a pessoa precisa entrar na mente de quem vai receber o presente. Infelizmente, estudos psicológicos mostram que presenteadores e receptores têm dificuldade de entender a forma de pensar um do outro, o que pode tornar a experiência natalina complicada. Por isso, conhecer um pouco a pessoa é fundamental na hora de escolher seu o presente.

NA BUSCA DO PRESENTE IDEAL
Alguns presenteadores gastam tempo e energia tentando encontrar o presente ideal. Mas presentes bem pensados não conduzem necessariamente a uma maior apreciação, de acordo com um estudo publicado em novembro no Journal of Experimental Psychology: General. O benefício de um presente pensado realmente é maior para quem o dá, que tira da experiência uma sensação de maior proximidade com a outra pessoa, segundo o estudo.
Outro fator interessante é que as pessoas ficam mais felizes quando recebem um presente que tenham explicitamente solicitado, de acordo com um estudo similar, publicado no ano passado pelo Journal of Experimental Social Psychology. No fim das contas, é o presente que conta, não a reflexão por trás dele, afirma Nicholas Epley, professor de ciência comportamental da Universidade de Chicago e coautor do estudo.
Outro estudo publicado em 2009 pelo Journal of Experimental Social Psychology revela que gastar mais dinheiro em um presente também não se traduz necessariamente em mais gratidão. Isso pode ser uma surpresa para muitos presenteadores, que geralmente presumem que um presente mais caro transmite um maior nível de atenção.
“Todo mundo já foi presenteador e receptor muitas vezes no passado”, diz Francis Flynn, professor de comportamento organizacional da Escola de Pós-graduação em Administração da Universidade de Stanford e que fez pesquisas na área de presentear. Segundo ele, apesar de saberem como se sentem nesses papéis, as pessoas muitas vezes não conseguem, por exemplo, aplicar sua experiência de receber presentes na hora de comprar um para alguém.
O ditado “O que vale é a lembrança” foi amplamente refutado pelo estudo recente publicado no Journal of Experimental Psychology: General, que concluiu que é melhor dar de presente algo que a pessoa presenteada realmente quer, em vez de gastar um monte de tempo e energia comprando o que o presenteador acredita ser um presente bem pensado. O estudo concluiu que pensar demais sobre a escolha não aumenta a satisfação de quem recebe o presente se é um artigo desejável. Na verdade, planejar muito o presente só pareceu contar quando ele não foi muito apreciado.
Presentear alguém é uma demonstração de apreço, carinho, gratidão e consideração; e não há quem não goste de ser presenteado. A arte de presentear está em fazer com que as pessoas se sintam prestigiadas e queridas, no entanto, a escolha do presente deve envolver certo cuidado; um presente pode estabelecer um relacionamento, enfraquecê-lo, transformá-lo e até extinguí-lo. Cada presente que você oferece torna-se uma extensão do seu gosto, do seu interesse, da sua posição social e de sua personalidade.
O presente pode acrescentar um sentido maior a um romance, levar alegria e aquecer celebrações, por isso, o presente ideal é aquele bem escolhido que marca a sua imagem e como você gostaria de ser lembrado. Existem presentes que são originais e agradam a quase todos os gostos como guardanapos personalizados, saca-rolha elegante, toalhas de rosto bordadas, aromatizador de ambientes, cabides sofisticados, livros de receitas, licores ou bombons finos.
De acordo com a psicologia, os presentes podem despertar complexas emoções e um mesmo presente pode ter significados diferentes para quem o recebe. Alguns presentes podem revelar emoções negativas em quem recebe, o que se torna embaraçoso. Existe uma regra social que sugere não presentear estranhos bem como não oferecer presentes caros a quem não conhecemos muito bem. Nas situações profissionais nunca se deve oferecer um presente durante a conclusão de um negócio. Pode-se presentear, porém depois de concluída a negociação.
Quando se tem mais intimidade, se conhece bem a quem quer presentear, logo sabe exatamente do que ela gosta ou o que gostaria de ganhar. Há situações mais simples como chá de panela e casamento quando os noivos deixam uma lista em duas ou três lojas e você escolhe dentro de suas possibilidades financeiras. No entanto, quando não se conhece bem a pessoa ou não tem intimidade com ela, o ideal são os presentes neutros. Nessa situação, flores para as mulheres ou uma garrafa de um vinho de qualidade para os homens, resolve bem algumas situações.
Também valem presentes como um bom livro, um bonito porta retratos, um conjunto de canetas de qualidade, um bonito chaveiro, mas deve-se evitar presentes de uso pessoal como perfumes, roupas etc. E nunca pergunte se a pessoa gostou do presente; é uma indelicadeza. É adequado incluir um cartão junto ao presente. Caso a pessoa queira trocá-lo, por qualquer motivo, ela pode fazê-lo sem constrangimento com quem a presenteou.

CUIDADOS DA HORA DE PRESENTEAR
Um importante cuidado é certificar-se de que retirou a etiqueta com o preço antes de embalar o presente. As embalagens também fazem parte do presente, por isso merecem cuidados especiais. E sempre que enviar um presente, faça acompanhar de um cartão pessoal, escrito de próprio punho, desejando felicidades e tudo o mais que você sinceramente sentir pela pessoa.
A habilidade para dar e receber presentes envolve muitos aspectos e o melhor posicionamento é dar presentes com alegria e receber presentes com emoção. Em algumas culturas aceitar o presente com ambas as mãos significa apreciar a generosidade de quem dá. A idéia é de que apenas uma mão não seria suficiente para segurar o valor simbólico de ser presenteado. Estender uma só mão pode ser considerado falta de gratidão e ser interpretado como menosprezo.
Dar ou receber presentes é de suma importância para as duas partes, a que dá e a que recebe. Dar presentes é, há muito tempo, um objeto de estudos a respeito do comportamento humano, sobre o qual se debruçaram psicólogos, antropólogos, economistas e especialistas em marketing. Eles descobriram que dar presentes é uma tarefa surpreendentemente complexa e importante na estrutura das relações humanas, ajudando a definir os relacionamentos e fortalecendo os laços com a família e os amigos. Os psicólogos dizem que é quem presenteia, e não quem recebe, que usufrui os maiores benefícios vinculados a um presente.

E QUANDO A GENTE NÃO GOSTA DO PRESENTE?
Segundo uma pesquisa da Psychological Science, um dos grandes dilemas das pessoas é passar para frente um presente que recebeu e não gostou. Muitas pessoas evitam passar para frente presentes indesejados, ou escondem o fato de que estão fazendo isso, por medo de que o presenteador original possa se ofender. Segundo um estudo publicado pela revista Psychological Science, é provável que a pessoa que deu o presente fique menos ofendida do que você espera.
Repassar presentes recebidos, antes um tabu social, está gradualmente ganhando aceitação. De acordo com uma pesquisa feita pela American Express com consumidores dos Estados Unidos, 58% das pessoas acreditam que não há problema em representear algo de vez em quando. Esse número sobe para a temporada de fim de ano, quando 79% dos entrevistados disseram acreditar que repassar presentes é socialmente aceitável. Na pesquisa, que entrevistou cerca de 2.000 pessoas no ano passado, quase 25% disseram ter representeado pelo menos um item que ganharam na temporada natalina anterior.
No estudo sobre representear da Psychological Science, os pesquisadores realizaram cinco experimentos separados, envolvendo cerca de 500 pessoas em cenários reais e imaginários. As pessoas não se incomodavam quando seus presentes eram repassados mais tarde porque elas geralmente acreditavam que o presenteado tinha a liberdade de fazer o que quiser com o que ganhou. Por outro lado, quem repassava o presente para outras pessoas tinha medo de ofender o presenteador original por achar que este tinha o direito de influir em como os presentes seriam usados.
Esses dois pontos de vista se mantiveram independentemente de presenteadores e receptores serem ou não amigos. O fato de o presente ser relativamente atrativo também não afetou os resultados. Quando os pesquisadores introduziram no experimento o cenário de um feriado nacional para repassar os presentes, os participantes se mostraram mais propensos a representear o que ganharam.
Jeanne Milliet, psicóloga na Sorbonne, especialista em consumo, diz que os homens pensam mais no preço e são mais práticos nos presentes que dão e recebem. Segundo o site coletiva.net, as mulheres tendem a se preocupar mais com dar e receber presentes com significado emocional.

COMO DEVEMOS RECEBER UM PRESENTE?
Segundo Chris Millard, da Sofist Etiqueta Social e Profisisonal, saber receber um presente é tão importante como saber presentear. Veja algumas dicas quando receber um presente: Abra o presente com delicadeza e na frente de quem o ofertou e agradeça. Desnecessário dizer “não precisava!”. Nunca pergunte o valor e nunca reaproveite a embalagem. Não fique exibindo o presente para os convidados, esta atitude pode deixar alguém constrangido por não ter levado um presente.
Se for perguntado sobre o que gostaria de ganhar é permitido dar dicas.Você pode retribuir o presente com um outro presente ou até mesmo com um convite para um café, almoço, jantar. Se o presente for entregue por outra pessoa, você deverá agradecer o quanto antes. Se o presente não for do seu gosto, mesmo assim deve-se demonstrar satisfação pelo ato em si.

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