Não esqueça o principal

Conta-se que, certa vez, ao passar por um determinado lugar, uma jovem senhora que carregava seu filhinho ao colo, ouviu uma voz misteriosa sair de dentro de uma caverna, que lhe dizia: “Entre, pegue tudo quanto puderes; mas não esqueça o principal! Em 15 minutos a porta vai se fechar para nunca mais abrir.”
Ao ouvir aquela voz pela primeira vez, a jovem senhora ficou assustada e nem se aproximou da entrada da caverna. Depois de ouvir, pela terceira vez, o mesmo convite, resolveu se aproximar e dar uma espiada de longe para ver o que tinha lá dentro.
Da entrada da caverna, ao vislumbrar tanta riqueza, a jovem senhora ficou maravilhada com o que os seus olhos podiam contemplar, pois nunca tinha visto tantos objetos de valor em sua vida. Entrou, colocou o seu filhinho num lugar confortável no canto da caverna e começou a pegar tudo quanto podia. De minuto a minuto, em contagem regressiva, a voz repetia: “Dentro de tantos minutos a porta vai se fechar para nunca mais abrir, portanto, pegue tudo quanto puderes, mas não esqueça o principal.”
Ao chegar ao final dos 15 minutos, a jovem senhora já não tinha mais espaço em sua roupa e em seu corpo para colocar tanta coisa de valor que havia pegado. Quando a porta estava se fechando, ela saiu em disparada, carregando tudo quanto podia e saiu da caverna, até que a porta se fechou completamente.
Depois de festejar, alegremente, tudo quanto havia conseguido pegar, lembrou-se de algo muito importante: Seu filho havia ficado preso para sempre dentro daquela caverna. Em meio a tanta dor e sofrimento, agravado pelo sentimento de culpa, tudo aquilo que ela conseguiu juntar com tanto sacrifício, perdeu a sua graça, seu valor e sua razão de ser. Pensava ela consigo mesma: De que adianta ter tudo isto e não ter o principal, o mais importante, a maior riqueza da minha vida, que é o meu filho?
De alguma maneira, creio que esta estória é algo bastante familiar para alguns de nós imigrantes. Chegamos aqui na América cheio de sonhos e de ideais e, sem respeitar o limite do nosso corpo, da nossa mente e do nosso espírito, passamos a trabalhar dia e noite, como se fôssemos verdadeiras máquinas, sem nos darmos conta de que, ao agirmos assim, temos deixado muita coisa importante para trás que o dinheiro ganho não vai ser suficiente para reparar ou repor o estrago que isto tem causado na saúde, no relacionamento familiar, no convívio social e, sobretudo, no relacionamento com Deus.
Não devemos nos esquecer de uma coisa: Todos os dias pela manhã a “porta da caverna” se abre e, à tarde, se fecha. Devemos parar com regularidade para refletirmos e ponderarmos se, na ânsia e, até mesmo, na necessidade de levarmos o sustento para casa, não temos deixado para trás “valores” mais importantes do que os valores financeiros?! No afã de ter, muitos de nós imigrantes temos desconsiderado o valor do ser.
Minha proposta para você, amigo leitor, é que, não deixemos de “pegar” tudo quanto pudermos mas, sempre levando em conta que não devemos esquecer, nem deixar para trás o que é mais importante.
Que Deus o abençoe.

>> Carlos Patente é pastor da Igreja Vida Abundante em Deerfield Beach, FL.

Share

Related posts